Colaboração editorial: Nahara Rodrigues
Jovens usam IA: a inteligência artificial deixou de ser utilizada apenas para responder dúvidas, produzir textos e auxiliar em atividades escolares. Para parte dos adolescentes, os chatbots passaram a ocupar um espaço mais pessoal, com conversas sobre sentimentos, amizades e momentos de incerteza.
A organização britânica OnSide publicou o relatório Generation Isolation 2025. A YouGov conduziu a pesquisa. Entre os entrevistados, 39% recorreram a chatbots de inteligência artificial em busca de apoio, conselhos e companhia. A pesquisa ouviu 5.035 pessoas entre 11 e 18 anos na Inglaterra.
O resultado não significa que amizades presenciais estejam sendo substituídas de forma generalizada. O levantamento mostra que os adolescentes continuam atribuindo grande importância aos encontros fora das telas.
A versão anterior desta reportagem já utilizava o relatório como fonte complementar à cobertura jornalística sobre o tema. A atualização passa a priorizar os dados publicados diretamente pela instituição responsável pelo estudo.
Rapidez ajuda a explicar procura pelos chatbots
A disponibilidade imediata está entre as características que ajudam a entender por que ferramentas de IA ganharam espaço nas rotinas juvenis.
Um chatbot pode responder a qualquer hora, sem necessidade de agendamento e sem depender da disponibilidade de outra pessoa. Essa facilidade cria uma experiência distinta das relações presenciais.
O estudo mostra que recorrer à tecnologia não significa confiar mais nela do que em pessoas próximas. Apenas 6% dos entrevistados afirmaram confiar mais na inteligência artificial do que em uma pessoa real.
Os números ajudam a dimensionar o fenômeno. A IA pode ser procurada pela rapidez e facilidade de interação. A confiança atribuída às relações humanas permanece maior entre a ampla maioria dos participantes.
Na reportagem original, os usos mencionados incluíam ajuda com atividades escolares, questões pessoais, sentimentos, amizades e procura por alguém com quem conversar.
A tecnologia passou a integrar uma rotina digital que já ocupa parcela significativa do tempo livre dessa faixa etária.
Relações presenciais continuam valorizadas
A pesquisa aponta que 49% dos jovens consideram que passar tempo juntos presencialmente é a experiência que mais aumenta a sensação de conexão com os amigos. Outros 53% afirmaram que redes sociais e tecnologia facilitam suas amizades.
Os dados indicam que interações digitais e convivência presencial coexistem.
A internet facilita contato, comunicação e manutenção de vínculos. O encontro físico continua associado a relações consideradas mais próximas pelos próprios entrevistados.
O levantamento aponta que 37% disseram não ter oportunidades para conhecer novas pessoas e formar amizades.
Esse indicador amplia o debate para além da tecnologia. A disponibilidade de espaços de convivência, atividades acessíveis e ambientes seguros influencia a maneira como adolescentes constroem relações.
A pesquisa também procura compreender como os jovens utilizam o tempo fora da escola e quais estruturas podem ampliar as possibilidades de convivência presencial.
Jovens usam IA: telas ocupam parcela expressiva do tempo livre
O Generation Isolation 2025 mostra que 76% dos entrevistados passam a maior parte do tempo livre diante de telas.
O smartphone aparece como a atividade individual que mais ocupa esse período para 24% dos jovens.
Outro dado reforça a dimensão doméstica dessa rotina: 48% passam grande parte do tempo livre no próprio quarto. A pesquisa registra 16% passando a maior parte desse período sozinhos.
Os resultados não demonstram que smartphones e inteligência artificial provoquem isolamento por si mesmos. O relatório não estabelece uma relação direta de causa e efeito.
O cenário reúne diferentes fatores: presença intensa das telas, dificuldade de encontrar espaços de convivência, experiências negativas no ambiente digital e procura por novas formas de interação.
A edição anterior da matéria já destacava que o levantamento não atribuía a solidão a uma causa única. Jovens usam IA como companhia e…
Solidão aparece entre os indicadores do levantamento
A pesquisa identificou níveis elevados de solidão em 34% dos participantes.
O resultado exige contexto. O estudo foi realizado na Inglaterra com adolescentes de 11 a 18 anos. Os percentuais não devem ser projetados diretamente para jovens brasileiros.
Outro indicador chama atenção: 49% dos entrevistados relataram alguma experiência negativa envolvendo amizades no ambiente online.
Essas experiências podem incluir conflitos, exclusões em grupos, bloqueios e interrupções de contato, situações abordadas na versão original da reportagem. Jovens usam IA como companhia e…
Os números mostram que a vida social digital oferece possibilidades de conexão, e cria formas próprias de tensão e afastamento.
Jovens usam IA: dados brasileiros ampliam o contexto
O Portal Nova Pauta também reuniu dados brasileiros em um infográfico produzido para a reportagem.
O material, baseado em levantamento da Arco Educação, mostra que 19% dos estudantes recorrem regularmente à inteligência artificial como companhia quando se sentem sozinhos e precisam conversar.
O infográfico aponta que 52% relatam alguma dificuldade para fazer novos amigos, e outros 17% dizem sentir solidão de forma frequente.
Outro dado apresentado mostra que 32% dos entrevistados sentem que as pessoas raramente demonstram interesse pelo que eles dizem.
A representação gráfica também registra diferenças entre meninas e meninos. A dificuldade para formar amizades aparece em 33,4% das meninas e 20,1% dos meninos. O hábito de conversar mais com inteligências artificiais por solidão é indicado por 23,8% das meninas e 12,3% dos meninos.
Os levantamentos brasileiro e britânico têm metodologias e públicos distintos. Os resultados não devem ser comparados diretamente. Eles mostram que a relação entre juventude, solidão e ferramentas digitais aparece em diferentes contextos.

IA pode ajudar, mas não substitui vínculos humanos
A inteligência artificial pode funcionar como ferramenta de informação, organização de ideias e interação momentânea.
Os números da pesquisa britânica indicam que a convivência presencial continua ocupando papel central na percepção dos adolescentes sobre amizade e conexão.
A discussão não se resume a afastar adolescentes da tecnologia.
Ela envolve educação digital, espaços de convivência, oportunidades de socialização e capacidade de reconhecer os limites de sistemas automatizados.
Esse cuidado também vale para conteúdos gerados por inteligência artificial. O Portal Nova Pauta explica como identificar deepfakes e reconhecer sinais de manipulação digital
Famílias, escolas e instituições participam desse processo ao orientar o uso responsável dessas ferramentas e estimular experiências fora das telas.
A tecnologia pode ocupar um espaço de apoio pontual. Confiança, empatia, convivência e construção de vínculos continuam dependendo de relações humanas.
Esse princípio já aparecia no fechamento original da reportagem e permanece válido após a atualização dos dados.

