Autor: gestorprime

  • Síndrome de Cockayne tipo II: doença rara afeta reparo do DNA desde a infância

    Síndrome de Cockayne tipo II: doença rara afeta reparo do DNA desde a infância

    A síndrome de Cockayne tipo II é uma doença genética ultrarrara que compromete processos ligados ao reparo do DNA e atinge vários sistemas do organismo. A forma grave pode dar sinais desde o nascimento, afetar crescimento, desenvolvimento neurológico, visão, audição e pele. O quadro costuma evoluir de forma progressiva e exige acompanhamento por diferentes especialidades. A ciência busca compreender por que alterações em apenas dois genes conseguem produzir efeitos tão amplos no corpo.

    A raridade ajuda a explicar por que a síndrome segue pouco conhecida fora dos centros especializados. O MedlinePlus estima de dois a três casos para cada milhão de recém-nascidos nos Estados Unidos e na Europa. Esse número abrange o espectro da doença, não apenas o tipo II. Não há estimativa brasileira consolidada capaz de mostrar quantas pessoas vivem com a condição no país.

    O interesse científico ganhou um novo capítulo em 2026. Uma criança que apareceu no Portal Nova Pauta após o diagnóstico, recebeu uma terapia gênica experimental nos Estados Unidos. O procedimento abriu uma nova etapa de pesquisa, sem representar cura comprovada nem tratamento disponível para a população.

    1. O que é a síndrome de Cockayne tipo II?

    A Síndrome de Cockayne integra um grupo de doenças genéticas ligadas a falhas em processos celulares que respondem a danos no DNA. Os genes mais associados são ERCC6, chamado CSB, e ERCC8, conhecido como CSA. Eles participam de mecanismos que ajudam a célula a lidar com lesões geradas pela atividade normal do organismo e pela radiação ultravioleta.

    A classificação tradicional divide a síndrome em tipos I, II e III. Pesquisadores tratam esses grupos com cautela diante da formação de um espectro contínuo. O tipo I representa a apresentação clássica, com alterações que aparecem nos primeiros anos. Já o tipo III tende a surgir mais tarde e apresenta curso menos grave. No tipo II, predominam manifestações precoces e maior comprometimento.

    No tipo II, falhas de crescimento podem estar presentes ao nascimento. O desenvolvimento neurológico no período pós-natal pode ser pequeno. Cataratas congênitas, alterações estruturais dos olhos e contraturas da coluna e das articulações aparecem nas descrições clínicas. A forma grave se sobrepõe parcialmente ao espectro cerebro-oculo-facio-esquelético, conhecido pela sigla COFS.

    A gravidade não transforma todos os pacientes em casos idênticos. Variantes genéticas, extensão das alterações e características individuais influenciam o quadro. A classificação serve como referência clínica; não funciona como previsão exata da evolução de cada criança.

    2. Quais são os sintomas da síndrome de Cockayne?

    Os sinais podem atingir diferentes partes do organismo. Microcefalia, dificuldade para ganhar peso, baixa estatura e atraso do desenvolvimento aparecem entre as características descritas com frequência. Alterações neurológicas podem avançar com o tempo e comprometer mobilidade, coordenação, fala e autonomia.

    A fotossensibilidade é outro sinal conhecido. Pequenas exposições ao sol podem provocar queimaduras intensas e bolhas em algumas pessoas. Perda auditiva, redução da visão, cáries graves, alterações ósseas e mudanças identificáveis em exames do cérebro fazem parte do espectro.

    A síndrome pode afetar fígado, rins, pressão arterial, alimentação e desenvolvimento musculoesquelético. O acompanhamento clínico precisa observar o conjunto de manifestações, não apenas um órgão. O GeneReviews recomenda avaliações periódicas de crescimento, nutrição, neurologia, olhos, audição, função renal, função hepática e pressão arterial.

    A doença pode produzir traços descritos como progeroides, ligados a características que lembram envelhecimento precoce. Essa descrição não significa que Cockayne seja a mesma condição conhecida como progeria de Hutchinson-Gilford. As causas genéticas, os mecanismos celulares e a evolução clínica são diferentes.

    3. Por que a catarata pode aparecer tão cedo?

    Os olhos ocupam um lugar importante na investigação da síndrome de Cockayne. Catarata congênita, retinopatia e perda progressiva da visão estão descritas no espectro clínico. No tipo II, cataratas presentes desde o nascimento aparecem em parte dos pacientes e podem surgir com outras alterações oculares.

    Um estudo de história natural com 102 pessoas, citado pelo MedlinePlus, ajudou a organizar recomendações de acompanhamento e reforçou a relevância das alterações visuais. O cuidado oftalmológico entra na rotina de vigilância desde a infância, com atenção para catarata e retinopatia.

    Síndrome de Cockayne pode causar alterações oculares como catarata precoce
    Catarata precoce pode aparecer no espectro da doença – Imagem: Fernando Capetillo/Pexels

    A ligação com a história publicada pelo Portal Nova Pauta aparece nesse ponto. Em outubro de 2025, o portal contou o caso de Riaan, cuja investigação ganhou força com a descoberta de catarata na infância. O diagnóstico posterior revelou Síndrome de Cockayne tipo II.

    A catarata infantil tem várias causas e não indica, sozinha, síndrome de Cockayne. A presença desse achado precisa ser analisada dentro do conjunto clínico. Crescimento, desenvolvimento, sensibilidade ao sol, audição, sinais neurológicos e histórico familiar ajudam a orientar a investigação médica.

    4. O que causa a síndrome de Cockayne?

    ERCC6 e ERCC8 fornecem instruções para proteínas envolvidas em processos celulares ligados ao reparo de DNA danificado. Uma das vias mais relacionadas à síndrome recebe o nome de reparo por excisão de nucleotídeos acoplado à transcrição. Ela entra em ação quando uma lesão interfere na leitura de uma região ativa do DNA.

    Quando esse sistema falha, a célula encontra maior dificuldade para lidar com determinados danos. Parte das células deixa de funcionar adequadamente e pode morrer. Esse mecanismo ajuda a explicar a fotossensibilidade. A origem de todas as manifestações neurológicas, metabólicas e de crescimento permanece mais complexa. As proteínas CSA e CSB participam de funções celulares que seguem sob estudo.

    Um paradoxo chama atenção. Falhas de reparo de DNA lembram doenças que elevam o risco de câncer de pele, como o xeroderma pigmentoso. A síndrome de Cockayne segue um padrão diferente. Um estudo nos Estados Unidos analisou células de pacientes. A pesquisa não encontrou aumento de mutações induzidas por radiação ultravioleta no padrão do xeroderma pigmentoso.

    A descoberta ajuda a explicar por que o câncer não aparece como característica típica de Cockayne, mesmo diante da fotossensibilidade. A comparação mostra que “falha no reparo do DNA” não descreve um mecanismo único. Vias distintas podem gerar consequências biológicas profundamente diferentes.

    5. Como a síndrome de Cockayne é herdada?

    A síndrome apresenta herança autossômica recessiva. A pessoa afetada recebe duas cópias alteradas do gene relacionado à doença, uma de cada progenitor. Pais portadores costumam não apresentar sinais clínicos por possuírem uma cópia funcional do gene.

    Quando pai e mãe carregam variantes patogênicas relacionadas à mesma condição, cada gestação tem 25% de chance de gerar uma criança afetada. Existe chance de 50% de a criança ser portadora assintomática. A probabilidade de não herdar a combinação associada à doença fica em 25%. Esses percentuais se aplicam a cada gestação de forma independente.

    Herança Autossômica recessiva explicada em infográfico

    O aconselhamento genético ajuda a família a compreender a forma de transmissão, o risco de recorrência e as possibilidades de investigação disponíveis. A identificação das variantes familiares pode permitir testes em parentes com risco aumentado e planejamento reprodutivo acompanhado por profissionais especializados.

    A genética ajuda a evitar conclusões apressadas. Ter parentes sem sintomas não elimina a possibilidade de uma doença recessiva. Portadores podem atravessar toda a vida sem manifestações e transmitir a variante para os filhos.

    6. Como é feito o diagnóstico?

    A suspeita nasce da combinação de sinais clínicos, histórico de desenvolvimento, exame físico e achados de imagem. O diagnóstico molecular é estabelecido quando testes identificam variantes patogênicas bialélicas em um dos genes ERCC6 e ERCC8.

    A investigação pode incluir avaliação neurológica, ressonância do cérebro, exame oftalmológico, audiometria, análise da pele, avaliação odontológica e exames de função renal e hepática. O conjunto ajuda a mapear o impacto da doença e a organizar o acompanhamento.

    A literatura brasileira registra pacientes com a síndrome. Um relato publicado em 1999 nos Arquivos de Neuro-Psiquiatria descreveu uma criança com manifestações compatíveis e discutiu critérios de diagnósticos usados naquela época. Em 2023, uma monografia da Universidade Federal de Sergipe registrou um adolescente de 14 anos, de Aracaju, com confirmação por teste genético.

    Os dois registros ajudam a enxergar a evolução dos recursos diagnósticos no país. A confirmação molecular ganhou espaço e permite definir com maior precisão a alteração genética associada ao quadro. O acesso depende da rede disponível, da avaliação especializada e da indicação clínica.

    Não existe, nas fontes públicas consultadas, um número consolidado de pacientes com síndrome de Cockayne em Pernambuco. A ausência de um total confiável impede estimativas locais seguras. O dado mais útil para o leitor pernambucano está na estrutura estadual voltada às doenças raras, abordada no fim desta reportagem.

    7. Síndrome de Cockayne tem cura?

    Não existe cura aprovada para a síndrome de Cockayne. O cuidado busca reduzir complicações, preservar funções e melhorar qualidade de vida. Nutrição, fisioterapia, oftalmologia, audiologia, neurologia, odontologia e acompanhamento de órgãos afetados podem integrar o plano assistencial.

    Cataratas recebem avaliação oftalmológica específica. Perda auditiva pode exigir aparelhos auditivos e, em casos selecionados, implante coclear. A fotossensibilidade pede proteção contra exposição solar excessiva. Dificuldades alimentares podem demandar suporte nutricional e estratégias para garantir ingestão adequada.

    Um alerta merece atenção especial: o metronidazol. O MedlinePlus registra risco de reação grave em pessoas com Cockayne, com possibilidade de insuficiência hepática potencialmente fatal. O GeneReviews orienta evitar esse medicamento em pacientes com a síndrome.

    Esse dado não deve levar ninguém a alterar uma prescrição por conta própria. Pessoas diagnosticadas e familiares precisam informar a condição aos profissionais responsáveis pelo atendimento. Decisões sobre medicamentos pertencem à equipe de saúde que conhece o quadro clínico.

    O acompanhamento contínuo tem valor mesmo sem terapia curativa aprovada. Problemas de visão, audição, nutrição, mobilidade, pressão arterial, rins e fígado podem exigir intervenção específica. A abordagem multidisciplinar tenta antecipar riscos e reduzir perdas funcionais evitáveis.

    8. Qual é a expectativa de vida na síndrome de Cockayne tipo II?

    A pergunta sobre expectativa de vida aparece entre as mais delicadas para as famílias que recebem o diagnóstico. No tipo II, séries clínicas históricas descrevem evolução grave e morte geralmente por volta dos cinco anos. Esse dado representa grupos de pacientes, não um prazo individual para cada criança.

    A síndrome apresenta grande diversidade de manifestações. Pessoas classificadas em outras partes do espectro podem viver por mais tempo. O GeneReviews registra morte típica antes do fim da segunda década no tipo I e relatos de sobrevivência em idades posteriores, principalmente nos fenótipos menos graves.

    A medicina não usa uma média populacional como calendário para uma pessoa específica. Complicações respiratórias, estado nutricional, função neurológica, comprometimento de órgãos e acesso ao cuidado influenciam a evolução. Novas estratégias experimentais precisam mostrar, em humanos, se conseguem alterar a história natural da doença.

    A precisão nessa abordagem evita dois extremos. O primeiro seria esconder a gravidade. Outro extremo seria transformar estatísticas em sentença individual. Famílias precisam de informação clara, acompanhamento clínico e espaço para discutir prognóstico com profissionais que conhecem o paciente.

    9. O que se sabe sobre a terapia gênica para síndrome de Cockayne?

    A pesquisa entrou em uma fase inédita em 2026. A Riaan Research Initiative informou que Riaan Singh Digeorge, de seis anos, recebeu em 21 de abril uma terapia gênica experimental para Cockayne. O procedimento ocorreu no NewYork-Presbyterian Komansky Children’s Hospital, em Nova York. A organização ligada à família apresenta Riaan como o primeiro paciente a receber essa estratégia.

    A abordagem utiliza um vetor AAV9 projetado para levar uma cópia funcional de ERCC8, gene que produz a proteína CSA. O objetivo experimental é entregar essa informação genética às células e restaurar parte da função perdida. A aplicação humana representa um passo de pesquisa; não comprova benefício clínico, segurança de longo prazo e nem cura.

    Terapia gênica AAV9 experimental explicada em infográfico

    O estudo pré-clínico publicado em 2026 no Journal of Clinical Investigation testou AAV9-CSA em camundongos com um modelo grave da síndrome. A mediana de sobrevida passou de 22 para 189 dias, aumento de cerca de 8,5 vezes. Os pesquisadores observaram distribuição da proteína CSA no cérebro e no coração.

    Os resultados mostraram limites. Os animais tratados mantiveram alterações neurológicas, com hipomielinização, astrogliose e microgliose. Mudanças no fígado e disfunção renal no estágio final indicaram que a correção ficou incompleta.

    A diferença entre experimento animal e tratamento humano precisa permanecer clara. Resultados em camundongos ajudam a justificar novas pesquisas; não permitem prever a resposta de uma criança. O acompanhamento do primeiro paciente e futuros estudos serão decisivos para avaliar riscos, duração do efeito e impacto clínico.

    A história de Riaan cria uma continuidade rara para o próprio Portal Nova Pauta. Em 2025, o portal relatou o caminho até o diagnóstico. Em 2026, a mesma criança passou a ocupar o centro de uma tentativa pioneira de terapia genética para a condição. O avanço científico convive com incertezas que exigem tempo e evidências.

    10. Onde buscar atendimento para doenças raras em Pernambuco?

    Pernambuco possui serviços habilitados pelo Ministério da Saúde na rede de doenças raras. A lista federal atualizada em setembro de 2026 inclui cinco unidades pernambucanas. São elas: Hospital Maria Lucinda, IMIP, Hospital Regional Inácio de Sá, HC-UFPE e Real Hospital Português. A presença na relação não significa que todas essas unidades acompanhem especificamente síndrome de Cockayne. Cada serviço possui habilitações próprias e fluxos de acesso.

    A rede brasileira reúne 60 serviços habilitados em 15 unidades da Federação. Dez possuem habilitação para realização de terapia gênica no SUS. O IMIP, no Recife, aparece entre as unidades habilitadas nessa modalidade.

    11.Pernambuco amplia rede de doenças raras e terapia gênica

    O instituto realizou em 23 de dezembro de 2025 um procedimento de terapia gênica em paciente com atrofia muscular espinhal. O caso mostra que terapias baseadas em genes fazem parte da assistência pernambucana para indicações específicas. Essa experiência não tem relação direta com o protocolo experimental usado para Cockayne. Cada doença exige produto, critérios, autorização e acompanhamento próprios.

    O Hospital Maria Lucinda mantém o Rarus, serviço voltado a doenças raras com atendimento pelo SUS. A unidade informa capacidade para cerca de 500 usuários por mês, com mais da metade dos atendimentos destinados a moradores do interior de Pernambuco. O primeiro acesso depende de encaminhamento médico pelo SUS e regulação estadual.

    O Hospital das Clínicas da UFPE recebeu habilitação como Serviço de Referência em Doenças Raras em 2026. A medida ampliou a estrutura especializada no estado.

    12. Diagnóstico exige acompanhamento integrado

    Para famílias diante de sinais compatíveis com uma doença genética rara, o caminho começa pela avaliação médica e pela rede de referência. A rede de saúde do Recife também vem incorporando estratégias voltadas ao atendimento de públicos com necessidades específicas. Na Policlínica Lessa de Andrade, por exemplo, a vacinação com realidade virtual busca tornar a imunização mais acessível para pessoas neurodivergentes. Um diagnóstico como Cockayne exige integração entre genética, neurologia, oftalmologia, audição, nutrição e outras áreas conforme as manifestações presentes.

    A raridade não diminui o impacto da doença na vida de quem recebe o diagnóstico. A síndrome de Cockayne tipo II mostra como uma alteração microscópica pode repercutir em crescimento, cérebro, visão e vários órgãos. Expõe o tamanho do desafio científico quando existem poucos pacientes, poucas evidências e nenhuma cura aprovada.

    A pesquisa de 2026 abriu uma fronteira que precisa ser acompanhada com rigor. A rede pernambucana oferece um ponto concreto de orientação para doenças raras, sem transformar um experimento pioneiro em promessa. Para cada família, a informação correta pode encurtar caminhos, melhorar o diálogo com profissionais e reduzir o peso de enfrentar uma condição pouco conhecida.

    13. Entre avanços científicos, o cuidado permanece no centro

    Por trás de cada diagnóstico existe uma rotina marcada por consultas, exames, adaptações e decisões difíceis. Também existem vínculos, afetos, pequenas conquistas e a busca diária por qualidade de vida. Em doenças ultrarraras, ciência e cuidado caminham lado a lado. Cada avanço amplia o conhecimento disponível e mantém aberta a possibilidade de respostas mais precisas para quem convive com a síndrome.

    Dar visibilidade a condições como a síndrome de Cockayne também ajuda a romper um problema frequente nas doenças raras: o desconhecimento. Para as famílias, ser ouvido, receber orientação qualificada e encontrar uma rede preparada pode fazer diferença em toda a trajetória do cuidado.

  • Vacinação com realidade virtual atende crianças neurodivergentes no Recife

    Vacinação com realidade virtual atende crianças neurodivergentes no Recife

    A vacinação com realidade virtual passou a integrar o atendimento a crianças neurodivergentes na Policlínica Lessa de Andrade, na Madalena, no Recife. A sala usa óculos com animação em 3D durante a aplicação das vacinas. A proposta busca reduzir medo, ansiedade e tensão causados pela agulha.

    A sala, chamada “Vacina Divertida com Realidade Virtual”, recebe crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), TDAH, TOD e Síndrome de Down. Durante o atendimento, a criança acompanha uma atividade virtual inspirada no Parque da Tamarineira. A brincadeira propõe a montagem de um coração. A equipe prepara a imunização durante a experiência.

    A Prefeitura do Recife informa que a unidade recebe cerca de 50 crianças neurodivergentes por mês para atualização da caderneta. Esse número representa a procura pela Policlínica Lessa de Andrade. Ele não corresponde ao total de usuários que já utilizaram os óculos. A gestão municipal não divulgou quantas crianças passaram pela experiência desde a implantação.

    Experiência em 3D busca reduzir medo da agulha

    O prefeito do Recife, Victor Marques, visitou a Policlínica Lessa de Andrade para conhecer o serviço. A unidade concentra vacinação, distribuição de medicamentos e atendimento especializado. O local também abriga o Centro TEA – Núcleo de Desenvolvimento Integral.

    “A Policlínica Lessa de Andrade é um ponto muito importante da cidade em relação à vacinação, distribuição de medicamentos e outros serviços fundamentais na saúde do município, como o “Vacina Divertida”, que é simples e muito eficaz. Aqui tem um espaço específico onde as crianças neurodivergentes podem usar óculos de realidade virtual, que mostra o Parque Tamarineira e tem uma brincadeira para montar um coração. Enquanto ela vai se distraindo, os profissionais da saúde vão fazendo a preparação para o processo de vacinação, tornando muito menos doloroso para a criança e emocionalmente muito melhor para a família”, explicou o prefeito do Recife. “É você cuidar de cada ponto específico para que a criança participe desse processo com mais tranquilidade. Dá muito orgulho saber que essa atenção também é pensada dentro da nossa rede de saúde”, declarou Victor Marques.

    Vacinação com realidade virtual: criança conhece equipamento usado durante a imunização
    Criança experimenta os óculos usados durante a vacinação.

    Estudos apontam redução de medo, dor e ansiedade

    A proposta usa distração imersiva durante um procedimento que costuma provocar tensão em parte do público infantil. Uma revisão sistemática publicada em 2024 reuniu 21 estudos com 2.663 crianças e adolescentes submetidos a procedimentos com agulhas.

    Os resultados favoreceram o uso da realidade virtual na redução de dor, medo e ansiedade. Os pesquisadores registraram variação relevante entre os estudos. O trabalho também apontou a necessidade de pesquisas mais padronizadas.

    A evidência científica ajuda a explicar a lógica da estratégia. Os estudos não permitem afirmar que os óculos elevam, sozinhos, a cobertura vacinal do Recife.

    A Prefeitura apresenta o recurso como ferramenta para facilitar a adesão e reduzir barreiras durante a aplicação. Não foram divulgados indicadores locais sobre recusas, aplicações interrompidas, crises e atendimentos concluídos em períodos comparáveis.

    Unidade recebe cerca de 50 crianças por mês

    A média mensal divulgada pela gestão municipal ajuda a dimensionar a procura pela vacinação na Lessa de Andrade. Cerca de 50 crianças neurodivergentes chegam à unidade para conferir a caderneta e receber as doses indicadas.

    O dado não representa, de forma comprovada, 50 atendimentos mensais com realidade virtual.

    A secretária de Saúde do Recife, Luciana Albuquerque, afirma que a iniciativa busca ampliar a proteção das crianças em um ambiente mais acolhedor.

    “É mais um equipamento que a saúde do Recife usa para ampliar as coberturas vacinais, agora com um recurso lúdico para crianças neurodivergentes, para melhor acolher e para que essa criança não deixe de ser vacinada. A gente aproveita para fazer um apelo aos pais e responsáveis para trazerem suas crianças. É uma sala de vacinação bastante tradicional aqui no Lessa de Andrade e também temos um Centro TEA, então é mais um recurso para ampliar as coberturas vacinais e para que nenhuma criança deixe de ser vacinada”, afirmou a gestora.

    profissionais participam de atividade na Policlínica Lessa de Andrade
    Atividade reúne profissionais na Policlínica Lessa de Andrade.

    A escolha da policlínica está ligada ao movimento da vacinação e à presença do Centro TEA/NDI. O espaço de reabilitação integrado à Lessa de Andrade foi ampliado em janeiro de 2025.

    A rede especializada do Recife também passa por expansão com a construção da UPAE de Casa Amarela, prevista para ampliar a oferta de consultas, exames e procedimentos na cidade.

    A estrutura passou a contar com 11 consultórios, sala de integração sensorial, ginásios de fisioterapia e áreas para atividades em grupo.

    O acesso aos óculos não depende de vínculo prévio com o Centro TEA. Esse ponto facilita a procura de famílias interessadas na atualização da caderneta.

    Atendimento funciona sem agendamento

    Vacinação com realidade virtual: a sala recebe demanda espontânea. A família não precisa marcar horário nem ter cadastro em um Centro TEA do Recife.

    Na chegada, deve informar a condição da criança e apresentar documento com foto e caderneta de vacinação.

    O espaço disponibiliza os imunizantes previstos no calendário vacinal. A recepção e a sala receberam ilustrações voltadas ao público infantil. Os profissionais passaram por treinamento para operar o equipamento e conduzir o atendimento.

    A publicação oficial não informa horário exclusivo da experiência. Também não apresenta faixa etária máxima, número de aparelhos disponíveis nem protocolo específico de higienização.

    O texto institucional não traz um valor individual para implantação do projeto. A animação em 3D foi produzida em parceria com a Empresa Municipal de Informática, a Emprel.

    Para quem pretende levar uma criança, as orientações principais são objetivas. Não há agendamento. A caderneta deve acompanhar a família. A condição da criança precisa ser informada na unidade.

    criança utiliza óculos imersivos em ambiente adaptado
    Criança usa óculos imersivos em ambiente adaptado.

    Família relata menos estresse durante a vacinação

    A experiência tem peso especial para famílias que já enfrentaram episódios de grande estresse durante a imunização. Shyrlene Barros é mãe de Dyllan, de 4 anos, diagnosticado com TEA, TOD e TDAH.

    Ela relatou dificuldades anteriores durante a vacinação.

    “É super maravilhoso porque, antes, era o maior aperreio com a criança, a gente tinha que segurar, prender ela a acabava machucando. Dyllan já teve uma crise e convulsionou no meio da vacinação. Hoje em dia ele sozinho vai sentar, vai assistir e nem vai sentir que está tomando a vacina, sendo protegido. Agora sim vai ser um momento de diversão para eles e com muito menos estresse”, disse.

    O relato descreve uma experiência vivida pela família. Ele não estabelece a causa entre a vacina e a convulsão mencionada. Essa distinção separa a vivência pessoal de uma conclusão médica.

    Recife já testou realidade virtual em vacinação

    O uso de óculos imersivos em vacinação não é inédito na cidade. Em outubro de 2025, a Secretaria de Saúde levou a tecnologia ao Rec’n’Play, no Bairro do Recife.

    Crianças, adolescentes e jovens receberam vacinas assistindo a um vídeo imersivo durante a aplicação.

    A experiência de 2025 ocorreu dentro da programação temporária do evento. A estrutura atual da Lessa de Andrade está instalada em uma unidade de saúde.

    A Prefeitura apresenta o espaço como pioneiro em Pernambuco no atendimento com esse formato.

    Não foi localizada comprovação independente suficiente para tratar a iniciativa como a primeira do Estado em qualquer modalidade de vacinação com realidade virtual.

    A diferença mais clara está na forma de atendimento. A ação do Rec’n’Play teve duração limitada e público ligado à programação do festival.

    Na Madalena, a tecnologia integra a rotina de uma policlínica. A unidade recebe crianças neurodivergentes para vacinação e mantém um Centro TEA/NDI.

    Estudos sobre procedimentos com agulhas indicam que a realidade virtual pode ajudar a reduzir medo, ansiedade e dor em crianças. O recurso funciona como apoio de distração.

    Ele não substitui avaliação clínica, indicação das vacinas e acompanhamento da equipe de saúde.

    Para muitas famílias, a diferença pode estar em algo simples: chegar para uma vacina sem transformar o momento em uma experiência de medo e tensão. Um ambiente preparado, profissionais capacitados e recursos de distração podem tornar a passagem pela sala de imunização mais tranquila para a criança e para quem a acompanha.

    A consolidação do projeto dependerá de resultados que ainda precisam ser medidos pela rede municipal. Número de atendimentos, conclusão das aplicações e adesão das famílias poderão mostrar o alcance da iniciativa ao longo do tempo. Até lá, a experiência da Lessa de Andrade já coloca em evidência um princípio essencial da saúde pública: o cuidado também passa pela forma como cada pessoa é recebida.

    Crédito para todas as imagens: Hélia Scheppa/Prefeitura do Recife.

  • Contratações temporárias levam TCE a alertar 120 prefeituras

    Contratações temporárias levam TCE a alertar 120 prefeituras

    Colaboração editorial: Nahara Rodrigues

    As contratações temporárias em Pernambuco ultrapassam o limite de 50% em 120 das 184 prefeituras do estado. O número representa 65,2% dos municípios e levou o Tribunal de Contas de Pernambuco (TCE-PE) a anunciar um alerta aos prefeitos nesta semana. A medida busca cobrar adequação do quadro de pessoal e preservar o concurso público como principal forma de ingresso no serviço público.

    A regra consta na Resolução TC nº 296/2025. O texto fixa uma redução gradual da participação dos contratos por prazo determinado na soma entre servidores efetivos e trabalhadores admitidos de forma excepcional. O teto fica em 50% até 31 de dezembro de 2026. A taxa máxima cai para 40% no fim de 2027 e chega a 30% no encerramento de 2028.

    O descumprimento pode ser tratado como ato de gestão ilegal. A consequência pode atingir o julgamento das contas e resultar em multa. A expansão desse tipo de vínculo aumentou a pressão sobre os municípios. Muitas prefeituras precisam reduzir a dependência de admissões transitórias para cumprir o cronograma.

    Cidades da RMR passam de 70% no levantamento

    Uma consulta do Portal Nova Pauta ao Portal Tome Conta identificou percentuais elevados em municípios da Região Metropolitana do Recife. O cálculo considerou servidores efetivos e contratações por excepcional interesse público, seguindo a proporção usada na resolução do TCE-PE.

    Araçoiaba aparece com 852 contratados por prazo determinado e 260 efetivos na base atualizada em 31 de agosto de 2026. A relação chega a 76,62% quando os vínculos transitórios são comparados à soma das duas categorias. O município apresenta mais de três contratados dessa modalidade para cada servidor efetivo nesse recorte.

    Igarassu registra 3.104 vínculos de caráter excepcional e 1.095 efetivos, com atualização de 31 de julho. A participação calculada alcança 73,92%. São Lourenço da Mata apresenta 2.635 contratados e 1.016 efetivos na mesma data-base. O percentual calculado chega a 72,17%.

    Nas bases consultadas, os três municípios ficam bem acima do teto válido para 2026. A distância cresce com a comparação ao parâmetro futuro de 30%. A redução exigida até 2028 representa uma mudança expressiva na composição dos quadros locais.

    Os registros do Tome Conta são alimentados pelos próprios gestores por meio do Sagres. A plataforma informa que os dados apresentados não representam, necessariamente, informações já auditadas. As datas de atualização variam entre municípios, fator que exige cautela em comparações diretas.

    Olinda fica abaixo do teto, mas MPPE cobra revisão de contratos

    Olinda apresenta quadro diferente. A base atualizada em 31 de agosto registra 3.001 efetivos e 1.099 servidores contratados de forma temporária. Pela mesma fórmula, a proporção chega a 26,8%, abaixo do patamar final previsto para 2028.

    Esse resultado não elimina a necessidade de avaliar a legalidade de contratos específicos. Em agosto, o Ministério Público de Pernambuco recomendou à Prefeitura de Olinda a regularização de vínculos por prazo determinado. O órgão cobrou a convocação de aprovados no concurso público de 2024. A recomendação citou indícios de manutenção de contratados em funções correspondentes a cargos efetivos.

    Contratações temporárias: limite cai até chegar a 30% em 2028

    A Resolução TC nº 296/2025 entrou em vigor em 31 de outubro de 2025 e estabeleceu critérios para seleções públicas, concursos e contratações temporárias. A norma busca padronizar exigências observadas nas fiscalizações do Tribunal e reduzir falhas na admissão de pessoal.

    O cronograma prevê um ajuste progressivo. Até o fim de 2026, contratos dessa natureza poderão representar no máximo 50% da soma entre efetivos e trabalhadores admitidos por excepcional interesse público. O teto cai para 40% em 2027 e para 30% em 2028.

    A contratação por prazo determinado permanece permitida em casos específicos e transitórios ligados a excepcional interesse público. O modelo não deve substituir de forma permanente cargos que integram a rotina administrativa. A Constituição Federal mantém o concurso público como regra de acesso aos cargos efetivos.

    O cenário atual explica a prioridade dada ao tema. Em fevereiro de 2025, o TCE-PE divulgou crescimento de 43,6% nos vínculos temporários municipais entre 2020 e junho de 2024. Naquele levantamento, metade das cidades já tinha mais trabalhadores contratados dessa forma que servidores efetivos.

    O levantamento divulgado em setembro de 2026 apresenta 120 prefeituras acima de 50% na proporção considerada pelo Tribunal. Os levantamentos de 2025 e 2026 usam datas e critérios de apresentação distintos. Os números revelam uma presença persistente de admissões excepcionais na administração municipal.

    Para os gestores, o prazo de adequação reduz a margem para manter estruturas baseadas em vínculos transitórios. Municípios com percentuais elevados terão de planejar concursos e revisar necessidades permanentes de pessoal. As novas admissões precisarão respeitar a excepcionalidade prevista na legislação.

    Decisão em Caruaru mostra risco de responsabilização

    Uma decisão recente do TCE-PE ajuda a dimensionar as consequências para prefeituras que mantêm contratados por prazo determinado em funções destinadas a servidores efetivos. Em 8 de setembro, a Primeira Câmara determinou a substituição de 56 professores contratados de forma temporária em Caruaru. As vagas deverão ser ocupadas por candidatos aprovados no Concurso Público nº 001/2023.

    A fiscalização encontrou 56 casos de preterição com base em dados de abril de 2026. Profissionais sem vínculo efetivo exerciam funções de professor em Educação Física, Inglês, Língua Portuguesa e Matemática. Candidatos aprovados aguardavam convocação.

    O Tribunal determinou um levantamento atualizado da necessidade de professores na rede municipal. A medida busca aproximar os cargos previstos em lei da demanda real do sistema de ensino. O trabalho pretende reduzir contratos por prazo determinado em funções permanentes.

    O relator aplicou multa de R$ 11.184,37 ao prefeito Rodrigo Pinheiro. A decisão foi aprovada por unanimidade e admite recurso. O caso mostra que a fiscalização do quadro de pessoal já produz efeitos concretos antes do encerramento do cronograma estadual.

    MPPE cobra revisão de vínculos e convocação de aprovados em Olinda

    Em Olinda, a recomendação do MPPE trouxe outra frente de fiscalização. O órgão orientou a gestão a revisar vínculos criados após a homologação do concurso. A instituição pediu convocação de candidatos aprovados nos casos com correspondência entre a função contratada e o cargo previsto no certame.

    Para quem acompanha concursos públicos, a discussão ultrapassa a organização interna das prefeituras. O avanço do cronograma pode ampliar a pressão por planejamento de pessoal e abertura de seleções efetivas. A convocação de aprovados ganha relevância em cidades com carência permanente de servidores.

    O TCE-PE pretende reforçar a cobrança com o alerta aos prefeitos. A meta é reduzir gradualmente a participação das contratações temporárias e preservar esse instrumento para casos realmente excepcionais. O acompanhamento dos percentuais até 2028 deve mostrar quais cidades conseguirão adaptar seus quadros dentro dos limites estabelecidos.

  • Praia do Janga: crianças passam mal em trecho apontado como impróprio

    Praia do Janga: crianças passam mal em trecho apontado como impróprio

    Colaboração editorial: Nahara Rodrigues

    A Praia do Janga, em Paulista, virou motivo de preocupação para uma família após quatro crianças apresentarem episódios intensos de vômitos e diarreia após um banho de mar, no último sábado (5). Bruna Micchelle, responsável pelas crianças, informou nas redes sociais que exames apontaram uma infecção bacteriana e que o grupo iniciou tratamento com antibióticos.

    A apuração do Portal Nova Pauta identificou que o trecho PAL-10 da Praia do Janga estava classificado como impróprio para banho pela Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH) no período em que ocorreu o episódio. Informativos posteriores também mantiveram pontos monitorados do Janga entre os locais considerados inadequados para banho ao longo de setembro.

    A reportagem esteve na região nesta terça-feira (8), produziu fotografias, gravou vídeos e registrou a localização. Durante a visita, encontrou banhistas dentro do mar no trecho correspondente ao PAL-10, em frente à Rua Betânia.

    No percurso feito pela equipe, a reportagem não encontrou sinalização visível alertando sobre a condição da água. A constatação se restringe à área percorrida pelo Portal Nova Pauta e não representa uma avaliação de toda a extensão da Praia do Janga.

    A CPRH recebeu pedido de posicionamento e encaminhou resposta parcial. O Portal Nova Pauta também enviou questionamentos à Prefeitura do Paulista sobre balneabilidade, placas de alerta e atendimento da rede municipal. O município não respondeu dentro do prazo informado pela reportagem.

    Sintomas começaram no domingo às 23h

    Bruna relata que esteve na Praia do Janga com as crianças no sábado (5), por volta das 14h. Os primeiros sintomas apareceram às 23h do domingo (6), quando a família já estava em casa.

    Quatro crianças apresentaram episódios de vômitos e diarreia. Bruna descreveu o quadro como intenso e afirmou ter passado cerca de 24 horas sem dormir acompanhando os menores.

    Em atualizações publicadas nas redes sociais, ela informou que exames detectaram uma infecção bacteriana e que as crianças começariam tratamento com antibióticos.

    As publicações mais recentes indicam melhora no estado de saúde, embora o tratamento permaneça em andamento.

    O Portal Nova Pauta não teve acesso aos exames, laudos médicos nem documentos capazes de identificar qual bactéria teria sido detectada. A reportagem tampouco recebeu confirmação médica que estabeleça relação entre a infecção relatada e a água da Praia do Janga.

    Esse limite precisa permanecer claro na apuração. A proximidade temporal entre o banho de mar e o início dos sintomas não comprova a origem da infecção. A classificação do PAL-10 como impróprio reforça a relevância sanitária do episódio, mas não estabelece sozinha um nexo clínico.

    Bruna respondeu brevemente ao primeiro contato feito pelo Portal Nova Pauta. A reportagem perguntou qual bactéria teria sido identificada e se os médicos apontaram possível relação com o banho de mar. Ela visualizou a mensagem, mas não enviou nova resposta até o fechamento.

    Praia do Janga: Bruna afirma que desconhecia classificação do trecho

    Bruna contou nas redes sociais que passou um período morando em Brasília e retornou a Pernambuco há cerca de dois anos. Desde a volta, afirmou que ainda não havia conseguido reservar tempo para ir à praia.

    No sábado (5), ela levou as crianças ao Janga. A família permaneceu na área durante parte da tarde.

    Bruna afirmou que não sabia que pontos da Praia do Janga apareciam como impróprios para banho no boletim da CPRH. Ela relatou não ter visto placas de advertência e cobrou das autoridades a instalação de sinalização para informar os frequentadores.

    A cobrança passou a integrar um dos principais eixos da apuração do Portal Nova Pauta.

    O boletim da CPRH pode ser consultado pela internet. Para o banhista que chega diretamente à faixa de areia, a publicação digital não garante conhecimento prévio sobre a classificação microbiológica daquele ponto.

    Bruna defende avisos físicos próximos às áreas classificadas como impróprias. Na avaliação apresentada nas redes sociais, uma placa poderia informar as famílias antes da entrada no mar.

    A responsável levou as crianças para a Policlínica Amaury Coutinho, localizada em Campina do Barreto, no Recife. O deslocamento ocorreu apesar da distância entre a unidade de saúde e a região onde a família estava.

    Bruna explicou que preferiu procurar a policlínica por confiar no atendimento prestado às crianças. Ela afirmou que não buscou inicialmente unidades de Paulista nem de Olinda por acreditar que conseguiria assistência no Amaury Coutinho.

    Praia do Janga: PAL-10 já estava impróprio na data do banho

    O Informativo nº 36/2026 da CPRH, datado de 3 de setembro, classifica dois pontos monitorados da Praia do Janga como impróprios para banho entre os dias 4 e 10 de setembro.

    Um deles é o PAL-10, localizado em frente à Rua Betânia. O outro é o PAL-20, situado em frente à Rua Cláudio S. Bastos, nº 190, na altura do Condomínio Roberto Barbosa.

    A equipe técnica da CPRH coletou as amostras usadas no informativo nos dias 31 de agosto e 1º de setembro.

    A classificação não terminou naquela semana. O Informativo nº 40/2026 da CPRH, válido de 2 a 8 de outubro, mantém os dois pontos monitorados da Praia do Janga como impróprios para banho.

    O PAL-10, em frente à Rua Betânia, continua na lista de trechos inadequados. O mesmo ocorre com o PAL-20, localizado em frente à Rua Cláudio S. Bastos, nº 190. As amostras usadas no boletim atual foram coletadas em 28 de setembro.

    Como os informativos têm validade semanal, a condição precisa ser consultada antes de cada ida à praia. A permanência dos dois pontos na classificação atual reforça o histórico registrado desde o episódio relatado em setembro.

     

    Praia do Janga aparece no boletim da CPRH com PAL-10 classificado como impróprio
    Boletim da CPRH mostra PAL-10 como impróprio – Imagem: Print/Reprodução/CPRH

    O episódio relatado pela família ocorreu no sábado, 5 de setembro. Naquela data, o informativo que classificava o PAL-10 como impróprio já estava vigente.

    A CPRH utiliza critérios técnicos para avaliar a balneabilidade dos pontos monitorados. O documento registra a condição da água a partir de parâmetros microbiológicos definidos para esse tipo de acompanhamento ambiental.

    A classificação exige leitura precisa. O boletim se refere aos pontos monitorados pela agência, não a cada metro da Praia do Janga. Por essa razão, a reportagem concentra a análise no PAL-10, área identificada durante a apuração presencial.

    A consulta permite verificar quais pontos do litoral pernambucano aparecem como próprios e impróprios em cada período de validade.

    O boletim da CPRH é atualizado semanalmente e pode alterar a classificação dos trechos monitorados. O leitor pode consultar a relação mais recente de praias próprias em Pernambuco, com os pontos liberados e impróprios para banho no litoral.

    Portal Nova Pauta registra banhistas no PAL-10

    O Portal Nova Pauta foi à Praia do Janga nesta terça-feira (8) para verificar presencialmente a área correspondente ao PAL-10.

    A equipe percorreu a faixa de praia, produziu registros fotográficos, gravou vídeos e documentou pontos de referência próximos à Rua Betânia.

    Região do PAL-10 registrada durante apuração do Nova Pauta
    Trecho do PAL-10 visitado pela reportagem – Imagem: Print/Google Maps

    Durante a visita, a reportagem registrou um casal dentro do mar. As imagens mostram os banhistas na água durante o período em que o Informativo nº 36/2026 classificava o PAL-10 como impróprio para banho.

    O registro demonstra que havia pessoas utilizando aquele ponto durante a vigência da classificação da CPRH.

    A reportagem procurou placas, avisos e elementos visuais que alertassem os banhistas durante o percurso. A equipe não encontrou sinalização visível sobre a impropriedade da água na área percorrida.

    A afirmação se limita ao trajeto realizado pela equipe. O Portal Nova Pauta não atribui a observação a toda a orla do Janga.

    As fotografias feitas no local registraram resíduos em diferentes partes da faixa de areia. Entre os itens visíveis nas imagens estão copos, garrafas e outros descartes.

    Praia do Janga com resíduos espalhados pela faixa de areia durante apuração
    Resíduos registrados durante visita ao Janga – Foto: Rafael Barreto/Portal Nova Pauta

    A presença dos resíduos integra a descrição das condições encontradas durante a visita. A reportagem não associa esse lixo à classificação microbiológica do PAL-10, já que não dispõe de análise técnica que estabeleça essa relação.

    A ida ao local ampliou a apuração para além das publicações de Bruna. O Portal Nova Pauta cruzou o relato da família com o informativo oficial, conferiu a localização do PAL-10 e produziu registros próprios da praia.

    CPRH responde parcialmente; Prefeitura não envia posição

    O Portal Nova Pauta procurou a CPRH para esclarecer os critérios relacionados ao PAL-10, a rotina de coleta das amostras, possíveis riscos aos banhistas e a responsabilidade pela sinalização dos pontos classificados como impróprios.

    Franci Palhano, gerente de Comunicação Social e Educação Ambiental da CPRH, informou que a metodologia utilizada no acompanhamento da balneabilidade e os boletins atualizados ficam disponíveis no portal institucional.

    Franci informou que o laboratório da agência mantém uma programação diária de coleta de amostras da água do mar.

    A gerente comunicou que consultaria a Gerência de Laboratório para obter respostas aos demais questionamentos enviados pelo Portal Nova Pauta.

    O prazo solicitado pela reportagem terminou às 11h desta quarta-feira (9). Até às 12h40, a CPRH não havia encaminhado as informações complementares.

    Prefeitura do Paulista não responde dentro do prazo

    O Portal Nova Pauta também procurou a Prefeitura do Paulista e encaminhou pedido formal de posicionamento. A reportagem questionou a administração municipal sobre a classificação do PAL-10, presença de placas, notificações de pessoas com sintomas gastrointestinais e providências previstas para o trecho.

    O prazo concedido ao município terminou às 11h desta quarta-feira (9). Até às 12h40, a Prefeitura não havia encaminhado resposta.

    O Portal informou previamente aos dois órgãos que registraria na reportagem a ausência de retorno dentro do prazo.

    A falta de manifestação da Prefeitura deixa uma questão sem esclarecimento: qual órgão deve garantir a presença de avisos físicos para orientar os frequentadores quando um ponto está classificado como impróprio para banho?

    A CPRH mantém os boletins disponíveis pela internet. Bruna afirma que desconhecia a classificação antes de levar as crianças à praia. Durante a apuração do Portal Nova Pauta, a equipe encontrou pessoas no mar e não identificou placa de alerta no trecho percorrido.

    As informações disponíveis após o episódio indicaram melhora no estado de saúde das crianças. O Portal Nova Pauta não recebeu posteriormente documentação médica que permitisse estabelecer relação direta entre a infecção relatada e a água do Janga.

    Para quem frequenta a praia, a recomendação permanece prática: consultar o boletim mais recente da CPRH antes do banho. Como a classificação muda semanalmente, o histórico registrado nesta reportagem ajuda a compreender o episódio, mas não substitui a situação atualizada de cada ponto monitorado.

    O Portal Nova Pauta mantém espaço aberto para manifestação da CPRH e da Prefeitura do Paulista. Caso os órgãos encaminhem novas respostas, a reportagem poderá receber atualização com a identificação das informações acrescentadas.

  • UPAE de Casa Amarela terá foco em câncer e 30 mil atendimentos

    UPAE de Casa Amarela terá foco em câncer e 30 mil atendimentos

    Colaboração editorial: Nahara Rodrigues

    A UPAE de Casa Amarela está em construção na Avenida Norte, nº 5.600, na Zona Norte do Recife, com entrega prevista para 2027. O equipamento será a quarta Unidade Pública de Atendimento Especializado da cidade e terá perfil voltado ao cuidado oncológico.

    A Prefeitura do Recife informa que a obra recebe investimento superior a R$ 14 milhões, com recursos do Governo Federal. A capacidade estimada chega a cerca de 30 mil atendimentos mensais, reunindo consultas, exames, procedimentos ambulatoriais e suporte multiprofissional.

    O prefeito Victor Marques vistoriou o canteiro nesta terça-feira (8). A agenda acompanhou o estágio das fundações, etapa que antecede a montagem da estrutura principal do prédio.

    UPAE de Casa Amarela durante vistoria ao canteiro de obras
    Gestores acompanham andamento da obra – Foto: Hélia Scheppa/Prefeitura do Recife

    A nova unidade terá atendimento para usuários a partir de 14 anos. O funcionamento está previsto de segunda a sexta-feira, das 7h às 19h, após a inauguração.

    Na vistoria, Victor Marques afirmou que o equipamento pretende ampliar a oferta municipal para pessoas que enfrentam demora no diagnóstico e no cuidado. A gestão relaciona o projeto ao fortalecimento da assistência especializada no Recife.

    “Tratamento de câncer é sempre um desafio na saúde pública em todo o Brasil. Por isso, o Recife dá um passo inovador com uma UPAE dedicada ao diagnóstico e ao tratamento oncológico. Este equipamento terá capacidade para realizar mais de 30 mil atendimentos, além de ampliar o atendimento de pessoas que, hoje, enfrentam longas filas para conseguir diagnóstico e tratamento, inclusive na rede estadual. A Prefeitura do Recife está assumindo essa responsabilidade junto ao Governo Federal, ampliando a oferta de serviços e fortalecendo a saúde pública. Tenho certeza de que este será um grande equipamento para saúde pública de Pernambuco”, destacou o prefeito.

    Obra entra na fase de fundações em Casa Amarela

    Os serviços começaram em março deste ano. As equipes trabalham na movimentação de terra, execução da infraestrutura e consolidação das fundações.

    A previsão municipal indica conclusão das sapatas isoladas durante setembro. Em outubro, as equipes devem iniciar a instalação de pilares e vigas. A superestrutura deve avançar até o fim do ano.

    Trabalhadores na etapa de fundações
    Construção está na etapa de fundações – Foto: Hélia Scheppa/Prefeitura do Recife

    A superestrutura será formada por elementos pré-fabricados de concreto. Essa etapa dará forma aos principais volumes do edifício e permitirá o avanço das áreas internas planejadas para assistência especializada.

    O cronograma apresentado pela gestão municipal prevê entrega no primeiro semestre de 2027. A obra ocupa um terreno na Avenida Norte, via que concentra grande circulação entre bairros da Zona Norte.

    O endereço sediará a quarta UPAE do Recife após a entrega prevista para 2027.

    UPAE de Casa Amarela: unidade terá diagnóstico, biópsias e pequenas cirurgias

    O principal diferencial da UPAE de Casa Amarela será o perfil oncológico. A ampliação da estrutura ocorre em um cenário de reforço das estratégias de rastreamento do câncer pelo SUS, com foco na identificação precoce da doença.

    A Secretaria de Saúde cita atenção para casos de câncer de mama, útero, pele e trato gastrointestinal. O objetivo informado é agilizar o diagnóstico, o estadiamento e a realização de pequenas cirurgias dentro da linha de cuidado oncológico.

    Imagem do projeto arquitetônico
    Perspectiva da futura unidade – Imagem: Prefeitura do Recife

    O prédio contará com duas salas cirúrgicas e uma sala de recuperação. A estimativa divulgada pela gestão municipal prevê até 800 cirurgias, dentro da capacidade planejada para o serviço.

    A unidade também terá exames diagnósticos e atendimento multiprofissional. Esse conjunto busca ampliar a capacidade municipal de identificar casos suspeitos e acelerar etapas necessárias antes da continuidade do cuidado.

    A Prefeitura não informou a oferta de quimioterapia nem radioterapia entre os serviços previstos para a unidade. Entre os serviços previstos estão diagnóstico, estadiamento, procedimentos ambulatoriais, biópsias e pequenas cirurgias.

    Luciana Albuquerque, secretária de Saúde do Recife, informou que a unidade foi planejada para reforçar o diagnóstico, estadiamento e pequenas cirurgias. A pasta espera atender uma demanda que ainda não conta com esse formato especializado na rede municipal.

    “É mais um grande equipamento que a Saúde do Recife entrega à população. Esta é a nossa quarta UPAE, com capacidade para realizar 5 mil consultas médicas e não médicas, exames e 800 cirurgias. São duas salas cirúrgicas e uma sala de recuperação. A ideia é ampliar e agilizar, principalmente, o diagnóstico, o estadiamento e a realização de pequenas cirurgias para os principais tipos de câncer, como os de mama, útero, pele e do trato gastrointestinal. Vamos atender uma demanda que, até então, Recife não tinha e que, agora, passa a contar com esse serviço especializado na UPAE”, contou.

    Estrutura terá 15 especialidades e área de 3,7 mil m²

    A UPAE terá 3.702,50 m² de área construída e consultas em 15 especialidades médicas. O serviço será destinado a pacientes com idade a partir de 14 anos.

    O térreo concentrará consultórios, farmácia, exames de imagem e espaços para profissionais de diferentes áreas. O primeiro andar reunirá exames especializados, teleconsulta, setor administrativo e bloco cirúrgico.

    UPAE de Casa Amarela vista em perspectiva aérea do projeto
    Projeto da unidade em Casa Amarela – Imagem: Prefeitura do Recife

    A capacidade mensal anunciada chega a cerca de 30 mil atendimentos. A Secretaria de Saúde também cita 5 mil consultas médicas e não médicas dentro da programação assistencial apresentada.

    A distribuição dos ambientes foi planejada para concentrar diferentes etapas do atendimento especializado no mesmo endereço. O projeto reúne áreas clínicas, exames e procedimentos em uma estrutura dedicada à assistência especializada.

    O equipamento terá papel complementar na rede municipal. A estrutura não substitui as unidades de atenção básica, que continuam como ponto de entrada para encaminhamentos regulados.

    Os ambientes previstos no projeto buscam reunir etapas clínicas no mesmo prédio. A organização inclui áreas de consulta, diagnóstico, recuperação e apoio administrativo, com circulação planejada para pacientes e equipes.

    UPAE de Casa Amarela: atendimento dependerá de encaminhamento pela rede municipal

    O acesso aos serviços será feito pela Central de Regulação do Recife. O paciente precisará passar pela Atenção Básica e receber encaminhamento para a assistência especializada.

    Esse fluxo significa que a UPAE não funcionará como serviço de livre procura. A vaga dependerá da indicação clínica e da regulação dentro da rede pública municipal.

    Para chegar ao atendimento especializado, o usuário deverá iniciar o percurso pela rede básica. A equipe fará a avaliação clínica e encaminhará o caso para regulação quando houver indicação para consultas, exames e procedimentos na UPAE.

    Recife já conta com UPAEs no Ibura, Arruda e Mustardinha. A unidade de Casa Amarela ampliará esse conjunto com uma proposta concentrada na linha de cuidado oncológico.

    A gestão municipal afirma que a nova estrutura busca ampliar a detecção precoce de diferentes tipos de câncer. Consultas, exames, biópsias e procedimentos estarão reunidos no mesmo equipamento.

    A expectativa apresentada pela Prefeitura é ampliar a oferta especializada e agilizar o diagnóstico de pacientes encaminhados pela rede. A operação dependerá da conclusão da obra, da montagem das equipes e da integração com a regulação.

    A Prefeitura mantém a previsão de entrega para o primeiro semestre de 2027. Até lá, o cronograma seguirá com fundações, pilares, vigas, superestrutura e implantação dos ambientes internos previstos no projeto.

  • Bienal do Livro de SP tem corredores cheios e presença pernambucana

    Bienal do Livro de SP tem corredores cheios e presença pernambucana

    Colaboração editorial: Nahara Rodrigues

    A Bienal do Livro de SP 2026 teve corredores cheios no domingo (6), no Distrito Anhembi, na capital paulista. Registros feitos pela equipe do Portal Nova Pauta mostraram um fluxo intenso entre estandes, filas e espaços ocupados por leitores de diferentes idades. O movimento colocou Pernambuco em evidência, com escritores e profissionais ligados ao estado presentes na programação da 28ª edição.

    A cena registrada pela reportagem reforça a dimensão alcançada pelo evento neste primeiro fim de semana. Em vários pontos do pavilhão, visitantes precisaram reduzir o ritmo diante da concentração de pessoas. Estandes de grandes grupos editoriais atraíram filas, sessões de autógrafos e circulação constante.

    “Bienal do Livro reúne corredores lotados e movimentação intensa neste fim de semana. Quem passou pela Bienal do Livro encontrou um cenário de corredores completamente tomados pelo público. A movimentação foi intensa nos principais espaços do evento, com filas, estandes cheios e visitantes circulando entre as atrações.”

    O registro foi feito por uma integrante da equipe de reportagem do Portal Nova Pauta, que acompanhou a feira neste domingo. As fotografias produzidas no local mostraram forte presença de visitantes em áreas próximas aos estandes da Rocco e do Grupo Editorial Record.

    Corredores cheios marcam primeiro fim de semana

    Bienal do Livro com visitantes circulando entre estandes no Anhembi
    Corredores movimentados durante a Bienal de São Paulo – Foto: Nahara Rodrigues/Portal Nova Pauta

    A 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo foi realizada entre 4 e 13 de setembro, no Distrito Anhembi, na Zona Norte da capital. A edição reuniu 269 expositores e recebeu 760 mil visitantes durante dez dias, maior público registrado na história do evento.

    A programação reuniu centenas de escritores, editoras, livrarias, agentes literários e profissionais da cadeia do livro. A Espanha ocupa o posto de país convidado de honra em 2026. O evento distribui atividades por 11 espaços temáticos dedicados a debates, encontros com autores, educação, infância, mercado editorial e bem-estar.

    O sábado (5) já havia registrado grande pressão de público. Reportagens publicadas durante o fim de semana apontaram trânsito intenso no entorno do Anhembi, longas filas em estandes e dificuldade de circulação em alguns corredores. Os ingressos para domingo estavam esgotados, cenário que ajuda a dimensionar a movimentação encontrada pela equipe de reportagem.

    Após o encerramento, a organização confirmou público de 760 mil pessoas, acima das 722 mil registradas em 2024. Cinco dias tiveram ingressos esgotados. O balanço final reforça a dimensão da movimentação registrada presencialmente pelo Portal Nova Pauta durante o primeiro fim de semana.

    Bienal do Livro: Pernambuco ganha espaço entre autores e profissionais do livro

    A presença pernambucana amplia o interesse da Bienal para leitores do estado. Levantamento publicado pelo Jornal do Commercio lista nove nomes ligados a Pernambuco nesta edição: Andréa Nunes, Mirela Paes, Apolo Andrade, Rodrigo Alves, Maria Anna Martins, Maria Muniz, Sidney Nicéas, Odi Veiga e Milena Costa.

    Andréa Nunes levou à feira o romance policial “Presunção de Inocência”, publicado pela Editora Flyve. A autora participou de atividades nos dias 5 e 6, com presença no estande da editora, bate-papo sobre a obra e sessão de autógrafos. A agenda coincidiu com o primeiro fim de semana da Bienal, período marcado pela forte circulação de visitantes nos corredores do Anhembi.

    Apolo Andrade integrou atividades ligadas ao mercado editorial. O agente literário recifense participou, no dia 7, de uma mesa sobre microgêneros e comunidades de leitores no espaço Papo de Mercado. No dia 12, mediou um encontro dedicado às adaptações de livros para as telas.

    Rodrigo Alves também integrou a programação no dia 12, com sessão de autógrafos no estande Crush Literário. A participação reforçou a diversidade de autores vinculados ao estado em diferentes espaços da feira.

    Livro leva bastidores do futebol pernambucano a São Paulo

    Uma das histórias ligadas à identidade de Pernambuco também ganhou espaço na Bienal. Sidney Nicéas e Odi Veiga apresentaram “Entre Cobras, Leões e Timbus”, obra da Mangue Editora construída a partir de 26 anos de histórias vividas nos estádios pernambucanos.

    O livro reúne relatos de Odi Veiga à frente de equipes médicas e ambulâncias em partidas disputadas no estado. As crônicas atravessam bastidores de jogos, atendimentos a atletas e torcedores, episódios de violência e mudanças nos protocolos de saúde aplicados ao futebol.

    A obra conecta literatura, memória esportiva e cotidiano pernambucano. O lançamento em São Paulo antecede uma nova apresentação marcada para 24 de outubro, no Recife. A circulação entre as duas capitais amplia o alcance de histórias que nasceram nos estádios pernambucanos.

    Sidney Nicéas mantém relação direta com o circuito literário de Pernambuco. O escritor participa da organização da Bienal Internacional do Livro de Pernambuco, realizada no Centro de Convenções, em Olinda. Essa conexão cria uma ponte concreta entre dois dos principais encontros editoriais do país.

    Bienal do Livro: balanço final reúne números da edição

    O balanço divulgado pela organização também aponta para 800 autores e 3,65 milhões de livros ofertados. Cinco dias tiveram ingressos esgotados. A média de faturamento dos expositores cresceu 57% na comparação com a edição anterior.

    Os números ajudam a dimensionar o cenário encontrado pelo Portal Nova Pauta durante a cobertura presencial no primeiro fim de semana. Corredores cheios, filas diante dos estandes e circulação intensa anteciparam um movimento que seria confirmado pelo resultado final da Bienal.

    A presença pernambucana acrescentou outro capítulo à edição, com autores e profissionais do estado ocupando diferentes espaços da programação. Entre literatura, futebol e mercado editorial, Pernambuco levou produções e experiências locais para um dos principais encontros do livro no país.

  • 91 anos de Paulista: Frei Damião e Colo de Deus marcam noite de fé

    91 anos de Paulista: Frei Damião e Colo de Deus marcam noite de fé

    Os 91 anos de Paulista ganharam um capítulo de fé na noite desta sexta-feira (4), na Praça João Pessoa, no Centro. A abertura religiosa reuniu fiéis de várias comunidades, com apresentações do diácono Jaime Bomfim, Frei Damião Silva e da banda Colo de Deus. A agenda integra as comemorações pela emancipação política do município e segue até este domingo (6), com atrações culturais em diferentes polos da cidade.

    A primeira noite no polo principal teve cânticos, oração e participação do público. Jaime Bomfim abriu as apresentações com sua banda e conduziu os primeiros momentos religiosos. A consagração a Nossa Senhora esteve entre as passagens de maior envolvimento dos católicos presentes na praça.

    Moradora de Jardim Paulista Baixo, Ana Maria Mendes, de 51 anos, acompanhou a programação com familiares. “Eu estou muito emocionada nessa noite de bênçãos com a minha família de sangue e de fé “, disse Ana.

    Fé marca primeira noite dos 91 anos de Paulista

    Frei Damião Silva assumiu o palco na segunda apresentação da noite. O religioso reuniu cânticos, mensagens e momentos de oração diante do público que acompanhava a festa no Centro. A presença de comunidades de diferentes áreas do município ganhou espaço em sua participação.

    O religioso destacou a reunião de grupos católicos das festas de padroeiros em um mesmo espaço. A mensagem ressaltou a unidade das comunidades nas comemorações e a devoção a Nossa Senhora.

    O prefeito Severino Ramos acompanhou a abertura das festividades.

    “Estou muito feliz de poder comemorar esses 91 anos fazendo essa festa maravilhosa. Hoje (4) é católico, amanhã (5) os evangélicos e depois vamos fechar com uma grande festa para todos os públicos, Deus está abençoando tudo isso. Para fazer isso, eu tive que mostrar que nós temos responsabilidade com a cidade. Estamos resgatando isso com fé, com amor. Eu digo todos os dias: nós queremos uma Paulista melhor, uma Paulista mais humana e uma Paulista para todos”, contou o prefeito.”

    A gestão municipal dividiu a programação religiosa do polo principal entre a noite católica de sexta e a noite evangélica deste sábado (5). As comemorações terminam no domingo com uma grade musical voltada a diferentes públicos.

    Colo de Deus encerra celebração na Praça João Pessoa

    A banda Colo de Deus fechou a programação católica da sexta-feira. O grupo atraiu forte participação dos jovens, que acompanharam músicas, momentos de oração e mensagens religiosas perto do palco.

    A apresentação marcou a primeira passagem da banda pela cidade dentro desse evento. Integrante do grupo, Vinny Matos afirmou que a expectativa era proporcionar aos moradores um encontro de fé durante a passagem por Paulista.

    O secretário de Turismo e Cultura, Ícaro Guimarães, avaliou a abertura de forma positiva e citou a presença do público católico. A primeira noite abriu uma sequência de atividades espalhadas pelo Centro, Parque Aurora e Forte de Pau Amarelo no fim de semana.

    “Foi muito boa. O primeiro dia sempre gera aquela expectativa, mas tivemos Diácono Jaime, Padre Damião e, depois, a banda Colo de Deus. Foi muita adoração e muito louvor. O público católico esteve presente e foi uma noite maravilhosa, que com certeza vai ficar na história do aniversário da cidade”, observou.

    A programação de sábado reservou o palco principal para o público evangélico, com Grupo Somos Três, Bruno Reyner e Canção e Louvor. Os outros polos mantiveram atrações culturais com música, manifestações populares e atividades para crianças.

    91 anos de Paulista: Priscila Senna encerra festa de Paulista no domingo

    Quem pretende acompanhar o último dia de comemorações terá uma sequência de shows na Praça João Pessoa. Day Araújo abre a programação do polo principal, das 18h às 19h. Ycaro Andrade canta das 19h30 às 20h30. Luiza Kethly sobe ao palco das 21h às 22h. Lari Lauany se apresenta das 22h30 às 23h30. Priscila Senna fecha a noite, da meia-noite à 1h30.

    O Parque Aurora recebe atividades do Festival PNAB Sons de Pernambuco, com teatro, música, samba, rock e programação infantil. A distribuição por polos amplia o perfil da festa e mantém atrações fora do palco principal no encerramento.

    A estrutura de saúde montada para os três dias inclui um posto médico na Praça João Pessoa, com funcionamento das 18h às 2h. A equipe conta com médico, enfermeiro, técnico de enfermagem e ambulância. Uma unidade itinerante do Centro de Testagem e Aconselhamento oferece testes rápidos para HIV, sífilis e hepatites das 18h à meia-noite.

    O serviço de saúde permanece disponível no último dia da festa. A estrutura busca atender casos de urgência no polo principal sem afastar o público da área central do evento.

    Emancipação definitiva ocorreu em 1935

    Os 91 anos celebrados em 2026 tomam como referência a emancipação definitiva de Paulista em 4 de setembro de 1935. O histórico do IBGE registra uma primeira elevação do território à categoria de município em 11 de setembro de 1928, com o desmembramento de Olinda.

    Paulista perdeu a condição municipal entre 1930 e 1931 e voltou a integrar Olinda como distrito. A Lei Estadual nº 11 recriou o município em 4 de setembro de 1935. A instalação ocorreu em 12 de setembro daquele ano.

    A história do nome da cidade remonta ao século XVII. A página histórica do município registra a venda das terras de Paratibe e Maranguape em 1689 para Manoel Alvares de Morais Navarro. O bandeirante era conhecido como “Paulista”, apelido que passou a identificar a região.

    A festa deste fim de semana liga essa trajetória histórica à presença de moradores, artistas e grupos religiosos nos espaços públicos. O domingo encerra a agenda dos 91 anos com shows no Centro e atividades culturais em outros polos. Três dias de comemoração reforçam a memória municipal, a fé e a cultura local.

    Fotos: João Gonçalves \ SEI

    91 anos de Paulista têm celebração religiosa durante festa na Praça João Pessoa
    Celebração religiosa marcou a noite de fé pelos 91 anos de Paulista.

     

    Público acompanha show na Praça João Pessoa
    Praça João Pessoa recebeu grande público durante a festa dos 91 anos de Paulista.

     

    91 anos de Paulista têm apresentação musical durante noite de fé na Praça João Pessoa
    Apresentação musical marcou a noite de fé pelos 91 anos de Paulista.
  • Danielzinho no Náutico: números e funções do reforço na Série B

    Danielzinho no Náutico: números e funções do reforço na Série B

    Danielzinho no Náutico: atleta já entrou em campo pelo Náutico na reta final da Série B e marcou seu primeiro gol com a camisa alvirrubra. Contratado em definitivo até o fim de 2026, o atacante de 25 anos estreou diante do Operário-PR, em 15 de setembro. A mudança no comando técnico, com a chegada de Bruno Pivetti, abre uma nova etapa na disputa por espaço no elenco.

    Natural de Jaboatão dos Guararapes, Daniel Ferreira dos Santos Filho retorna ao futebol pernambucano com experiência em diferentes estados.

    Na apresentação oficial, Danielzinho destacou a própria versatilidade e apontou capacidade para atuar na lateral, nas pontas e no ataque. As diferentes funções ampliam as possibilidades de utilização do jogador durante as partidas.

    A contratação envolveu um problema físico conhecido pela diretoria. O jogador sofreu lesão no quinto metatarso do pé em 28 de junho, durante a partida do Ypiranga contra o Confiança. A equipe dos Aflitos manteve a negociação e aguardou a recuperação para concluir o acerto.

    Reforço chega com sete participações em gols

    Os números de 2026 ajudam a explicar o interesse alvirrubro. O pernambucano disputou 21 jogos pelo Ypiranga, 19 como titular, com três gols e quatro assistências.

    Esse desempenho representa participação direta em gol a cada três partidas. Os 21 jogos foram disputados pelo Campeonato Gaúcho, pela Copa do Brasil e pela Série C.

    A produção ofensiva ganha peso pelo perfil do atleta, usado principalmente nas faixas laterais do campo. A função é diferente da ocupada por um centroavante fixo e exige mobilidade para atacar espaços pelos corredores.

    Danielzinho também falou sobre a chegada aos Aflitos na apresentação divulgada pelo clube.

    “Chegar ao Náutico é uma felicidade imensa. É um Clube que admiro muito. Estou ansioso para entrar em campo e honrar essa camisa”, afirmou o atacante ao site oficial do Náutico.

    A declaração reforça a expectativa pela estreia após o período de recuperação. O jogador chega para disputar espaço num elenco que busca manter regularidade na fase decisiva da competição.

    Versatilidade amplia opções no elenco

    O ex técnico Hélio dos Anjos relatou que o Náutico acompanhava Danielzinho desde o início da passagem pelo Ypiranga. A lesão sofrida pelo jogador abriu uma condição de mercado considerada viável pelo clube, que aguardou a recuperação antes de concluir a contratação.

    Além do histórico acompanhado pela antiga comissão técnica, a capacidade de atuar em diferentes setores pesou na chegada do atacante aos Aflitos. Danielzinho pode desempenhar funções pelos lados do campo, aparecer mais adiantado e também contribuir em movimentos de apoio ao ataque.

    Essa característica amplia as alternativas do elenco na reta final da Série B. A troca no comando técnico também inicia uma nova avaliação sobre a utilização do jogador, agora sob responsabilidade de Bruno Pivetti, que assumiu a equipe após a saída de Hélio dos Anjos.

    Os primeiros jogos de Danielzinho com a camisa alvirrubra passam a oferecer referências mais concretas sobre o espaço que ele poderá ocupar. O gol marcado na estreia reforçou a capacidade de participar de jogadas ofensivas mesmo com poucos minutos em campo.

    Danielzinho marca na estreia pelo Náutico

    Danielzinho superou a etapa de recuperação física e recebeu regularização para defender o Náutico. O atacante apareceu entre os relacionados contra o América-MG, em 9 de setembro, mas permaneceu no banco durante a derrota por 2 a 1 em Belo Horizonte.

    A estreia aconteceu seis dias depois, diante do Operário-PR, nos Aflitos. Danielzinho entrou na reta final do segundo tempo e marcou o terceiro gol alvirrubro aos 42 minutos, após aproveitar o rebote de uma finalização de Pato Núñez. Foi o primeiro toque do atacante na partida.

    O gol colocou o Náutico em vantagem por 3 a 1, mas o Operário-PR reagiu nos acréscimos e buscou o empate por 3 a 3. Ele voltou a receber minutos na rodada seguinte, na derrota por 3 a 0 para o Cuiabá, na Arena Pantanal.

    A sequência do atacante também atravessa uma mudança no comando técnico. Bruno Pivetti assumiu o Náutico em 25 de setembro após as saídas de Hélio e Guilherme dos Anjos. Na apresentação, o novo treinador indicou que pretende reavaliar as opções disponíveis no elenco nesta reta final da Série B.

    Danielzinho não ficou disponível para o clássico contra o Sport, marcado para este sábado 26 de setembro, nos Aflitos. O atacante apareceu entre os desfalques enquanto realiza trabalho de fisioterapia.

    O jogador transformou a expectativa pela estreia em gol logo nos primeiros minutos com a camisa do Náutico. A participação diante do Operário-PR mostrou uma das características que acompanharam a contratação: a capacidade de aparecer em diferentes setores do campo.

    A versatilidade permanece como um dos principais atributos do atacante para a sequência no clube. Com uma nova comissão técnica nos Aflitos, o desempenho após o retorno às condições de jogo indicará qual espaço o atleta poderá conquistar nesta reta final da Série B.

  • Baixa Sociedade levou Luiz Fernando Guimarães ao Teatro Guararapes

    Baixa Sociedade levou Luiz Fernando Guimarães ao Teatro Guararapes

    Baixa Sociedade passou pelo Teatro Guararapes, em Olinda, em 5 de setembro de 2026, com Luiz Fernando Guimarães no papel central. A comédia escrita por Juca de Oliveira teve apresentação única no Grande Recife, dentro da turnê que celebra os 50 anos de carreira do protagonista.

    A montagem apresenta uma história marcada por ambição, aparência, dinheiro e desejo de reconhecimento. Luiz Fernando vive Otávio, homem insatisfeito com a própria situação financeira e disposto a sustentar uma imagem de sucesso diante das pessoas próximas. O plano envolve mentiras, invenções e decisões que atingem diretamente a rotina familiar.

    Pedro Neschling assina a direção da nova versão. Debora Ozório, Paulo Mathias Jr. e Bruna Trindade completaram o elenco da apresentação pernambucana.

    A Agenda PNP reúne outras peças, shows e atrações culturais programadas para Recife e Região Metropolitana.

    Baixa Sociedade transforma ambição e aparência em matéria para o humor

    Otávio acredita que prestígio social pode ser construído pela imagem transmitida aos demais. A dificuldade financeira entra em choque com essa expectativa e cria o motor da trama. Cada tentativa de manter a fachada produz novas situações, expõe contradições do personagem e amplia o conflito dentro de casa.

    Paulo Mathias Jr. interpreta Otavinho, filho que acaba inserido nos planos do pai. Debora Ozório e Bruna Trindade ocupam papéis ligados ao núcleo familiar e às relações que movimentam a narrativa. O espetáculo trabalha esse conjunto de interesses sem abandonar o ritmo de comédia.

    A crítica social está presente no texto desde sua criação. Dinheiro, pertencimento, prestígio e comportamento formam a base de uma história que observa a distância entre aquilo que alguém possui e aquilo que deseja aparentar. O riso nasce do exagero das situações e da insistência de Otávio em preservar uma posição que não corresponde à realidade.

    A nova encenação mantém essa premissa e atualiza referências para aproximar o texto do público atual. A produção percorre diferentes cidades brasileiras em 2026, com Luiz Fernando Guimarães à frente de uma montagem ligada diretamente ao marco de cinco décadas de sua trajetória profissional.

    Texto de Juca de Oliveira nasceu em 1979 e voltou aos palcos em nova montagem

    Baixa Sociedade estreou em 1979 no Teatro Brigadeiro, em São Paulo. O próprio Juca de Oliveira escreveu a peça, produziu a montagem e interpretou Otávio. Registros do acervo da Biblioteca Jenny Klabin Segall apontam José Renato na direção daquela versão e Kito Junqueira no papel de Otavinho.

    A ligação entre as duas montagens ganha peso pela escolha do protagonista atual. Luiz Fernando Guimarães assume o mesmo personagem vivido pelo autor na estreia, quase cinco décadas atrás. A troca cria um elo entre duas fases do teatro brasileiro e coloca um texto do fim dos anos 1970 diante de uma plateia de 2026.

    Juca de Oliveira morreu em 21 de março deste ano, aos 91 anos. Sua trajetória reuniu trabalhos no teatro, na televisão e no cinema, com forte presença da crítica social em parte de sua produção dramatúrgica. Baixa Sociedade ocupa posição importante nesse percurso por ter sido seu primeiro texto teatral como dramaturgo.

    A remontagem ganhou novo significado após a morte do artista. A permanência da obra nos palcos preserva uma criação ligada ao início de sua produção autoral e apresenta o texto a espectadores que talvez conheçam Juca principalmente pelos trabalhos na televisão.

    Luiz Fernando Guimarães chega a esse encontro artístico no ano em que completa 50 anos de carreira. O ator construiu trajetória extensa no teatro e alcançou grande projeção nacional em produções televisivas, entre elas TV Pirata e Os Normais. Em Baixa Sociedade, o palco volta a ocupar o centro dessa celebração.

    Apresentação em Olinda integrou turnê nacional

    A apresentação ocorreu em 5 de setembro de 2026, às 20h, no Teatro Guararapes, no Centro de Convenções de Pernambuco, em Olinda. O mesmo palco também recebe Tom Cavalcante em Pernambuco em outubro, com personagens conhecidos da trajetória do humorista.

    A sessão teve classificação indicativa de 14 anos. O Teatro Guararapes dispõe de recursos de acessibilidade, incluindo rampas, elevadores, piso tátil, banheiros adaptados e assentos reservados.

    A passagem por Olinda reuniu no mesmo palco duas fases da história de Baixa Sociedade. Juca de Oliveira interpretou Otávio na montagem original, em 1979. Em 2026, Luiz Fernando Guimarães assumiu o personagem durante a turnê que marcou seus 50 anos de carreira.

    Quase cinco décadas separam as duas versões. A permanência de temas como aparência, prestígio, dinheiro e desejo de ascensão ajuda a explicar a retomada do texto e sua circulação por diferentes cidades brasileiras.

  • Tom Cavalcante em Pernambuco: veja 5 personagens de O Tom Tá ON

    Tom Cavalcante em Pernambuco: veja 5 personagens de O Tom Tá ON

    Colaboração editorial: Nahara Rodrigues

    Tom Cavalcante em Pernambuco: o artista volta a Pernambuco neste sábado (10) com o espetáculo “O Tom Tá ON”, no Teatro Guararapes, em Olinda. A apresentação começa às 21h e terá cerca de 1h30 de duração, com improvisação, imitações e personagens que acompanham diferentes fases da carreira do humorista.

    João Canabrava, Jarilene, Tomberto Carlos, Ana Maria Bela e a imitação de Caetano Veloso estão entre as atrações confirmadas para a apresentação. Ao longo do espetáculo, Tom ainda combina observações sobre o comportamento humano, situações da atualidade e comentários sobre temas nacionais com números musicais e interação com a plateia.

    O repertório faz parte de um universo construído por Tom Cavalcante ao longo da carreira, que reúne mais de 200 criações e personificações. O formato permite mudanças de uma sessão para outra, principalmente nos momentos de improvisação e nas referências a acontecimentos recentes.

    Tom Cavalcante em Pernambuco durante apresentação do espetáculo O Tom Tá ON
    Tom Cavalcante apresenta “O Tom Tá ON” neste sábado (10), às 21h, no Teatro Guararapes, em Olinda – Foto: Rodrigo Zorzi / Divulgação

    Quais personagens estarão no show de Tom Cavalcante em Pernambuco?

    Os cinco nomes divulgados ajudam a mostrar como Tom construiu um repertório que saiu da televisão e ganhou vida própria nos palcos. O site oficial do artista mantém todos eles no catálogo de personagens e personificações.

    Tomberto Carlos

    Tomberto Carlos é a paródia de Roberto Carlos usada pelo humorista em números musicais. A caracterização explora voz, gestos e referências ligadas ao cantor. O personagem aparece no repertório de Tom há anos e representa uma vertente recorrente de seus espetáculos: a recriação humorística de artistas conhecidos pelo público.

    A presença de Tomberto Carlos na programação pernambucana indica que o bloco musical terá espaço na apresentação do Teatro Guararapes. A divulgação não detalha a ordem das entradas nem o tempo de permanência de cada personagem no palco.

    João Canabrava

    João Canabrava ocupa um lugar central na trajetória de Tom Cavalcante. A biografia oficial registra a estreia nacional de Tom em 12 de outubro de 1992, na Escolinha do Professor Raimundo, com Canabrava.

    A aparição colocou Tom diante de uma audiência nacional no programa de Chico Anysio. Canabrava ficou marcado pela figura de um homem constantemente embriagado, cercado por histórias exageradas, respostas inesperadas e situações construídas pelo humorista.

    O personagem atravessou programas de televisão e espetáculos presenciais. Sua presença na divulgação de O Tom Tá ON cria um elo direto com o início da projeção nacional de Tom.

    Tom Cavalcante em Pernambuco terá o humorista caracterizado como João Canabrava
    João Canabrava integra a relação divulgada para o espetáculo – Crédito: Reprodução/Site oficial de Tom Cavalcante

    Ana Maria Bela

    Ana Maria Bela leva para o palco uma paródia de Ana Maria Braga. A caracterização usa elementos dos programas matinais, a maneira de falar da apresentadora e referências ao universo televisivo que consagrou Ana Maria Braga.

    A figura integra o catálogo oficial de Tom Cavalcante. Sua inclusão no show pernambucano reforça a presença das personificações de nomes da TV dentro de um repertório que não se limita aos personagens da ficção.

    Tom caracterizado como Ana Maria Bela no show O Tom Tá ON
    Ana Maria Bela está entre as criações levadas por Tom Cavalcante ao palco na nova turnê de “O Tom Tá ON” – Foto: Rodrigo Zorzi / Divulgação

    Jarilene

    Jarilene representa a fase de Tom Cavalcante na Record. A personagem ganhou projeção em quadros do Show do Tom. A biografia oficial situa a atração da Record entre 2004 e 2012.

    A personagem retrata uma trabalhadora doméstica envolvida em situações cômicas, visitas a casas de celebridades e encontros marcados por confusões. A personagem permaneceu ligada ao repertório do artista fora da grade televisiva.

    A divulgação associa a personagem ao Show do Tom em 2003, mas essa data não coincide com a cronologia oficial do programa. Jarilene permanece vinculada à fase de Tom Cavalcante na Record.

    Caetano Veloso

    O quinto nome divulgado precisa de uma distinção. Caetano não é um personagem de ficção no mesmo sentido de João Canabrava e Jarilene. Trata-se da imitação de Caetano Veloso feita por Tom Cavalcante.

    A personificação do cantor baiano faz parte do repertório musical do humorista e aparece no catálogo oficial do artista. A caracterização amplia a parte musical do espetáculo, ao lado de figuras inspiradas em nomes conhecidos da cultura brasileira.

    A divulgação cita cinco personagens previstos para o espetáculo, sem apresentar o repertório completo. O formato de O Tom Tá ON abre espaço para improvisação e comentários ligados a acontecimentos recentes, característica citada na agenda oficial do espetáculo.

    A apresentação terá aproximadamente 90 minutos. Além das figuras já anunciadas, Tom Cavalcante alterna imitações, números musicais e improvisação com observações sobre comportamento e acontecimentos do Brasil e do exterior. A combinação permite que parte do conteúdo acompanhe temas recentes e mude conforme a interação com o público.

    O Tom Tá ON volta a Pernambuco e já passou pelo Recife

    Tom Cavalcante em Pernambuco: O Tom Tá ON não nasceu em 2026. Registros do Teatro J. Safra mostram apresentações do espetáculo em São Paulo nos dias 1º, 2, 8 e 9 de abril de 2022. O material de 2022 apresentava a montagem como inédita na capital paulista.

    A trajetória do show já inclui uma passagem por Pernambuco. Em 1º de novembro de 2024, Tom Cavalcante apresentou a montagem no Teatro RioMar Recife. A página daquele evento informava duração de 90 minutos e citava João Canabrava, Sr. Venâncio e Jarilene no repertório.

    A apresentação de 2026 marca uma nova passagem do espetáculo pelo estado, no Teatro Guararapes. O espaço fica no Centro de Convenções de Pernambuco, em Salgadinho, Olinda, na Região Metropolitana do Recife.

    Ingressos para O Tom Tá ON no Teatro Guararapes

    Com classificação etária de 14 anos, o espetáculo tem ingressos disponíveis em três setores, com valores a partir de R$ 55. A venda ocorre pela internet e também na bilheteria do Teatro Guararapes, no Centro de Convenções de Pernambuco, em Olinda.

    Show terá apresentação no Teatro Guararapes, visto com palco e plateia
    Teatro Guararapes recebe a apresentação em outubro – Crédito: Reprodução/Centro de Convenções de PE

    Os valores divulgados são R$ 110 para inteira e R$ 55 para meia no Balcão. A Plateia custa R$ 140 na inteira e R$ 70 na meia. O Balcão Especial tem ingressos de R$ 160 na inteira e R$ 80 na meia.

    A venda ocorre pela plataforma oficial do Centro de Convenções de Pernambuco e na bilheteria física do equipamento. O atendimento presencial funciona de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h. Aos sábados, a bilheteria abre apenas em dias de evento.

    A página da apresentação informa acessibilidade na plateia, com banheiros adaptados, rampas, elevadores, piso tátil e assentos destinados a pessoas com deficiência. Há lugares previstos para acompanhantes e pessoas com obesidade. O setor de balcão não conta com acessibilidade, conforme o aviso publicado na plataforma de ingressos.

    Tom Cavalcante em Pernambuco: serviço

    O quê: Tom Cavalcante em “O Tom Tá ON”
    Quando: sábado, 10 de outubro, às 21h
    Onde: Teatro Guararapes, Centro de Convenções de Pernambuco, em Olinda
    Endereço: Avenida Professor Andrade Bezerra, s/n, Salgadinho
    Ingressos: de R$ 55 a R$ 160, conforme setor e modalidade
    Venda: bilheteria do Teatro Guararapes e plataforma oficial Cecon Tickets
    Classificação: 14 anos
    Duração: aproximadamente 1h30

    Para quem conheceu Tom Cavalcante pela televisão, a sessão cria um reencontro com figuras de diferentes momentos da carreira. Para quem acompanha o trabalho atual, o formato mantém espaço para improvisação e temas recentes. A Agenda PNP reúne outras atrações culturais previstas para Recife e Região Metropolitana.

    No palco, personagens que atravessaram décadas voltam a encontrar um público que também mudou com o tempo. Entre lembranças da televisão e novas situações criadas ao vivo, a apresentação aproxima diferentes gerações em torno de um humor que ajudou a marcar a trajetória de Tom Cavalcante.