Colaboração editorial: Nahara Rodrigues
O golpe do Pix começa com um cenário aparentemente comum: um valor inesperado entra na conta e, pouco depois, alguém alega ter feito a transferência por engano. A pessoa pede o dinheiro de volta e, em alguns casos, indica outra chave Pix para receber a quantia.
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O Banco Central (BC) recomenda conferir primeiro o extrato bancário. Com o crédito confirmado, o usuário deve acessar a transferência original e utilizar a ferramenta específica para restituir o valor.
A reportagem do Portal Nova Pauta verificou esse procedimento nos aplicativos da Caixa Econômica Federal e do Nubank. As duas instituições oferecem recursos vinculados diretamente ao Pix recebido, com nomes diferentes para a função.
Esse cuidado evita uma nova transferência independente para a chave apresentada por quem fez o contato.
Como funciona o golpe do Pix errado?
O criminoso transfere um valor real para a conta da vítima e entra em contato pouco tempo depois. Ele afirma que cometeu um erro e pede o dinheiro de volta.
O pedido ganha aparência de legitimidade quando o valor consta no extrato.
O principal alerta surge se o suposto pagador solicitar um novo Pix para outra conta.
O Banco Central orienta os usuários a recusarem pedidos de restituição destinados a uma conta diferente. O órgão alerta que criminosos exploram essa prática para tentar recuperar também o Pix original por meio do Mecanismo Especial de Devolução (MED).
O recebimento indevido não autoriza o usuário a ficar com o dinheiro. A atenção deve estar na forma utilizada para restituir a quantia.
Recebeu um Pix inesperado? Confira o extrato
Mensagens, ligações ou comprovantes enviados por terceiros, não confirmam que o dinheiro entrou na conta.
O Banco Central recomenda abrir o aplicativo bancário e consultar diretamente o extrato. Criminosos também apresentam comprovantes falsos para induzir vítimas a transferirem recursos próprios.
Sem o crédito registrado na conta, nenhuma transferência deve ser feita com base apenas em uma imagem recebida pelo celular.
Com o Pix confirmado no extrato, o titular deve abrir os detalhes da operação e localizar a ferramenta destinada à restituição do dinheiro.
O que fazer ao receber um Pix inesperado
- Abra o aplicativo oficial da instituição financeira.
- Confira o recebimento no extrato.
- Abra os detalhes do Pix recebido.
- Procure a opção de reembolso ou restituição.
- Retorne o dinheiro pela própria transação.
- Não faça outro Pix para uma chave enviada por mensagem.
- Procure o banco pelos canais oficiais em caso de dúvida.
A ferramenta vinculada ao Pix original mantém a restituição associada à operação recebida.
Portal Nova Pauta testa procedimento na Caixa e no Nubank

O Portal Nova Pauta realizou uma verificação prática em dois aplicativos bancários.
Na Caixa Econômica Federal, a tela de detalhes de um Pix recebido apresenta o botão “Devolver Pix”. O cliente acessa o recurso dentro da própria movimentação registrada no extrato.
No Nubank, o aplicativo apresenta a opção “Fazer um reembolso” nos detalhes da transferência.
As interfaces adotam nomenclaturas diferentes, mas seguem o mesmo princípio. O cliente localiza a operação original e inicia a restituição por uma ferramenta vinculada ao recebimento.
O teste demonstra que o cliente não precisa criar uma nova transferência para devolver corretamente um Pix recebido.
Função “Devolver Pix” tem prazo de até 90 dias
O Regulamento do Pix estabelece prazo de até 90 dias, contados da data da transação original, para o recebedor iniciar a devolução voluntária. O valor pode ser restituído integralmente ou de forma parcial, limitado ao total recebido.
O cliente tem a opção de devolver o valor integral ou apenas uma parte, respeitando o total recebido naquela operação.
Essa regra trata da restituição voluntária iniciada pelo recebedor. Ela não representa uma contestação por fraude.
Os aplicativos costumam disponibilizar a ferramenta nos detalhes da transferência. A nomenclatura varia entre as instituições, como mostrou o teste realizado pelo Portal Nova Pauta.
Os 90 dias correspondem ao prazo para devolução voluntária iniciada pelo recebedor. Os 80 dias representam o limite para contestar o Pix original em casos enquadrados nas regras do MED.
MED permite contestar Pix ligado a fraude em até 80 dias
Quem realizou uma transferência e identificou fraude, golpe ou crime, deve comunicar o caso à instituição financeira.
A vítima tem até 80 dias, contados da data do Pix original, para solicitar a contestação dentro das regras do MED. O Banco Central recomenda comunicar a instituição financeira o mais rápido possível.
O tempo tem peso importante nesse processo. Criminosos costumam movimentar o dinheiro rapidamente entre diferentes contas.
O MED não garante recuperação integral. O resultado depende da análise da fraude e dos recursos localizados nas contas relacionadas ao caminho do dinheiro.
O mecanismo também não atende qualquer problema envolvendo Pix.
O envio para uma chave errada, por si só, não caracteriza fraude. Desacordos comerciais comuns seguem outras formas de solução na ausência de indícios de golpe.
Golpes com investimentos: saiba como evitar
Golpe do Pix: como funciona o MED 2.0?
Desde 11 de maio de 2026, o MED 2.0 passou a ser obrigatório para as instituições participantes do Pix. O Banco Central ampliou o alcance do mecanismo para combater a rápida dispersão de recursos entre contas.
O chamado MED 2.0 utiliza o Diretório de Identificadores de Contas Transacionais (DICT) para identificar movimentações associadas ao Pix contestado.
O sistema analisa trajetos que ultrapassam a primeira conta recebedora. Ele organiza transferências relacionadas e identifica contas que integram caminhos suspeitos percorridos pelo dinheiro.
O fluxo atual reúne seis grandes etapas:
- instauração;
- rastreamento;
- priorização;
- bloqueio;
- análise;
- restituição dos valores.
As instituições recebem notificações e analisam a participação das contas identificadas.
O mecanismo consegue alcançar recursos encontrados em diferentes pontos do trajeto das transferências. Isso não transforma todo dinheiro existente nessas contas em patrimônio da vítima.
MED 2.0 não garante ressarcimento
A ampliação do rastreamento aumenta a capacidade de localizar recursos, sem assegurar o retorno integral da quantia. A recuperação pode ser total ou parcial. O resultado depende da confirmação da fraude, da conexão entre as transações identificadas e do saldo disponível para bloqueio.
A falta de recursos em uma conta limita a recuperação. A instituição também rejeita uma notificação se sua análise não confirmar participação na fraude.
Esse cenário reforça a importância da prevenção. Evitar uma transferência indevida oferece mais segurança do que depender de uma tentativa posterior de recuperar o dinheiro.
Já caiu em um golpe? Procure seu banco imediatamente

A vítima deve comunicar a instituição financeira ao identificar indícios de fraude.
O contato precisa ocorrer pelos canais oficiais do banco, como aplicativo, telefone indicado pela instituição ou atendimento em agência.
Também é importante preservar mensagens, números telefônicos, chaves Pix, comprovantes, extratos e protocolos. Esses registros ajudam na análise bancária e em eventual investigação.
O Banco Central recomenda registrar boletim de ocorrência.
Se o banco não solucionar o problema, o consumidor tem à disposição outros canais de reclamação, além do Procon e do Poder Judiciário, conforme as características do caso.
Nenhum funcionário de instituição financeira precisa da senha pessoal ou do código de autenticação do cliente para restituir um Pix.
Golpe do Pix: perguntas frequentes
Recebi um Pix de uma pessoa desconhecida. Posso devolver?
Sim. Confira primeiro se o dinheiro realmente entrou na conta. Localize a transferência recebida no aplicativo e utilize a ferramenta específica disponível na própria operação.
A pessoa pediu o dinheiro em outra chave. O que faço?
Não transfira para a chave indicada. O Banco Central alerta para golpes que envolvem pedidos de restituição destinados a contas diferentes daquela que originou o Pix.
Posso fazer outro Pix para devolver?
O procedimento mais seguro utiliza a ferramenta associada à transação original. Esse recurso mantém a restituição vinculada ao Pix recebido.
Quanto tempo tenho para devolver?
Quem recebeu o dinheiro tem até 90 dias da transação original para iniciar a restituição voluntária pela própria operação.
O prazo é de 80 ou 90 dias?
Os números tratam de procedimentos distintos. Os 90 dias correspondem à restituição voluntária feita pelo recebedor. Os 80 dias representam o limite para contestar o Pix original nos casos enquadrados nas regras do MED.
O MED garante meu dinheiro de volta?
Não. A recuperação depende da análise da fraude e dos valores que as instituições localizarem e bloquearem.
Como esta reportagem foi produzida
O Portal Nova Pauta analisou normas, manuais, guias técnicos e orientações oficiais do Banco Central sobre Pix e MED.
A reportagem verificou diretamente as ferramentas disponíveis para restituir valores nos aplicativos da Caixa Econômica Federal e do Nubank e comparou o funcionamento observado com as orientações oficiais.
A apuração confirmou os procedimentos previstos nas orientações oficiais para restituir valores e os principais cuidados contra golpes envolvendo o Pix.

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