Categoria: Tecnologia

 

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  • Como identificar deepfake: 10 sinais para checar fotos, vídeos e áudios

    Como identificar deepfake: 10 sinais para checar fotos, vídeos e áudios

    Colaboração editorial: Nahara Rodrigues

    Como identificar deepfake virou uma dúvida cada vez mais comum diante de vídeos, fotos e áudios com aparência convincente. A inteligência artificial já consegue reproduzir rostos, vozes, movimentos e cenários com alto grau de realismo. Essa evolução reduziu a eficácia de pistas antigas, como dedos deformados, pele artificial e piscadas incomuns.

    A Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) publicou, em julho de 2026, um Radar Tecnológico dedicado ao tema. O estudo trata deepfakes como áudios, fotografias e vídeos modificados, gerados artificialmente com IA generativa e capazes de alcançar forte semelhança com registros reais. A publicação aponta riscos ligados a fraudes, clonagem de identidade, violência digital e manipulação de informação.

    Identificar uma falsificação exige mais que observar o rosto. O caminho mais seguro combina fonte, origem, contexto, pesquisa reversa, ferramentas de procedência e confirmação independente. Sinais visuais servem como alerta. Eles não funcionam como prova isolada.

    Como identificar deepfake: 10 sinais e verificações

    1. Descubra quem publicou o material

    Comece pela fonte. Verifique qual perfil, site, canal, grupo ou conta publicou o arquivo. Procure o primeiro registro acessível e veja se a publicação veio de página oficial, veículo reconhecido, instituição pública ou pessoa identificável.

    Um vídeo encaminhado no WhatsApp perde parte do contexto original. Ele pode ter sido baixado, recortado, legendado, dublado, acelerado, editado e republicado diversas vezes. A ausência da postagem inicial dificulta a análise.

    Pesquise trechos da legenda, nomes citados e frases marcantes. Um material atribuído a empresa, autoridade ou alguma personalidade deve ter um registro verificável quando trata de fato relevante. A inexistência desse rastro merece atenção.

    2. Procure a origem antes de analisar defeitos

    A origem costuma oferecer pistas mais fortes que um detalhe estranho no rosto. Verifique onde a imagem apareceu, em qual data e dentro de qual contexto.

    Uma fotografia verdadeira pode ser usada para sustentar informação falsa. Um vídeo autêntico pode ganhar legenda enganosa. Esse tipo de manipulação dispensa geração artificial. O efeito permanece semelhante para quem recebe a mensagem sem contexto.

    Busque versões mais antigas, gravações completas e publicações relacionadas. Compare enquadramento, duração, áudio e texto. Uma peça recortada pode esconder segundos decisivos para entender o que aconteceu.

    3. Cheque data, local e narrativa

    Pergunte se a história apresentada faz sentido. Verifique data, lugar, pessoas envolvidas e circunstâncias. Procure registros independentes sobre o fato.

    Conteúdos fabricados costumam explorar urgência, medo, indignação e surpresa. Uma declaração extraordinária atribuída a pessoa conhecida merece verificação antes do compartilhamento.

    Observe elementos do cenário, placas, clima, roupas, horário aparente e características do ambiente. Esses detalhes podem entrar em conflito com a narrativa publicada. A checagem contextual continua útil mesmo quando a geração artificial apresenta qualidade visual elevada.

    4. Faça pesquisa reversa com Google Lens

    O Google Lens ajuda a encontrar imagens visualmente semelhantes e páginas que exibem versões relacionadas. A ferramenta não funciona como detector de deepfake. Seu valor está na investigação da procedência.

    Use um frame do vídeo, uma captura da foto recebida, a própria imagem. Pesquise pelo Lens e compare os resultados. Uma fotografia apresentada como recente pode ter circulado anos antes. Um rosto atribuído a determinado evento pode pertencer a outro contexto.

    Nos vídeos, escolha frames nítidos com pessoas, prédios, logotipos, placas e elementos reconhecíveis. Testar mais de um quadro aumenta a chance de localizar o registro original.

    5. Consulte o recurso “Sobre esta imagem”

    Como identificar deepfake: recurso Sobre esta imagem do Google mostra origem, crédito e direitos autorais
    Google pode fornecer pistas sobre a procedência de uma imagem – Imagem: Captura de tela/Portal Nova Pauta

    O Google oferece a ferramenta “Sobre esta imagem” em regiões compatíveis. Ela pode mostrar quando versões semelhantes foram encontradas, páginas que usam a mesma fotografia e registros mais antigos.

    O recurso pode apresentar informações ligadas à criação, edição, autoria, crédito e licenciamento. Nem todo arquivo traz esses dados. Metadados ausentes não provam autenticidade.

    A ferramenta ajuda a reconstruir o caminho de uma imagem na internet. Ela ganha força quando o leitor cruza os dados com a fonte original, resultados de busca e registros independentes.

    A documentação do Google alerta que metadados podem sofrer modificações. Eles precisam ser tratados como parte da análise, sem assumir caráter de prova definitiva.

    6. Observe boca, olhos e movimentos sem tratar falhas como prova

    Erros de sincronização entre boca e fala ainda podem aparecer em vídeos manipulados. Movimentos faciais rígidos, contornos instáveis, dentes estranhos, cabelo irregular e objetos que mudam entre quadros despertam suspeita.

    Essas pistas perderam parte da força. Sistemas recentes conseguem gerar rostos mais consistentes e movimentos mais naturais. Um vídeo sem falhas visíveis pode ter sido criado com inteligência artificial.

    Compressão, baixa resolução, conexão ruim e edição convencional geram artefatos. A presença de um defeito não confirma deepfake. O sinal precisa entrar em análise mais ampla.

    7. Como identificar deepfake: examine iluminação, sombras e reflexos

    Compare a luz do rosto com o restante do ambiente. Veja se sombras seguem a mesma direção. Analise reflexos em óculos, janelas, espelhos e superfícies brilhantes.

    Mudanças abruptas de textura, brilho incompatível e contornos que tremem podem indicar manipulação. Fundos artificiais apresentam objetos deformados, letras inconsistentes e elementos que desaparecem.

    Esse exame precisa considerar a qualidade do arquivo. Vídeos compactados por aplicativos podem perder detalhes e criar distorções. O diagnóstico visual deve servir como alerta para novas verificações.

    8. Analise a voz e confirme pedidos sensíveis

    mulheres diante de microfones ilustram análise sobre clonagem de voz por inteligência artificial
    Clonagem de voz amplia os riscos de golpes com áudio sintético – Imagem: Cottonbro Studio/Pexels

    Clonagem de voz ganhou importância em golpes digitais. Ferramentas de IA conseguem reproduzir timbre, ritmo e entonação com poucos exemplos disponíveis na internet.

    Desconfie de pedidos urgentes de dinheiro, códigos, senhas, documentos e dados pessoais. Pausas estranhas, emoção incompatível, pronúncia incomum e mudanças de qualidade sonora podem levantar suspeita.

    A medida mais segura não depende da capacidade de reconhecer uma voz artificial. Ligue para número já conhecido, faça chamada de vídeo, procure a pessoa presencialmente e confirme o pedido por canal confiável.

    O Banco Central recomenda contato direto diante de pedidos de dinheiro suspeitos. A instituição alerta para vídeos e áudios produzidos com IA que simulam imagem e voz de pessoas.

    9. Verifique marcas de procedência digital

    Como identificar deepfake: algumas plataformas começaram a adotar mecanismos capazes de registrar informações sobre a origem de arquivos. Content Credentials é um padrão ligado à Coalition for Content Provenance and Authenticity, a C2PA.

    As credenciais podem indicar como um arquivo foi criado, quais ferramentas participaram do processo e quais edições ficaram registradas. O verificador público do projeto permite inspecionar arquivos compatíveis.

    A ausência de credenciais não torna uma imagem verdadeira. Nem toda câmera, plataforma, editor e gerador incorpora esse padrão. Alterações feitas no caminho da publicação podem afetar dados disponíveis.

    10. Procure confirmação independente antes de compartilhar

    A última etapa reúne todo o processo. Procure fontes confiáveis que confirmem a informação apresentada no vídeo, na foto e no áudio.

    Verifique perfis oficiais, páginas institucionais, veículos jornalísticos, documentos públicos e registros completos. Uma publicação viral sem confirmação precisa ser tratada como material não verificado.

    Quando não houver evidência suficiente, interrompa o compartilhamento. A velocidade de uma postagem não compensa o risco de espalhar fraude, difamação, golpe financeiro e informação enganosa.

    O que é deepfake e como funciona

    Deepfake descreve material sintético capaz de reproduzir aparência, voz, gestos e características associadas a pessoas reais. A tecnologia usa modelos de inteligência artificial treinados para aprender padrões presentes em imagens, vídeos e gravações.

    A manipulação pode trocar um rosto, alterar movimentos da boca, sintetizar uma voz, criar uma pessoa inexistente e reconstruir partes inteiras de uma cena. O resultado varia conforme a ferramenta, a qualidade dos dados usados e o nível de edição.

    Como identificar deepfake: Radar Tecnológico da ANPD analisa riscos e impactos de conteúdos sintéticos
    ANPD publicou estudo específico sobre deepfakes em 2026 – Imagem: Reprodução/ANPD

    Nem toda imagem criada por IA representa fraude. Ilustrações, peças publicitárias, produções artísticas e recursos de acessibilidade podem usar geração artificial de forma legítima. O risco cresce quando alguém emprega realismo sintético para enganar, personificar terceiros, manipular fatos e obter vantagem.

    O Radar da ANPD chama atenção para fraudes baseadas em clonagem de voz, imagem e identidade. O documento aponta impactos na violência digital e na circulação de informação enganosa.

    Detector de deepfake funciona?

    Como identificar deepfake: detectores ajudam sem oferecer veredito infalível. O NIST mantém em 2026 um programa voltado à avaliação de sistemas forenses para deepfakes.

    A instituição informa queda de desempenho entre 45% e 50% quando ferramentas passam de avaliações acadêmicas para situações operacionais.

    Esse dado explica a necessidade de manter a checagem após um resultado automático. Um detector pode classificar material verdadeiro como sintético. Pode deixar passar uma falsificação criada por técnica recente.

    Use essas plataformas como apoio. Combine o resultado com origem, contexto, pesquisa reversa e evidências independentes. Ferramentas especializadas ganham valor quando integram processo maior de verificação.

    SynthID permite verificar arquivos ligados à IA do Google

    O Google DeepMind desenvolveu o SynthID para inserir marcas digitais imperceptíveis em conteúdos gerados por ferramentas de inteligência artificial da empresa.

    A tecnologia contempla imagens, vídeos, áudios e determinados textos. A marca busca resistir a modificações comuns, como corte, filtros e compressão, dentro das condições descritas pelo Google.

    O Gemini permite analisar imagem, vídeo e gravação em busca dessa marca. O usuário anexa o arquivo e pergunta se ele foi criado, alterado por IA do Google. A ferramenta informa quando encontra a assinatura SynthID.

    O Gemini também ganhou espaço em outros produtos do Google, como o Android 17, tema já abordado pelo Portal Nova Pauta.

    Veja como funciona a integração do Gemini ao Android 17

    Gemini identifica marca d’água SynthID em imagem gerada por inteligência artificial do Google
    Gemini identificou SynthID no teste feito pelo Portal Nova Pauta

    O Portal Nova Pauta realizou um teste durante a preparação desta reportagem. Uma imagem criada por inteligência artificial do Google foi enviada ao Gemini. A resposta informou que a marca SynthID estava presente e indicava geração, edição por ferramentas de IA da empresa.

    Esse teste comprova a identificação naquele arquivo específico. A falta da marca não prova que uma imagem seja real. Ela pode ter sido gerada em outro serviço, processada por ferramenta sem SynthID e submetida a transformações posteriores.

    Deepfakes de voz ganham atenção nas Eleições 2026

    Como identificar deepfake: o Tribunal Superior Eleitoral firmou, em agosto de 2026, acordo com a ElevenLabs para enfrentar deepfakes de voz nas Eleições Gerais.

    A parceria prevê proteção de vozes cadastradas, restrições contra clonagem não autorizada e apoio ao rastreamento de áudios suspeitos gerados nos sistemas da empresa. A iniciativa integra ações da Justiça Eleitoral contra desinformação.

    O Portal Nova Pauta também detalhou as regras para uso de inteligência artificial e conteúdos sintéticos na propaganda eleitoral de 2026

    O tema reforça a necessidade de cautela com gravações atribuídas a candidatos, autoridades e instituições. Um áudio convincente não deve ser aceito como autêntico apenas pela semelhança vocal.

    Recebeu conteúdo suspeito no WhatsApp? Faça estas checagens

    Mensagens encaminhadas criam ambiente favorável para golpes ao retirar parte da origem e acelerar a circulação. A Anatel mantém campanha de orientação sobre fraudes com vídeos, áudios e imagens manipuladas.

    Antes de encaminhar, siga este roteiro:

    • não faça pagamentos com base apenas em áudio, vídeo e mensagem recebida;
    • confirme pedidos de dinheiro em canal já conhecido;
    • pesquise nomes, frases e fatos citados;
    • faça busca reversa quando houver imagem;
    • procure a postagem original;
    • preserve prints, links e arquivos em caso de fraude;
    • avise a pessoa imitada quando identificar possível clonagem;
    • procure a instituição financeira rapidamente quando existir transferência indevida.

     

    Uma mensagem que exige ação imediata merece atenção redobrada. Golpistas exploram pressão emocional para reduzir o tempo de conferência.

    Como identificar deepfake: Método FONTE ajuda a organizar a verificação

    O Portal Nova Pauta reuniu as principais etapas desta apuração em um roteiro simples, chamado Método FONTE.

    F — Fonte: quem publicou o material?

    O — Origem: onde ele apareceu primeiro?

    N — Narrativa: data, local e história fazem sentido?

    T — Tecnologia: Lens, “Sobre esta imagem”, SynthID e ferramentas de procedência apresentam pistas?

    E — Evidências: fontes independentes confirmam a afirmação?

    O método não substitui perícia técnica. Ele organiza decisões básicas antes do compartilhamento e reduz a dependência de sinais visuais que podem envelhecer com o avanço dos geradores.

    infográfico Método FONTE apresenta cinco etapas para verificar conteúdo suspeito
    Método FONTE organiza cinco etapas de verificação.

    Como identificar deepfake: Perguntas frequentes 

    Como identificar um deepfake?

    Comece pela fonte, encontre a origem e confirme o contexto. Faça pesquisa reversa, examine inconsistências e busque registros independentes. Ferramentas técnicas ajudam na análise. Nenhum sinal isolado confirma uma falsificação.

    Como saber se um vídeo foi feito por inteligência artificial?

    Procure a publicação original, compare frames, teste pesquisa reversa e verifique procedência digital quando disponível. Observe sincronização labial, iluminação e objetos. Confirme a narrativa em fontes confiáveis antes de concluir.

    Como identificar voz clonada por IA?

    Voz sintética pode apresentar pausas, emoção estranha e pronúncia incomum. Modelos avançados conseguem reproduzir fala com alto realismo. Diante de pedido sensível, confirme a identidade por chamada, contato conhecido e encontro presencial.

    Existe detector de deepfake confiável?

    Existem ferramentas especializadas. Nenhuma deve funcionar como prova única. O desempenho muda conforme técnica, qualidade do arquivo e manipulações aplicadas. Use detectores dentro de uma checagem com contexto e procedência.

    Como saber se uma imagem foi criada por IA?

    Faça pesquisa reversa, consulte “Sobre esta imagem”, procure Content Credentials e avalie marcas compatíveis com a plataforma geradora. Examine detalhes visuais sem tratar defeitos como confirmação.

    O Google consegue identificar imagens criadas por IA?

    O Gemini consegue procurar SynthID em arquivos ligados às ferramentas de IA do Google. Um resultado positivo indica a presença da marca. Um resultado negativo não garante que a imagem tenha origem humana.

    Verificar antes de compartilhar protege você e outras pessoas

    A qualidade dos deepfakes tende a reduzir a distância visual entre material real e sintético. Esse cenário torna a verificação de origem cada vez mais importante.

    Não existe um detalhe mágico capaz de resolver toda dúvida. Fonte, contexto, procedência e confirmação independente formam defesa mais sólida. Quando a autenticidade permanecer incerta, a decisão mais segura é não ampliar a circulação.

    Em um ambiente onde conteúdos sintéticos circulam com facilidade, verificar antes de compartilhar também é uma forma de responsabilidade.


  • Golpe do Pix errado usa falsa devolução; saiba como se proteger

    Golpe do Pix errado usa falsa devolução; saiba como se proteger

    Colaboração editorial: Nahara Rodrigues

    O golpe do Pix começa com um cenário aparentemente comum: um valor inesperado entra na conta e, pouco depois, alguém alega ter feito a transferência por engano. A pessoa pede o dinheiro de volta e, em alguns casos, indica outra chave Pix para receber a quantia.

    Ouça o resumo completo da matéria

    O Banco Central (BC) recomenda conferir primeiro o extrato bancário. Com o crédito confirmado, o usuário deve acessar a transferência original e utilizar a ferramenta específica para restituir o valor.

    A reportagem do Portal Nova Pauta verificou esse procedimento nos aplicativos da Caixa Econômica Federal e do Nubank. As duas instituições oferecem recursos vinculados diretamente ao Pix recebido, com nomes diferentes para a função.

    Esse cuidado evita uma nova transferência independente para a chave apresentada por quem fez o contato.

    Como funciona o golpe do Pix errado?

    O criminoso transfere um valor real para a conta da vítima e entra em contato pouco tempo depois. Ele afirma que cometeu um erro e pede o dinheiro de volta.

    O pedido ganha aparência de legitimidade quando o valor consta no extrato.

    O principal alerta surge se o suposto pagador solicitar um novo Pix para outra conta.

    O Banco Central orienta os usuários a recusarem pedidos de restituição destinados a uma conta diferente. O órgão alerta que criminosos exploram essa prática para tentar recuperar também o Pix original por meio do Mecanismo Especial de Devolução (MED).

    O recebimento indevido não autoriza o usuário a ficar com o dinheiro. A atenção deve estar na forma utilizada para restituir a quantia.

    Recebeu um Pix inesperado? Confira o extrato

    Mensagens, ligações ou comprovantes enviados por terceiros, não confirmam que o dinheiro entrou na conta.

    O Banco Central recomenda abrir o aplicativo bancário e consultar diretamente o extrato. Criminosos também apresentam comprovantes falsos para induzir vítimas a transferirem recursos próprios.

    Sem o crédito registrado na conta, nenhuma transferência deve ser feita com base apenas em uma imagem recebida pelo celular.

    Com o Pix confirmado no extrato, o titular deve abrir os detalhes da operação e localizar a ferramenta destinada à restituição do dinheiro.

    O que fazer ao receber um Pix inesperado

    1. Abra o aplicativo oficial da instituição financeira.
    2. Confira o recebimento no extrato.
    3. Abra os detalhes do Pix recebido.
    4. Procure a opção de reembolso ou restituição.
    5. Retorne o dinheiro pela própria transação.
    6. Não faça outro Pix para uma chave enviada por mensagem.
    7. Procure o banco pelos canais oficiais em caso de dúvida.

    A ferramenta vinculada ao Pix original mantém a restituição associada à operação recebida.

    Portal Nova Pauta testa procedimento na Caixa e no Nubank

    Golpe do Pix: logotipos do Nubank e da Caixa, bancos testados pela reportagem
    Golpe do Pix: Nubank e Caixa foram testados pela reportagem – Imagem: Montagem/Portal Nova Pauta

    O Portal Nova Pauta realizou uma verificação prática em dois aplicativos bancários.

    Na Caixa Econômica Federal, a tela de detalhes de um Pix recebido apresenta o botão “Devolver Pix”. O cliente acessa o recurso dentro da própria movimentação registrada no extrato.

    No Nubank, o aplicativo apresenta a opção “Fazer um reembolso” nos detalhes da transferência.

    As interfaces adotam nomenclaturas diferentes, mas seguem o mesmo princípio. O cliente localiza a operação original e inicia a restituição por uma ferramenta vinculada ao recebimento.

    O teste demonstra que o cliente não precisa criar uma nova transferência para devolver corretamente um Pix recebido.

    Função “Devolver Pix” tem prazo de até 90 dias

    O Regulamento do Pix estabelece prazo de até 90 dias, contados da data da transação original, para o recebedor iniciar a devolução voluntária. O valor pode ser restituído integralmente ou de forma parcial, limitado ao total recebido.

    O cliente tem a opção de devolver o valor integral ou apenas uma parte, respeitando o total recebido naquela operação.

    Essa regra trata da restituição voluntária iniciada pelo recebedor. Ela não representa uma contestação por fraude.

    Os aplicativos costumam disponibilizar a ferramenta nos detalhes da transferência. A nomenclatura varia entre as instituições, como mostrou o teste realizado pelo Portal Nova Pauta.

    Os 90 dias correspondem ao prazo para devolução voluntária iniciada pelo recebedor. Os 80 dias representam o limite para contestar o Pix original em casos enquadrados nas regras do MED.

    MED permite contestar Pix ligado a fraude em até 80 dias

    Quem realizou uma transferência e identificou fraude, golpe ou crime, deve comunicar o caso à instituição financeira.

    A vítima tem até 80 dias, contados da data do Pix original, para solicitar a contestação dentro das regras do MED. O Banco Central recomenda comunicar a instituição financeira o mais rápido possível.

    O tempo tem peso importante nesse processo. Criminosos costumam movimentar o dinheiro rapidamente entre diferentes contas.

    O MED não garante recuperação integral. O resultado depende da análise da fraude e dos recursos localizados nas contas relacionadas ao caminho do dinheiro.

    O mecanismo também não atende qualquer problema envolvendo Pix.

    O envio para uma chave errada, por si só, não caracteriza fraude. Desacordos comerciais comuns seguem outras formas de solução na ausência de indícios de golpe.

    Golpes com investimentos: saiba como evitar

    Golpe do Pix: como funciona o MED 2.0?

    Desde 11 de maio de 2026, o MED 2.0 passou a ser obrigatório para as instituições participantes do Pix. O Banco Central ampliou o alcance do mecanismo para combater a rápida dispersão de recursos entre contas.

    O chamado MED 2.0 utiliza o Diretório de Identificadores de Contas Transacionais (DICT) para identificar movimentações associadas ao Pix contestado.

    O sistema analisa trajetos que ultrapassam a primeira conta recebedora. Ele organiza transferências relacionadas e identifica contas que integram caminhos suspeitos percorridos pelo dinheiro.

    O fluxo atual reúne seis grandes etapas:

    • instauração;
    • rastreamento;
    • priorização;
    • bloqueio;
    • análise;
    • restituição dos valores.

    As instituições recebem notificações e analisam a participação das contas identificadas.

    O mecanismo consegue alcançar recursos encontrados em diferentes pontos do trajeto das transferências. Isso não transforma todo dinheiro existente nessas contas em patrimônio da vítima.

    MED 2.0 não garante ressarcimento

    A ampliação do rastreamento aumenta a capacidade de localizar recursos, sem assegurar o retorno integral da quantia. A recuperação pode ser total ou parcial. O resultado depende da confirmação da fraude, da conexão entre as transações identificadas e do saldo disponível para bloqueio.

    A falta de recursos em uma conta limita a recuperação. A instituição também rejeita uma notificação se sua análise não confirmar participação na fraude.

    Esse cenário reforça a importância da prevenção. Evitar uma transferência indevida oferece mais segurança do que depender de uma tentativa posterior de recuperar o dinheiro.

    Já caiu em um golpe? Procure seu banco imediatamente

    Golpe do Pix: mulher preocupada enquanto usa notebook
    Golpe do Pix exige atenção a transferências inesperadas e pedidos para enviar o dinheiro a outra conta – Imagem: Anna Tarazevich/Pexels

    A vítima deve comunicar a instituição financeira ao identificar indícios de fraude.

    O contato precisa ocorrer pelos canais oficiais do banco, como aplicativo, telefone indicado pela instituição ou atendimento em agência.

    Também é importante preservar mensagens, números telefônicos, chaves Pix, comprovantes, extratos e protocolos. Esses registros ajudam na análise bancária e em eventual investigação.

    O Banco Central recomenda registrar boletim de ocorrência.

    Se o banco não solucionar o problema, o consumidor tem à disposição outros canais de reclamação, além do Procon e do Poder Judiciário, conforme as características do caso.

    Nenhum funcionário de instituição financeira precisa da senha pessoal ou do código de autenticação do cliente para restituir um Pix.

    Golpe do Pix: perguntas frequentes

    Recebi um Pix de uma pessoa desconhecida. Posso devolver?

    Sim. Confira primeiro se o dinheiro realmente entrou na conta. Localize a transferência recebida no aplicativo e utilize a ferramenta específica disponível na própria operação.

    A pessoa pediu o dinheiro em outra chave. O que faço?

    Não transfira para a chave indicada. O Banco Central alerta para golpes que envolvem pedidos de restituição destinados a contas diferentes daquela que originou o Pix.

    Posso fazer outro Pix para devolver?

    O procedimento mais seguro utiliza a ferramenta associada à transação original. Esse recurso mantém a restituição vinculada ao Pix recebido.

    Quanto tempo tenho para devolver?

    Quem recebeu o dinheiro tem até 90 dias da transação original para iniciar a restituição voluntária pela própria operação.

    O prazo é de 80 ou 90 dias?

    Os números tratam de procedimentos distintos. Os 90 dias correspondem à restituição voluntária feita pelo recebedor. Os 80 dias representam o limite para contestar o Pix original nos casos enquadrados nas regras do MED.

    O MED garante meu dinheiro de volta?

    Não. A recuperação depende da análise da fraude e dos valores que as instituições localizarem e bloquearem.

    Como esta reportagem foi produzida

    O Portal Nova Pauta analisou normas, manuais, guias técnicos e orientações oficiais do Banco Central sobre Pix e MED.

    A reportagem verificou diretamente as ferramentas disponíveis para restituir valores nos aplicativos da Caixa Econômica Federal e do Nubank e comparou o funcionamento observado com as orientações oficiais.

    A apuração confirmou os procedimentos previstos nas orientações oficiais para restituir valores e os principais cuidados contra golpes envolvendo o Pix.

  • Recife Resolve leva oito equipes para residência no Porto Digital

    Recife Resolve leva oito equipes para residência no Porto Digital

    Colaboração editorial: Nahara Rodrigues

    O Recife Resolve iniciou a segunda etapa com oito equipes em uma residência tecnológica no CESAR, no Porto Digital. Durante duas semanas, universitários vão aprimorar soluções para desafios identificados em comunidades da capital pernambucana.

    Ouvir resumo sobre o Recife Resolve

    A nova fase começou na segunda-feira (27/07). A Prefeitura coordena o programa por meio das secretarias de Transformação Digital, Ciência e Tecnologia e de Cidadania e Cultura de Paz. O CESAR conduz as atividades com apoio do UK-Brazil Tech Hub, programa do Governo Britânico.

    Como funciona a residência tecnológica

    Os Compaz Governador Eduardo Campos, Paulo Freire e Dom Hélder Câmara sediaram as Maratonas de Inovação Territorial durante a primeira fase.

    Cerca de 150 estudantes universitários participaram dos encontros. Organizados em 30 equipes, os jovens identificaram problemas prioritários e elaboraram propostas voltadas às necessidades de seus territórios.

    O programa selecionou oito grupos para a residência tecnológica. Os participantes terão mentorias especializadas, atividades de pesquisa, metodologias ágeis e práticas destinadas ao amadurecimento dos projetos.

    Após a residência, as equipes retornarão às comunidades. Os estudantes testarão e validarão as propostas com moradores e representantes locais. A etapa permitirá avaliar a viabilidade e o potencial de impacto de cada solução.

    Recife Resolve: edital destinou 35 mil libras ao programa

    O UK-Brazil Tech Hub selecionou a proposta do município em um edital internacional. O parceiro destinou 35 mil libras esterlinas à iniciativa. A gestão municipal estima o investimento em cerca de R$ 250 mil.

    O projeto busca estimular o empreendedorismo social, ampliar a participação dos jovens e apoiar a criação de soluções para problemas comunitários.

    “O Recife Resolve materializa nossa visão de que a tecnologia e a inovação só fazem sentido quando transformam a vida das pessoas. Estamos criando oportunidades para que jovens das comunidades sejam protagonistas na construção de soluções para desafios vividos em seus próprios territórios, conectando talento, conhecimento e impacto social. É uma política pública que fortalece a inclusão, a cidadania e o desenvolvimento da cidade”, afirmou o secretário de Transformação Digital, Ciência e Tecnologia, Rafael Cunha.

    Parceria internacional apoia a residência

    O CESAR responde pela metodologia das atividades e pela residência tecnológica. O parceiro britânico oferece financiamento, curadoria e intercâmbio de práticas internacionais.

    “O Recife Resolve é mais um resultado da longa e sólida parceria entre o Governo Britânico e a cidade do Recife, refletindo nosso compromisso com a promoção da inovação inclusiva e sustentável no Brasil. O UK-Brazil Tech Hub tem orgulho de apoiar soluções que nascem nos territórios e têm potencial de inspirar outras cidades”, afirmou Gabriel Izaguirre, diretor do UK-Brazil Tech Hub.

    A iniciativa também utiliza a estrutura dos Compaz. Os equipamentos ajudam a aproximar estudantes, moradores, universidades, poder público e profissionais do setor de tecnologia.

    JÁ VIU? ChatGPT Work organiza tarefas sozinho; veja como funciona

    Soluções podem chegar a outros municípios

    O prefeito Victor Marques afirmou que os projetos desenvolvidos na capital podem servir como referência para outras cidades pernambucanas.

    “Hoje, o Recife é referência em transformação digital. A gente está muito na frente da maior parte das outras cidades brasileiras. A tecnologia, talvez, seja a melhor forma possível de reduzir a desigualdade institucional que existe entre governos dentro do próprio Brasil. A capital pernambucana é uma cidade grande, mas uma solução desenhada aqui, inclusive pelo Recife Resolve, pode ser replicada em outros municípios pernambucanos, por exemplo”, destacou o prefeito.

    A publicação oficial não apresenta indicadores que permitam comparar o desempenho tecnológico da cidade com o de outros municípios brasileiros. A avaliação sobre essa posição de destaque aparece como uma declaração do gestor municipal.

    Recife Resolve: projeto propõe horta e plataforma digital

    Sammuel Victor, de 19 anos, Lucas Pires, de 25, e Willams Gomes, de 22, integram uma das equipes selecionadas.

    O grupo pretende criar uma horta integrada a uma plataforma digital no Alto de Santa Terezinha, na Zona Norte. A proposta busca ampliar o acesso de crianças, adolescentes e famílias a informações sobre alimentação saudável.

    “A ideia é implementar uma forma de trazer o alimento saudável para dentro do âmbito familiar, levando conhecimento para jovens e pais, demonstrando que nem a falta de tempo e de recursos financeiros impedem uma alimentação saudável dentro de casa. Então, a gente espera que as famílias insiram alimentos mais saudáveis no dia a dia, demonstrando uma preocupação com a saúde, com a expectativa de uma melhora a reeducação alimentar dessas famílias”, explicaram Sammuel e Lucas.

    Sammuel e Lucas participam do Embarque Digital como bolsistas. Eles cursam Sistemas para Internet e Análise e Desenvolvimento de Sistemas, respectivamente.

    Prefeitura ainda não detalhou todos os projetos

    A Prefeitura ainda não divulgou a relação completa dos oito projetos selecionados. O material oficial também não apresenta os critérios de pontuação usados na escolha das equipes.

    A gestão municipal não explicou como aplicará os recursos. Também não informou quais indicadores medirão os resultados nem as datas dos testes em cada comunidade.

    A administração não esclareceu se financiará a implantação definitiva das soluções que apresentarem resultados positivos durante a fase experimental.

    Esses dados permitirão avaliar o alcance da iniciativa e as possibilidades de continuidade dos projetos após os testes.

    O Recife Resolve avançou para a segunda etapa em julho de 2026. Segundo a Prefeitura do Recife, cerca de 150 estudantes participaram das maratonas de inovação realizadas nos Compaz Governador Eduardo Campos, Paulo Freire e Dom Hélder Câmara. Ao fim dessa fase, oito equipes foram selecionadas para a Residência Tecnológica no CESAR, no Porto Digital.

    Durante a residência, os participantes receberam mentorias, trabalharam com metodologias de inovação e aperfeiçoaram as soluções desenvolvidas para os desafios identificados nos territórios. A etapa seguinte previa o retorno das equipes às comunidades para testar e validar os projetos.

    A residência tecnológica prepara as equipes para a etapa prática. O impacto dependerá da validação das propostas, da participação dos moradores e da transformação das ideias em ações aplicáveis às comunidades.

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    ChatGPT Work organiza tarefas sozinho; veja como funciona

    Colaboração editorial: Nahara Rodrigues

    O que muda com o ChatGPT Work

    ChatGPT Work amplia o uso da inteligência artificial em atividades profissionais que exigem planejamento, consulta a diferentes fontes e execução em várias etapas.

    Ouça o resumo da matéria e entenda os principais pontos em poucos minutos

    A ferramenta recebe um objetivo, acessa arquivos e aplicativos autorizados, organiza o processo e entrega materiais para conferência. O usuário acompanha o andamento, responde a perguntas e corrige o direcionamento quando necessário.

    A proposta reduz a necessidade de orientar o sistema a cada movimento. No uso convencional, a pessoa envia um comando, confere o resultado e solicita a etapa seguinte. No modo Work, ela descreve a entrega esperada, indica as fontes disponíveis e estabelece restrições. O agente analisa o contexto, cria um plano de trabalho e executa as atividades previstas.

    A OpenAI divide suas ferramentas pelo tipo de tarefa. O modo Chat atende perguntas rápidas, pesquisas, ideias e conversas. O Work concentra atividades que envolvem planejamento, análise de informações e produção de materiais. O Codex mantém o foco em programação, testes e desenvolvimento de software.

    Essa divisão ajuda o usuário a selecionar o recurso mais adequado. Uma dúvida pontual pode ser resolvida no Chat. Um relatório baseado em vários documentos se encaixa melhor no Work. Uma alteração em código exige ferramentas específicas do Codex.

    Como o agente organiza tarefas e projetos

    O Work pode reunir informações distribuídas entre e-mails, documentos, mensagens, agendas e serviços conectados. O usuário escolhe quais aplicativos o sistema poderá consultar. A ferramenta usa esse conteúdo para identificar prazos, pendências, decisões e responsáveis.

    Uma equipe pode solicitar a revisão de mensagens recentes. O recurso separa o que exige resposta, identifica comunicações com prazo e classifica conteúdos apenas informativos. O resultado pode aparecer em uma lista de ações organizada por prioridade.

    O sistema também consegue resumir o andamento de projetos. Ele consulta conversas e arquivos recentes, identifica decisões já tomadas, aponta riscos e apresenta os próximos passos. A síntese facilita o acompanhamento de atividades espalhadas por diferentes plataformas.

    O usuário pode solicitar um levantamento do que mudou durante um período de ausência. O Work reúne projetos, mensagens e compromissos que precisam de atenção. O material oferece um panorama para a retomada da rotina.

    ChatGPT Work transforma reuniões em planos de ação

    Equipe reunida em sala de trabalho para organizar tarefas, projetos e próximas etapas
    Profissionais participam de reunião para planejar projetos – Imagem: Pavel Danilyuk/Pexels

    O agente pode preparar reuniões com base em documentos, mensagens e decisões anteriores. Ele cria um briefing com objetivo, participantes, histórico, questões em aberto e perguntas relevantes.

    A equipe envia ao agente anotações, transcrições e arquivos da reunião. O Work organiza as decisões, identifica responsáveis, registra prazos e lista as próximas etapas. A ferramenta também pode comparar os resultados com a pauta original e apontar assuntos que permaneceram sem resposta.

    Esse fluxo reduz o risco de informações importantes se perderem entre reuniões, e-mails e documentos. A equipe passa a visualizar compromissos e pendências em um único material. O compartilhamento e a publicação exigem a revisão completa dos dados.

    Planejamento da rotina com inteligência artificial

    O ChatGPT Work pode analisar agenda, prazos e mensagens pendentes para montar um planejamento diário. O agente identifica tarefas rápidas, atividades que podem esperar e compromissos que exigem preparação.

    O usuário também pode pedir que a ferramenta encontre um período para trabalho concentrado. O sistema verifica os horários disponíveis e apresenta possíveis ajustes. A pessoa controla a aprovação de cada sugestão.

    O Work também permite manter atividades em andamento por meio de tarefas agendadas. Elas podem ser executadas uma única vez, repetidas em horários definidos, acionadas por eventos compatíveis ou configuradas para monitorar mudanças. O sistema pode pesquisar na web e consultar aplicativos conectados quando a tarefa tiver autorização para isso.

    Esse tipo de automação reduz o tempo gasto na busca por informações dispersas. O resultado depende da qualidade das fontes e da clareza das instruções. Falhas nos dados comprometem o planejamento.

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    Quais materiais o Work consegue produzir

    ChatGPT Work ilustrado por profissional analisando gráficos e dados em um notebook
    Profissional analisa dados e indicadores em um notebook – Imagem: RDNE Stock Project/Pexels

    O agente pode criar documentos, planilhas, apresentações, relatórios, Sites, resumos e planos de ação. O usuário fornece arquivos de referência, modelos e critérios para orientar a entrega.

    Uma equipe comercial pode solicitar um briefing sobre clientes. Um setor financeiro pode pedir a consolidação de dados em uma planilha. Uma agência pode transformar pesquisas em uma apresentação. Uma redação pode organizar releases, documentos e agendas para preparar uma cobertura.

    A ferramenta tende a produzir resultados mais úteis quando o pedido informa o objetivo, o público, o formato e as limitações. Instruções vagas aumentam a possibilidade de uma entrega genérica. Fontes confiáveis e bem organizadas favorecem a precisão.

    O Work não elimina a necessidade de conferência profissional. O agente pode cometer três falhas: interpretar dados de forma incorreta; ignorar informações relevantes; utilizar conteúdo desatualizado. A pessoa responsável deve verificar números, nomes, datas, fontes e conclusões.

    Disponibilidade depende da conta e do ambiente

    O ChatGPT Work está disponível no aplicativo para desktop em macOS e Windows, com acesso liberado para todos os planos compatíveis nessa experiência. Na web e em dispositivos móveis, o recurso atende planos pagos qualificados, entre eles Plus, Pro, Business, Enterprise e Edu.

    As conversas do Work armazenadas na nuvem podem ser continuadas entre web, celular e desktop. O acesso a aplicativos conectados e determinadas funções depende das permissões da conta, do plano e das configurações definidas pelo espaço de trabalho.

    Tarefas mais complexas podem consumir uma parcela maior da capacidade incluída no plano. Esses trabalhos exigem análise de fontes, uso de ferramentas, execução de etapas e produção de arquivos. Os limites podem variar conforme a assinatura e o ambiente utilizado.

    Cuidados com dados, permissões e revisão

    A conexão com aplicativos amplia a capacidade do agente, mas exige controle. O usuário deve liberar apenas as ferramentas necessárias para cada atividade.

    E-mails, agendas, documentos e sistemas internos podem conter informações pessoais, estratégicas ou sigilosas. Empresas e profissionais precisam respeitar regras internas, compromissos de confidencialidade e exigências da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais.

    Os responsáveis devem avaliar cada entrega antes de tomar decisões ou compartilhar o conteúdo. Essa conferência ganha maior importância em atividades financeiras, jurídicas, trabalhistas, médicas ou institucionais.

    A automação funciona melhor quando existe supervisão humana. O usuário precisa acompanhar as perguntas do agente, conferir alterações e interromper o processo ao identificar erros. A inteligência artificial pode acelerar tarefas, mas não transfere a responsabilidade profissional para o sistema.

    Aplicações para pequenas equipes em Pernambuco

    Pequenas empresas, escolas, escritórios, agências e redações de Pernambuco podem testar o Work em rotinas que hoje dependem de várias plataformas. Uma equipe de comunicação pode reunir documentos para criar um briefing. Um escritório pode organizar compromissos e pendências. Uma agência pode produzir relatórios de acompanhamento.

    A adoção precisa considerar a realidade de cada organização. Equipes menores podem começar por atividades conhecidas, com baixo risco e resultados fáceis de conferir. Esse teste ajuda a identificar possíveis ganhos, limitações e necessidades de ajuste.

    Uma redação digital pode usar o agente para organizar releases, pautas, fontes e agendas. O jornalista continua responsável pela apuração, pela checagem das informações e pela decisão de publicar. A inteligência artificial atua como ferramenta de apoio operacional.

    Como começar a usar o ChatGPT Work

    Para começar, o usuário deve abrir o Work na interface disponível em sua conta e autorizar apenas os aplicativos necessários para a atividade. Arquivos, ferramentas conectadas e contexto de projetos podem ser utilizados conforme as permissões concedidas.

    O teste inicial deve envolver uma tarefa conhecida. Quando a pessoa domina o processo, consegue avaliar o resultado e identificar falhas com maior rapidez. Um resumo semanal de projeto pode servir como primeira experiência.

    O comando precisa informar quais fontes o agente deve consultar. Também deve indicar o formato da entrega, os prazos, as restrições e os pontos que exigem aprovação.

    Um exemplo de instrução seria: “Revise as mensagens e os documentos deste projeto, identifique decisões, pendências, responsáveis, riscos e próximos passos e entregue um resumo em tópicos para conferência.”

    As reuniões oferecem outra aplicação prática. O usuário pode solicitar um briefing antes do encontro e um plano de ação após a conclusão. O agente organiza as informações, mas a equipe precisa validar responsáveis, prazos e compromissos.

    O ChatGPT Work representa uma mudança na forma de utilizar assistentes de inteligência artificial. A ferramenta executa fluxos mais longos, reúne informações dispersas e produz entregas completas. O recurso ganha utilidade quando o usuário define objetivos claros, controla as permissões e revisa todos os resultados.

  • Trabalho por aplicativo muda entrada dos jovens no mercado

    Trabalho por aplicativo muda entrada dos jovens no mercado

    Colaboração editorial: Nahara Rodrigues

    O trabalho por aplicativo deixou de ocupar apenas um espaço complementar na geração de renda no Brasil. Serviços de transporte, entrega, prestação de atividades e outras soluções digitais passaram a integrar o mercado e ampliaram as possibilidades para quem busca uma primeira fonte de rendimento.

    Entre os jovens, essa transformação ocorre ao lado dos caminhos tradicionais de entrada profissional. Comércio, indústria, serviços e programas de aprendizagem continuam relevantes. Ao mesmo tempo, o celular passou a concentrar atividades que podem ser iniciadas sem o processo convencional de contratação.

    Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram a dimensão desse movimento. No terceiro trimestre de 2024, cerca de 1,7 milhão de pessoas exerciam atividades remuneradas por meio de serviços digitais no emprego principal. O grupo correspondia a 1,9% da população ocupada no setor privado considerada pela pesquisa.

    Em 2022, eram aproximadamente 1,3 milhão. O contingente cresceu 25,4% entre 2022 e 2024, segundo a PNAD Contínua.

    A versão anterior desta reportagem já reunia informações do IBGE, Ministério do Trabalho e Emprego, Agência Brasil e Organização Internacional do Trabalho para analisar as mudanças na relação entre juventude, renda e ambiente digital.

    Celular amplia caminhos para geração de renda

    Durante décadas, o primeiro emprego esteve fortemente associado a lojas, fábricas, escritórios, supermercados e funções operacionais. Essas portas continuam abertas, mas passaram a conviver com novas formas de ocupação.

    Entregas, transporte de passageiros, vendas pela internet, edição de vídeo, produção de conteúdo, atendimento remoto e prestação de pequenos serviços estão entre as atividades que podem ser intermediadas por aplicativos.

    Nesse ambiente, o celular funciona como ferramenta de acesso a oportunidades, comunicação com clientes, recebimento de demandas e gestão da própria rotina profissional.

    A facilidade de entrada pode atrair quem busca flexibilidade e uma fonte rápida de renda. Essa característica não elimina os custos e riscos envolvidos.

    Para parte da juventude, fatores como remuneração, jornada, flexibilidade e possibilidade de crescimento influenciam a escolha entre emprego formal e novas alternativas de geração de renda.

    Comércio, indústria e serviços permanecem importantes para a entrada no mercado. O digital passou a representar mais uma possibilidade dentro desse cenário.

    Trabalho por aplicativo cresceu no Brasil

    A expansão registrada pelo IBGE mostra que a atividade mediada por aplicativos deixou de representar um fenômeno restrito.

    O levantamento acompanha serviços de transporte, entrega e outras ocupações intermediadas digitalmente. Na edição referente a 2024, o instituto analisou rendimento, jornada, contribuição previdenciária e grau de dependência dos profissionais em relação aos aplicativos.

    A investigação mostrou aumento de cerca de 335 mil pessoas nesse tipo de ocupação em comparação com 2022.

    Esse avanço não significa que o emprego formal esteja sendo substituído. Ele indica que novas formas de geração de renda passaram a dividir espaço com relações tradicionais de contratação.

    O IBGE ampliou posteriormente a investigação do tema. Na edição referente a 2025, o questionário passou a incorporar atividade secundária e comércio eletrônico, além dos serviços já pesquisados.

    A expansão estatística permite acompanhar com mais precisão como a economia digital participa da renda dos brasileiros.

    Flexibilidade vem acompanhada de riscos

    Trabalho por aplicativo: a autonomia associada às atividades intermediadas por aplicativos não garante estabilidade financeira.

    Custos com veículo, combustível, manutenção, internet e equipamentos podem ficar sob responsabilidade do próprio profissional. A renda varia conforme demanda, quantidade de serviços, localização e regras definidas pelas empresas responsáveis pela intermediação.

    A matéria original já destacava diferenças de jornada entre pessoas inseridas nesse modelo e demais ocupados, além da menor cobertura previdenciária encontrada pelo IBGE. Trabalho por aplicativo muda em…

    Mais de 60% das pessoas que atuavam por aplicativos de serviços no recorte analisado não possuíam cobertura de instituto oficial de previdência. Trabalho por aplicativo muda em…

    Esse dado amplia a discussão para além da renda mensal. A contribuição previdenciária está relacionada ao acesso a benefícios e à construção de proteção para etapas futuras da vida profissional.

    Para quem atua sem vínculo tradicional, acompanhar as contribuições previdenciárias ganha importância. O Portal Nova Pauta explica como consultar o CNIS e conferir vínculos e contribuições registrados no INSS.

    A Organização Internacional do Trabalho aponta que os serviços digitais abriram novas oportunidades de geração de renda para jovens e outros grupos. A entidade destaca ainda desafios relacionados à remuneração adequada, proteção social, saúde, segurança e direitos fundamentais.

    Trabalho por aplicativo: debate sobre direitos avançou em 2026

    O cenário internacional ganhou uma nova referência em junho de 2026.

    A Conferência Internacional do Trabalho adotou a Convenção nº 193 sobre Trabalho Decente na Economia de Plataformas, primeira norma internacional dedicada especificamente ao setor.

    O texto estabelece referências para temas como direitos trabalhistas, concorrência, condições de exercício profissional e proteção das pessoas inseridas nesse modelo econômico.

    A OIT considera que o desafio está em conciliar inovação tecnológica, geração de renda e proteção social. Em análise publicada após a aprovação da norma, a entidade citou os cerca de 1,7 milhão de brasileiros identificados pela PNAD Contínua de 2024 e o crescimento superior a 25% em dois anos.

    A discussão envolve ainda classificação da relação profissional, remuneração, jornada, decisões automatizadas, dados pessoais, segurança e transparência dos algoritmos.

    Esses pontos ganham relevância à medida que aplicativos passam a influenciar preços, distribuição de tarefas, avaliação de desempenho e acesso a novas oportunidades.

    Jovens encontram um mercado mais diversificado

    Os aplicativos não eliminaram as formas tradicionais de ingresso profissional. Eles ampliaram o número de caminhos disponíveis.

    Um jovem pode começar a vida profissional em uma empresa, programa de aprendizagem, serviço temporário, atividade autônoma ou ambiente digital. Diferentes formatos podem coexistir ao longo da mesma trajetória.

    Para quem inicia nesse universo, qualificação e planejamento ganham peso. Organização financeira, construção de portfólio e contribuição previdenciária ajudam a reduzir a dependência de atividades pontuais.

    A transformação amplia ainda o debate sobre como empresas atraem e mantêm profissionais mais jovens. Flexibilidade, perspectivas de desenvolvimento, remuneração e ambiente de atuação passaram a disputar atenção com a autonomia prometida pelos serviços digitais.

    O primeiro emprego não desapareceu. Ele passou a coexistir com diferentes formas de geração de renda.

    O balcão, a fábrica, o escritório e o comércio continuam presentes. Ao lado deles, aplicativos, serviços online e atividades realizadas pela internet passaram a fazer parte da trajetória profissional de milhões de brasileiros.

  • Alexa+ chega ao Brasil com IA e muda uso da assistente

    Alexa+ chega ao Brasil com IA e muda uso da assistente

    Colaboração editorial: Nahara Rodrigues

    Alexa+ no Brasil chegou em 18 de junho de 2026 com inteligência artificial generativa e uma proposta mais ampla que a versão tradicional da assistente. O serviço estreou em acesso antecipado, com uso gratuito durante essa fase.  A nova versão usa inteligência artificial generativa, entende conversas com mais naturalidade e pode executar tarefas mais complexas no dia a dia. O lançamento ocorreu em formato de acesso antecipado e será gratuito durante essa fase inicial.

    A mudança marca a maior atualização da Alexa desde a chegada da assistente ao país, em 2019. A proposta da Amazon é transformar a ferramenta em uma assistente pessoal mais completa, capaz de compreender contexto, lembrar preferências, responder com mais precisão e agir em diferentes serviços conectados.

    O avanço da IA generativa em assistentes virtuais amplia o debate sobre uso responsável da tecnologia. O Portal Nova Pauta já explicou como identificar deepfakes e reconhecer conteúdos manipulados por inteligência artificial

    O que muda com a Alexa+

    A principal diferença está na capacidade de conversa. A Alexa+ entende frases interrompidas, mudanças de ideia durante o pedido, sotaques e expressões regionais. O usuário também não precisa repetir a palavra “Alexa” a cada comando dentro de uma mesma interação.

    Na prática, a assistente passa a manter o contexto da conversa por mais tempo. Uma pessoa pode pedir uma receita, perguntar sobre ingredientes, montar uma lista de compras e continuar a conversa em outro dispositivo compatível.

    A Amazon informa que a arquitetura da Alexa+ pode acionar diferentes modelos de inteligência artificial conforme a tarefa realizada, permitindo respostas mais naturais e ações específicas. Cada tarefa pode acionar um modelo diferente, conforme a complexidade do pedido. Essa estrutura permite respostas mais naturais e ações mais específicas, sem depender de um único sistema de inteligência artificial.

    Alexa+ no Brasil: assistente deixa de apenas responder

    A Alexa+ não funciona apenas como um chatbot de voz. A nova versão pode executar tarefas, controlar aparelhos, sugerir produtos, acompanhar entregas, avisar sobre promoções e ajudar na organização de compromissos.

    Entre os exemplos citados, a assistente pode ligar o ar-condicionado quando o usuário disser que está com calor, apagar luzes na hora de dormir, escolher músicas pelo humor do momento e redigir um convite para envio por e-mail.

    A ferramenta também aceita documentos, manuais, calendários escolares, imagens de receitas escritas à mão e materiais de estudo enviados pelo aplicativo Alexa ou por e-mail. Depois, o usuário pode perguntar informações específicas sobre esses arquivos.

    Veja o vídeo:

    Serviços compatíveis no Brasil

    A Alexa+ chega com integração a serviços usados no país, como Amazon Music, Spotify, Deezer, Apple Music, Audible, Prime Video e Netflix. A assistente também funciona com marcas de casa inteligente presentes no mercado brasileiro, entre elas Positivo, Intelbras, Elgin e i2Go. A Alexa+ chegou ao Brasil com integração a serviços de música, entretenimento e casa conectada já utilizados no país.

    Para notícias e informação, a integração inclui veículos como Folha de S.Paulo, UOL, G1, Estadão e CBN, além de emissoras locais de rádio. A Amazon também prevê novas integrações com serviços como Uber, Gol, ClickBus, Porto Seguro e FeverUp.

    Esse ponto amplia o impacto para usuários de Pernambuco e de outros estados. Quem já usa Echo, Fire TV ou o aplicativo Alexa poderá testar recursos ligados a rotina, compras, notícias, entretenimento e casa conectada, desde que tenha dispositivo compatível.

    Alexa+ no Brasil: Preço e acesso antecipado

    Durante o acesso antecipado, a Alexa+ permanece gratuita para os usuários convidados. Após essa etapa, a Amazon informa que o serviço continuará sem custo adicional para membros Prime. Para quem não assina o Prime, o valor anunciado é de R$ 99,90 por mês, com 2 TB de armazenamento no Amazon Photos.

    Clientes com dispositivo compatível podem solicitar acesso pelo site da Amazon ou dizer ‘Alexa, quero Alexa+’. A liberação ocorre de forma gradual durante o programa de acesso antecipado. A empresa afirma que dezenas de milhares de usuários serão convidados nas próximas semanas, com expansão gradual do acesso.

    A Alexa+ funciona em grande parte dos dispositivos Echo e Fire TV compatíveis no Brasil. Alguns modelos mais antigos e determinados aparelhos de terceiros podem ficar fora da disponibilidade inicial.O TecMundo também registrou que alguns modelos de primeira e segunda geração, Echo Buds e aparelhos de terceiros com Alexa integrada ficam fora da disponibilidade inicial.

    Privacidade segue como ponto de atenção

    A chegada de uma assistente mais inteligente aumenta a importância da gestão de privacidade. A Amazon mantém o painel de privacidade da Alexa, onde o cliente pode revisar interações, ouvir gravações captadas, verificar anexos compartilhados e definir o tempo de armazenamento das gravações de voz.

    Com IA generativa, arquivos enviados e preferências pessoais passam a ter mais peso na experiência. O usuário deve acompanhar quais dados compartilha e revisar as configurações de privacidade antes de ativar recursos mais avançados.

    Alexa+ no Brasil: Uma disputa maior no mercado de IA

    A Alexa+ chega em um momento de forte competição entre assistentes digitais, chatbots e plataformas de automação. A Amazon tenta reposicionar a Alexa em um mercado dominado por ferramentas como ChatGPT, Gemini e outras soluções de IA generativa.

    Em setembro de 2026, a Amazon ampliou sua estratégia de IA no país com o lançamento da Alexa para Compras em versão beta. A ferramenta passou a ser oferecida a clientes selecionados no app da Amazon e no site, com recursos para pesquisar produtos, comparar preços e receber recomendações por conversa.

    A chegada da Alexa+ marcou uma mudança de escala na estratégia da Amazon para inteligência artificial no Brasil. A assistente passou a combinar conversação, automação, compras, entretenimento e organização pessoal em uma mesma plataforma.

    A evolução dos recursos ao longo de 2026 reforça a tentativa da empresa de transformar a Alexa em uma ferramenta menos dependente de comandos isolados e mais integrada à rotina do usuário.

  • Jovens usam IA como companhia e acendem alerta social

    Jovens usam IA como companhia e acendem alerta social

    Colaboração editorial: Nahara Rodrigues

    Jovens usam IA: a inteligência artificial deixou de ser utilizada apenas para responder dúvidas, produzir textos e auxiliar em atividades escolares. Para parte dos adolescentes, os chatbots passaram a ocupar um espaço mais pessoal, com conversas sobre sentimentos, amizades e momentos de incerteza.

    A organização britânica OnSide publicou o relatório Generation Isolation 2025. A YouGov conduziu a pesquisa.  Entre os entrevistados, 39% recorreram a chatbots de inteligência artificial em busca de apoio, conselhos e companhia. A pesquisa ouviu 5.035 pessoas entre 11 e 18 anos na Inglaterra.

    O resultado não significa que amizades presenciais estejam sendo substituídas de forma generalizada. O levantamento mostra que os adolescentes continuam atribuindo grande importância aos encontros fora das telas.

    A versão anterior desta reportagem já utilizava o relatório como fonte complementar à cobertura jornalística sobre o tema. A atualização passa a priorizar os dados publicados diretamente pela instituição responsável pelo estudo.

    Rapidez ajuda a explicar procura pelos chatbots

    A disponibilidade imediata está entre as características que ajudam a entender por que ferramentas de IA ganharam espaço nas rotinas juvenis.

    Um chatbot pode responder a qualquer hora, sem necessidade de agendamento e sem depender da disponibilidade de outra pessoa. Essa facilidade cria uma experiência distinta das relações presenciais.

    O estudo mostra que recorrer à tecnologia não significa confiar mais nela do que em pessoas próximas. Apenas 6% dos entrevistados afirmaram confiar mais na inteligência artificial do que em uma pessoa real.

    Os números ajudam a dimensionar o fenômeno. A IA pode ser procurada pela rapidez e facilidade de interação. A confiança atribuída às relações humanas permanece maior entre a ampla maioria dos participantes.

    Na reportagem original, os usos mencionados incluíam ajuda com atividades escolares, questões pessoais, sentimentos, amizades e procura por alguém com quem conversar.

    A tecnologia passou a integrar uma rotina digital que já ocupa parcela significativa do tempo livre dessa faixa etária.

    Relações presenciais continuam valorizadas

    A pesquisa aponta que 49% dos jovens consideram que passar tempo juntos presencialmente é a experiência que mais aumenta a sensação de conexão com os amigos. Outros 53% afirmaram que redes sociais e tecnologia facilitam suas amizades.

    Os dados indicam que interações digitais e convivência presencial coexistem.

    A internet facilita contato, comunicação e manutenção de vínculos. O encontro físico continua associado a relações consideradas mais próximas pelos próprios entrevistados.

    O levantamento aponta que 37% disseram não ter oportunidades para conhecer novas pessoas e formar amizades.

    Esse indicador amplia o debate para além da tecnologia. A disponibilidade de espaços de convivência, atividades acessíveis e ambientes seguros influencia a maneira como adolescentes constroem relações.

    A pesquisa também procura compreender como os jovens utilizam o tempo fora da escola e quais estruturas podem ampliar as possibilidades de convivência presencial.

    Jovens usam IA: telas ocupam parcela expressiva do tempo livre

    O Generation Isolation 2025 mostra que 76% dos entrevistados passam a maior parte do tempo livre diante de telas.

    O smartphone aparece como a atividade individual que mais ocupa esse período para 24% dos jovens.

    Outro dado reforça a dimensão doméstica dessa rotina: 48% passam grande parte do tempo livre no próprio quarto. A pesquisa registra 16% passando a maior parte desse período sozinhos.

    Os resultados não demonstram que smartphones e inteligência artificial provoquem isolamento por si mesmos. O relatório não estabelece uma relação direta de causa e efeito.

    O cenário reúne diferentes fatores: presença intensa das telas, dificuldade de encontrar espaços de convivência, experiências negativas no ambiente digital e procura por novas formas de interação.

    A edição anterior da matéria já destacava que o levantamento não atribuía a solidão a uma causa única. Jovens usam IA como companhia e…

    Solidão aparece entre os indicadores do levantamento

    A pesquisa identificou níveis elevados de solidão em 34% dos participantes.

    O resultado exige contexto. O estudo foi realizado na Inglaterra com adolescentes de 11 a 18 anos. Os percentuais não devem ser projetados diretamente para jovens brasileiros.

    Outro indicador chama atenção: 49% dos entrevistados relataram alguma experiência negativa envolvendo amizades no ambiente online.

    Essas experiências podem incluir conflitos, exclusões em grupos, bloqueios e interrupções de contato, situações abordadas na versão original da reportagem. Jovens usam IA como companhia e…

    Os números mostram que a vida social digital oferece possibilidades de conexão, e cria formas próprias de tensão e afastamento.

    Jovens usam IA: dados brasileiros ampliam o contexto

    O Portal Nova Pauta também reuniu dados brasileiros em um infográfico produzido para a reportagem.

    O material, baseado em levantamento da Arco Educação, mostra que 19% dos estudantes recorrem regularmente à inteligência artificial como companhia quando se sentem sozinhos e precisam conversar.

    O infográfico aponta que 52% relatam alguma dificuldade para fazer novos amigos, e outros 17% dizem sentir solidão de forma frequente.

    Outro dado apresentado mostra que 32% dos entrevistados sentem que as pessoas raramente demonstram interesse pelo que eles dizem.

    A representação gráfica também registra diferenças entre meninas e meninos. A dificuldade para formar amizades aparece em 33,4% das meninas e 20,1% dos meninos. O hábito de conversar mais com inteligências artificiais por solidão é indicado por 23,8% das meninas e 12,3% dos meninos.

    Os levantamentos brasileiro e britânico têm metodologias e públicos distintos. Os resultados não devem ser comparados diretamente. Eles mostram que a relação entre juventude, solidão e ferramentas digitais aparece em diferentes contextos.

    Jovens usam IA em infográfico sobre solidão, amizade e companhia digital entre estudantes brasileiros, com dados da Arco Educação e arte do Portal Nova Pauta.
    Infográfico mostra dados sobre solidão, dificuldade de fazer amizades e uso de inteligência artificial como companhia entre estudantes brasileiros.

    IA pode ajudar, mas não substitui vínculos humanos

    A inteligência artificial pode funcionar como ferramenta de informação, organização de ideias e interação momentânea.

    Os números da pesquisa britânica indicam que a convivência presencial continua ocupando papel central na percepção dos adolescentes sobre amizade e conexão.

    A discussão não se resume a afastar adolescentes da tecnologia.

    Ela envolve educação digital, espaços de convivência, oportunidades de socialização e capacidade de reconhecer os limites de sistemas automatizados.

    Esse cuidado também vale para conteúdos gerados por inteligência artificial. O Portal Nova Pauta explica como identificar deepfakes e reconhecer sinais de manipulação digital

    Famílias, escolas e instituições participam desse processo ao orientar o uso responsável dessas ferramentas e estimular experiências fora das telas.

    A tecnologia pode ocupar um espaço de apoio pontual. Confiança, empatia, convivência e construção de vínculos continuam dependendo de relações humanas.

    Esse princípio já aparecia no fechamento original da reportagem e permanece válido após a atualização dos dados.