Vacinação com realidade virtual atende crianças neurodivergentes no Recife

Vacinação com realidade virtual: criança usa óculos em sala adaptada no Recife

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A vacinação com realidade virtual passou a integrar o atendimento a crianças neurodivergentes na Policlínica Lessa de Andrade, na Madalena, no Recife. A sala usa óculos com animação em 3D durante a aplicação das vacinas. A proposta busca reduzir medo, ansiedade e tensão causados pela agulha.

A sala, chamada “Vacina Divertida com Realidade Virtual”, recebe crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), TDAH, TOD e Síndrome de Down. Durante o atendimento, a criança acompanha uma atividade virtual inspirada no Parque da Tamarineira. A brincadeira propõe a montagem de um coração. A equipe prepara a imunização durante a experiência.

A Prefeitura do Recife informa que a unidade recebe cerca de 50 crianças neurodivergentes por mês para atualização da caderneta. Esse número representa a procura pela Policlínica Lessa de Andrade. Ele não corresponde ao total de usuários que já utilizaram os óculos. A gestão municipal não divulgou quantas crianças passaram pela experiência desde a implantação.

Experiência em 3D busca reduzir medo da agulha

O prefeito do Recife, Victor Marques, visitou a Policlínica Lessa de Andrade para conhecer o serviço. A unidade concentra vacinação, distribuição de medicamentos e atendimento especializado. O local também abriga o Centro TEA – Núcleo de Desenvolvimento Integral.

“A Policlínica Lessa de Andrade é um ponto muito importante da cidade em relação à vacinação, distribuição de medicamentos e outros serviços fundamentais na saúde do município, como o “Vacina Divertida”, que é simples e muito eficaz. Aqui tem um espaço específico onde as crianças neurodivergentes podem usar óculos de realidade virtual, que mostra o Parque Tamarineira e tem uma brincadeira para montar um coração. Enquanto ela vai se distraindo, os profissionais da saúde vão fazendo a preparação para o processo de vacinação, tornando muito menos doloroso para a criança e emocionalmente muito melhor para a família”, explicou o prefeito do Recife. “É você cuidar de cada ponto específico para que a criança participe desse processo com mais tranquilidade. Dá muito orgulho saber que essa atenção também é pensada dentro da nossa rede de saúde”, declarou Victor Marques.

Vacinação com realidade virtual: criança conhece equipamento usado durante a imunização
Criança experimenta os óculos usados durante a vacinação.

Estudos apontam redução de medo, dor e ansiedade

A proposta usa distração imersiva durante um procedimento que costuma provocar tensão em parte do público infantil. Uma revisão sistemática publicada em 2024 reuniu 21 estudos com 2.663 crianças e adolescentes submetidos a procedimentos com agulhas.

Os resultados favoreceram o uso da realidade virtual na redução de dor, medo e ansiedade. Os pesquisadores registraram variação relevante entre os estudos. O trabalho também apontou a necessidade de pesquisas mais padronizadas.

A evidência científica ajuda a explicar a lógica da estratégia. Os estudos não permitem afirmar que os óculos elevam, sozinhos, a cobertura vacinal do Recife.

A Prefeitura apresenta o recurso como ferramenta para facilitar a adesão e reduzir barreiras durante a aplicação. Não foram divulgados indicadores locais sobre recusas, aplicações interrompidas, crises e atendimentos concluídos em períodos comparáveis.

Unidade recebe cerca de 50 crianças por mês

A média mensal divulgada pela gestão municipal ajuda a dimensionar a procura pela vacinação na Lessa de Andrade. Cerca de 50 crianças neurodivergentes chegam à unidade para conferir a caderneta e receber as doses indicadas.

O dado não representa, de forma comprovada, 50 atendimentos mensais com realidade virtual.

A secretária de Saúde do Recife, Luciana Albuquerque, afirma que a iniciativa busca ampliar a proteção das crianças em um ambiente mais acolhedor.

“É mais um equipamento que a saúde do Recife usa para ampliar as coberturas vacinais, agora com um recurso lúdico para crianças neurodivergentes, para melhor acolher e para que essa criança não deixe de ser vacinada. A gente aproveita para fazer um apelo aos pais e responsáveis para trazerem suas crianças. É uma sala de vacinação bastante tradicional aqui no Lessa de Andrade e também temos um Centro TEA, então é mais um recurso para ampliar as coberturas vacinais e para que nenhuma criança deixe de ser vacinada”, afirmou a gestora.

profissionais participam de atividade na Policlínica Lessa de Andrade
Atividade reúne profissionais na Policlínica Lessa de Andrade.

A escolha da policlínica está ligada ao movimento da vacinação e à presença do Centro TEA/NDI. O espaço de reabilitação integrado à Lessa de Andrade foi ampliado em janeiro de 2025.

A rede especializada do Recife também passa por expansão com a construção da UPAE de Casa Amarela, prevista para ampliar a oferta de consultas, exames e procedimentos na cidade.

A estrutura passou a contar com 11 consultórios, sala de integração sensorial, ginásios de fisioterapia e áreas para atividades em grupo.

O acesso aos óculos não depende de vínculo prévio com o Centro TEA. Esse ponto facilita a procura de famílias interessadas na atualização da caderneta.

Atendimento funciona sem agendamento

Vacinação com realidade virtual: a sala recebe demanda espontânea. A família não precisa marcar horário nem ter cadastro em um Centro TEA do Recife.

Na chegada, deve informar a condição da criança e apresentar documento com foto e caderneta de vacinação.

O espaço disponibiliza os imunizantes previstos no calendário vacinal. A recepção e a sala receberam ilustrações voltadas ao público infantil. Os profissionais passaram por treinamento para operar o equipamento e conduzir o atendimento.

A publicação oficial não informa horário exclusivo da experiência. Também não apresenta faixa etária máxima, número de aparelhos disponíveis nem protocolo específico de higienização.

O texto institucional não traz um valor individual para implantação do projeto. A animação em 3D foi produzida em parceria com a Empresa Municipal de Informática, a Emprel.

Para quem pretende levar uma criança, as orientações principais são objetivas. Não há agendamento. A caderneta deve acompanhar a família. A condição da criança precisa ser informada na unidade.

criança utiliza óculos imersivos em ambiente adaptado
Criança usa óculos imersivos em ambiente adaptado.

Família relata menos estresse durante a vacinação

A experiência tem peso especial para famílias que já enfrentaram episódios de grande estresse durante a imunização. Shyrlene Barros é mãe de Dyllan, de 4 anos, diagnosticado com TEA, TOD e TDAH.

Ela relatou dificuldades anteriores durante a vacinação.

“É super maravilhoso porque, antes, era o maior aperreio com a criança, a gente tinha que segurar, prender ela a acabava machucando. Dyllan já teve uma crise e convulsionou no meio da vacinação. Hoje em dia ele sozinho vai sentar, vai assistir e nem vai sentir que está tomando a vacina, sendo protegido. Agora sim vai ser um momento de diversão para eles e com muito menos estresse”, disse.

O relato descreve uma experiência vivida pela família. Ele não estabelece a causa entre a vacina e a convulsão mencionada. Essa distinção separa a vivência pessoal de uma conclusão médica.

Recife já testou realidade virtual em vacinação

O uso de óculos imersivos em vacinação não é inédito na cidade. Em outubro de 2025, a Secretaria de Saúde levou a tecnologia ao Rec’n’Play, no Bairro do Recife.

Crianças, adolescentes e jovens receberam vacinas assistindo a um vídeo imersivo durante a aplicação.

A experiência de 2025 ocorreu dentro da programação temporária do evento. A estrutura atual da Lessa de Andrade está instalada em uma unidade de saúde.

A Prefeitura apresenta o espaço como pioneiro em Pernambuco no atendimento com esse formato.

Não foi localizada comprovação independente suficiente para tratar a iniciativa como a primeira do Estado em qualquer modalidade de vacinação com realidade virtual.

A diferença mais clara está na forma de atendimento. A ação do Rec’n’Play teve duração limitada e público ligado à programação do festival.

Na Madalena, a tecnologia integra a rotina de uma policlínica. A unidade recebe crianças neurodivergentes para vacinação e mantém um Centro TEA/NDI.

Estudos sobre procedimentos com agulhas indicam que a realidade virtual pode ajudar a reduzir medo, ansiedade e dor em crianças. O recurso funciona como apoio de distração.

Ele não substitui avaliação clínica, indicação das vacinas e acompanhamento da equipe de saúde.

Para muitas famílias, a diferença pode estar em algo simples: chegar para uma vacina sem transformar o momento em uma experiência de medo e tensão. Um ambiente preparado, profissionais capacitados e recursos de distração podem tornar a passagem pela sala de imunização mais tranquila para a criança e para quem a acompanha.

A consolidação do projeto dependerá de resultados que ainda precisam ser medidos pela rede municipal. Número de atendimentos, conclusão das aplicações e adesão das famílias poderão mostrar o alcance da iniciativa ao longo do tempo. Até lá, a experiência da Lessa de Andrade já coloca em evidência um princípio essencial da saúde pública: o cuidado também passa pela forma como cada pessoa é recebida.

Crédito para todas as imagens: Hélia Scheppa/Prefeitura do Recife.

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