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  • Síndrome de Cockayne tipo II: doença rara afeta reparo do DNA desde a infância

    Síndrome de Cockayne tipo II: doença rara afeta reparo do DNA desde a infância

    A síndrome de Cockayne tipo II é uma doença genética ultrarrara que compromete processos ligados ao reparo do DNA e atinge vários sistemas do organismo. A forma grave pode dar sinais desde o nascimento, afetar crescimento, desenvolvimento neurológico, visão, audição e pele. O quadro costuma evoluir de forma progressiva e exige acompanhamento por diferentes especialidades. A ciência busca compreender por que alterações em apenas dois genes conseguem produzir efeitos tão amplos no corpo.

    A raridade ajuda a explicar por que a síndrome segue pouco conhecida fora dos centros especializados. O MedlinePlus estima de dois a três casos para cada milhão de recém-nascidos nos Estados Unidos e na Europa. Esse número abrange o espectro da doença, não apenas o tipo II. Não há estimativa brasileira consolidada capaz de mostrar quantas pessoas vivem com a condição no país.

    O interesse científico ganhou um novo capítulo em 2026. Uma criança que apareceu no Portal Nova Pauta após o diagnóstico, recebeu uma terapia gênica experimental nos Estados Unidos. O procedimento abriu uma nova etapa de pesquisa, sem representar cura comprovada nem tratamento disponível para a população.

    1. O que é a síndrome de Cockayne tipo II?

    A Síndrome de Cockayne integra um grupo de doenças genéticas ligadas a falhas em processos celulares que respondem a danos no DNA. Os genes mais associados são ERCC6, chamado CSB, e ERCC8, conhecido como CSA. Eles participam de mecanismos que ajudam a célula a lidar com lesões geradas pela atividade normal do organismo e pela radiação ultravioleta.

    A classificação tradicional divide a síndrome em tipos I, II e III. Pesquisadores tratam esses grupos com cautela diante da formação de um espectro contínuo. O tipo I representa a apresentação clássica, com alterações que aparecem nos primeiros anos. Já o tipo III tende a surgir mais tarde e apresenta curso menos grave. No tipo II, predominam manifestações precoces e maior comprometimento.

    No tipo II, falhas de crescimento podem estar presentes ao nascimento. O desenvolvimento neurológico no período pós-natal pode ser pequeno. Cataratas congênitas, alterações estruturais dos olhos e contraturas da coluna e das articulações aparecem nas descrições clínicas. A forma grave se sobrepõe parcialmente ao espectro cerebro-oculo-facio-esquelético, conhecido pela sigla COFS.

    A gravidade não transforma todos os pacientes em casos idênticos. Variantes genéticas, extensão das alterações e características individuais influenciam o quadro. A classificação serve como referência clínica; não funciona como previsão exata da evolução de cada criança.

    2. Quais são os sintomas da síndrome de Cockayne?

    Os sinais podem atingir diferentes partes do organismo. Microcefalia, dificuldade para ganhar peso, baixa estatura e atraso do desenvolvimento aparecem entre as características descritas com frequência. Alterações neurológicas podem avançar com o tempo e comprometer mobilidade, coordenação, fala e autonomia.

    A fotossensibilidade é outro sinal conhecido. Pequenas exposições ao sol podem provocar queimaduras intensas e bolhas em algumas pessoas. Perda auditiva, redução da visão, cáries graves, alterações ósseas e mudanças identificáveis em exames do cérebro fazem parte do espectro.

    A síndrome pode afetar fígado, rins, pressão arterial, alimentação e desenvolvimento musculoesquelético. O acompanhamento clínico precisa observar o conjunto de manifestações, não apenas um órgão. O GeneReviews recomenda avaliações periódicas de crescimento, nutrição, neurologia, olhos, audição, função renal, função hepática e pressão arterial.

    A doença pode produzir traços descritos como progeroides, ligados a características que lembram envelhecimento precoce. Essa descrição não significa que Cockayne seja a mesma condição conhecida como progeria de Hutchinson-Gilford. As causas genéticas, os mecanismos celulares e a evolução clínica são diferentes.

    3. Por que a catarata pode aparecer tão cedo?

    Os olhos ocupam um lugar importante na investigação da síndrome de Cockayne. Catarata congênita, retinopatia e perda progressiva da visão estão descritas no espectro clínico. No tipo II, cataratas presentes desde o nascimento aparecem em parte dos pacientes e podem surgir com outras alterações oculares.

    Um estudo de história natural com 102 pessoas, citado pelo MedlinePlus, ajudou a organizar recomendações de acompanhamento e reforçou a relevância das alterações visuais. O cuidado oftalmológico entra na rotina de vigilância desde a infância, com atenção para catarata e retinopatia.

    Síndrome de Cockayne pode causar alterações oculares como catarata precoce
    Catarata precoce pode aparecer no espectro da doença – Imagem: Fernando Capetillo/Pexels

    A ligação com a história publicada pelo Portal Nova Pauta aparece nesse ponto. Em outubro de 2025, o portal contou o caso de Riaan, cuja investigação ganhou força com a descoberta de catarata na infância. O diagnóstico posterior revelou Síndrome de Cockayne tipo II.

    A catarata infantil tem várias causas e não indica, sozinha, síndrome de Cockayne. A presença desse achado precisa ser analisada dentro do conjunto clínico. Crescimento, desenvolvimento, sensibilidade ao sol, audição, sinais neurológicos e histórico familiar ajudam a orientar a investigação médica.

    4. O que causa a síndrome de Cockayne?

    ERCC6 e ERCC8 fornecem instruções para proteínas envolvidas em processos celulares ligados ao reparo de DNA danificado. Uma das vias mais relacionadas à síndrome recebe o nome de reparo por excisão de nucleotídeos acoplado à transcrição. Ela entra em ação quando uma lesão interfere na leitura de uma região ativa do DNA.

    Quando esse sistema falha, a célula encontra maior dificuldade para lidar com determinados danos. Parte das células deixa de funcionar adequadamente e pode morrer. Esse mecanismo ajuda a explicar a fotossensibilidade. A origem de todas as manifestações neurológicas, metabólicas e de crescimento permanece mais complexa. As proteínas CSA e CSB participam de funções celulares que seguem sob estudo.

    Um paradoxo chama atenção. Falhas de reparo de DNA lembram doenças que elevam o risco de câncer de pele, como o xeroderma pigmentoso. A síndrome de Cockayne segue um padrão diferente. Um estudo nos Estados Unidos analisou células de pacientes. A pesquisa não encontrou aumento de mutações induzidas por radiação ultravioleta no padrão do xeroderma pigmentoso.

    A descoberta ajuda a explicar por que o câncer não aparece como característica típica de Cockayne, mesmo diante da fotossensibilidade. A comparação mostra que “falha no reparo do DNA” não descreve um mecanismo único. Vias distintas podem gerar consequências biológicas profundamente diferentes.

    5. Como a síndrome de Cockayne é herdada?

    A síndrome apresenta herança autossômica recessiva. A pessoa afetada recebe duas cópias alteradas do gene relacionado à doença, uma de cada progenitor. Pais portadores costumam não apresentar sinais clínicos por possuírem uma cópia funcional do gene.

    Quando pai e mãe carregam variantes patogênicas relacionadas à mesma condição, cada gestação tem 25% de chance de gerar uma criança afetada. Existe chance de 50% de a criança ser portadora assintomática. A probabilidade de não herdar a combinação associada à doença fica em 25%. Esses percentuais se aplicam a cada gestação de forma independente.

    Herança Autossômica recessiva explicada em infográfico

    O aconselhamento genético ajuda a família a compreender a forma de transmissão, o risco de recorrência e as possibilidades de investigação disponíveis. A identificação das variantes familiares pode permitir testes em parentes com risco aumentado e planejamento reprodutivo acompanhado por profissionais especializados.

    A genética ajuda a evitar conclusões apressadas. Ter parentes sem sintomas não elimina a possibilidade de uma doença recessiva. Portadores podem atravessar toda a vida sem manifestações e transmitir a variante para os filhos.

    6. Como é feito o diagnóstico?

    A suspeita nasce da combinação de sinais clínicos, histórico de desenvolvimento, exame físico e achados de imagem. O diagnóstico molecular é estabelecido quando testes identificam variantes patogênicas bialélicas em um dos genes ERCC6 e ERCC8.

    A investigação pode incluir avaliação neurológica, ressonância do cérebro, exame oftalmológico, audiometria, análise da pele, avaliação odontológica e exames de função renal e hepática. O conjunto ajuda a mapear o impacto da doença e a organizar o acompanhamento.

    A literatura brasileira registra pacientes com a síndrome. Um relato publicado em 1999 nos Arquivos de Neuro-Psiquiatria descreveu uma criança com manifestações compatíveis e discutiu critérios de diagnósticos usados naquela época. Em 2023, uma monografia da Universidade Federal de Sergipe registrou um adolescente de 14 anos, de Aracaju, com confirmação por teste genético.

    Os dois registros ajudam a enxergar a evolução dos recursos diagnósticos no país. A confirmação molecular ganhou espaço e permite definir com maior precisão a alteração genética associada ao quadro. O acesso depende da rede disponível, da avaliação especializada e da indicação clínica.

    Não existe, nas fontes públicas consultadas, um número consolidado de pacientes com síndrome de Cockayne em Pernambuco. A ausência de um total confiável impede estimativas locais seguras. O dado mais útil para o leitor pernambucano está na estrutura estadual voltada às doenças raras, abordada no fim desta reportagem.

    7. Síndrome de Cockayne tem cura?

    Não existe cura aprovada para a síndrome de Cockayne. O cuidado busca reduzir complicações, preservar funções e melhorar qualidade de vida. Nutrição, fisioterapia, oftalmologia, audiologia, neurologia, odontologia e acompanhamento de órgãos afetados podem integrar o plano assistencial.

    Cataratas recebem avaliação oftalmológica específica. Perda auditiva pode exigir aparelhos auditivos e, em casos selecionados, implante coclear. A fotossensibilidade pede proteção contra exposição solar excessiva. Dificuldades alimentares podem demandar suporte nutricional e estratégias para garantir ingestão adequada.

    Um alerta merece atenção especial: o metronidazol. O MedlinePlus registra risco de reação grave em pessoas com Cockayne, com possibilidade de insuficiência hepática potencialmente fatal. O GeneReviews orienta evitar esse medicamento em pacientes com a síndrome.

    Esse dado não deve levar ninguém a alterar uma prescrição por conta própria. Pessoas diagnosticadas e familiares precisam informar a condição aos profissionais responsáveis pelo atendimento. Decisões sobre medicamentos pertencem à equipe de saúde que conhece o quadro clínico.

    O acompanhamento contínuo tem valor mesmo sem terapia curativa aprovada. Problemas de visão, audição, nutrição, mobilidade, pressão arterial, rins e fígado podem exigir intervenção específica. A abordagem multidisciplinar tenta antecipar riscos e reduzir perdas funcionais evitáveis.

    8. Qual é a expectativa de vida na síndrome de Cockayne tipo II?

    A pergunta sobre expectativa de vida aparece entre as mais delicadas para as famílias que recebem o diagnóstico. No tipo II, séries clínicas históricas descrevem evolução grave e morte geralmente por volta dos cinco anos. Esse dado representa grupos de pacientes, não um prazo individual para cada criança.

    A síndrome apresenta grande diversidade de manifestações. Pessoas classificadas em outras partes do espectro podem viver por mais tempo. O GeneReviews registra morte típica antes do fim da segunda década no tipo I e relatos de sobrevivência em idades posteriores, principalmente nos fenótipos menos graves.

    A medicina não usa uma média populacional como calendário para uma pessoa específica. Complicações respiratórias, estado nutricional, função neurológica, comprometimento de órgãos e acesso ao cuidado influenciam a evolução. Novas estratégias experimentais precisam mostrar, em humanos, se conseguem alterar a história natural da doença.

    A precisão nessa abordagem evita dois extremos. O primeiro seria esconder a gravidade. Outro extremo seria transformar estatísticas em sentença individual. Famílias precisam de informação clara, acompanhamento clínico e espaço para discutir prognóstico com profissionais que conhecem o paciente.

    9. O que se sabe sobre a terapia gênica para síndrome de Cockayne?

    A pesquisa entrou em uma fase inédita em 2026. A Riaan Research Initiative informou que Riaan Singh Digeorge, de seis anos, recebeu em 21 de abril uma terapia gênica experimental para Cockayne. O procedimento ocorreu no NewYork-Presbyterian Komansky Children’s Hospital, em Nova York. A organização ligada à família apresenta Riaan como o primeiro paciente a receber essa estratégia.

    A abordagem utiliza um vetor AAV9 projetado para levar uma cópia funcional de ERCC8, gene que produz a proteína CSA. O objetivo experimental é entregar essa informação genética às células e restaurar parte da função perdida. A aplicação humana representa um passo de pesquisa; não comprova benefício clínico, segurança de longo prazo e nem cura.

    Terapia gênica AAV9 experimental explicada em infográfico

    O estudo pré-clínico publicado em 2026 no Journal of Clinical Investigation testou AAV9-CSA em camundongos com um modelo grave da síndrome. A mediana de sobrevida passou de 22 para 189 dias, aumento de cerca de 8,5 vezes. Os pesquisadores observaram distribuição da proteína CSA no cérebro e no coração.

    Os resultados mostraram limites. Os animais tratados mantiveram alterações neurológicas, com hipomielinização, astrogliose e microgliose. Mudanças no fígado e disfunção renal no estágio final indicaram que a correção ficou incompleta.

    A diferença entre experimento animal e tratamento humano precisa permanecer clara. Resultados em camundongos ajudam a justificar novas pesquisas; não permitem prever a resposta de uma criança. O acompanhamento do primeiro paciente e futuros estudos serão decisivos para avaliar riscos, duração do efeito e impacto clínico.

    A história de Riaan cria uma continuidade rara para o próprio Portal Nova Pauta. Em 2025, o portal relatou o caminho até o diagnóstico. Em 2026, a mesma criança passou a ocupar o centro de uma tentativa pioneira de terapia genética para a condição. O avanço científico convive com incertezas que exigem tempo e evidências.

    10. Onde buscar atendimento para doenças raras em Pernambuco?

    Pernambuco possui serviços habilitados pelo Ministério da Saúde na rede de doenças raras. A lista federal atualizada em setembro de 2026 inclui cinco unidades pernambucanas. São elas: Hospital Maria Lucinda, IMIP, Hospital Regional Inácio de Sá, HC-UFPE e Real Hospital Português. A presença na relação não significa que todas essas unidades acompanhem especificamente síndrome de Cockayne. Cada serviço possui habilitações próprias e fluxos de acesso.

    A rede brasileira reúne 60 serviços habilitados em 15 unidades da Federação. Dez possuem habilitação para realização de terapia gênica no SUS. O IMIP, no Recife, aparece entre as unidades habilitadas nessa modalidade.

    11.Pernambuco amplia rede de doenças raras e terapia gênica

    O instituto realizou em 23 de dezembro de 2025 um procedimento de terapia gênica em paciente com atrofia muscular espinhal. O caso mostra que terapias baseadas em genes fazem parte da assistência pernambucana para indicações específicas. Essa experiência não tem relação direta com o protocolo experimental usado para Cockayne. Cada doença exige produto, critérios, autorização e acompanhamento próprios.

    O Hospital Maria Lucinda mantém o Rarus, serviço voltado a doenças raras com atendimento pelo SUS. A unidade informa capacidade para cerca de 500 usuários por mês, com mais da metade dos atendimentos destinados a moradores do interior de Pernambuco. O primeiro acesso depende de encaminhamento médico pelo SUS e regulação estadual.

    O Hospital das Clínicas da UFPE recebeu habilitação como Serviço de Referência em Doenças Raras em 2026. A medida ampliou a estrutura especializada no estado.

    12. Diagnóstico exige acompanhamento integrado

    Para famílias diante de sinais compatíveis com uma doença genética rara, o caminho começa pela avaliação médica e pela rede de referência. A rede de saúde do Recife também vem incorporando estratégias voltadas ao atendimento de públicos com necessidades específicas. Na Policlínica Lessa de Andrade, por exemplo, a vacinação com realidade virtual busca tornar a imunização mais acessível para pessoas neurodivergentes. Um diagnóstico como Cockayne exige integração entre genética, neurologia, oftalmologia, audição, nutrição e outras áreas conforme as manifestações presentes.

    A raridade não diminui o impacto da doença na vida de quem recebe o diagnóstico. A síndrome de Cockayne tipo II mostra como uma alteração microscópica pode repercutir em crescimento, cérebro, visão e vários órgãos. Expõe o tamanho do desafio científico quando existem poucos pacientes, poucas evidências e nenhuma cura aprovada.

    A pesquisa de 2026 abriu uma fronteira que precisa ser acompanhada com rigor. A rede pernambucana oferece um ponto concreto de orientação para doenças raras, sem transformar um experimento pioneiro em promessa. Para cada família, a informação correta pode encurtar caminhos, melhorar o diálogo com profissionais e reduzir o peso de enfrentar uma condição pouco conhecida.

    13. Entre avanços científicos, o cuidado permanece no centro

    Por trás de cada diagnóstico existe uma rotina marcada por consultas, exames, adaptações e decisões difíceis. Também existem vínculos, afetos, pequenas conquistas e a busca diária por qualidade de vida. Em doenças ultrarraras, ciência e cuidado caminham lado a lado. Cada avanço amplia o conhecimento disponível e mantém aberta a possibilidade de respostas mais precisas para quem convive com a síndrome.

    Dar visibilidade a condições como a síndrome de Cockayne também ajuda a romper um problema frequente nas doenças raras: o desconhecimento. Para as famílias, ser ouvido, receber orientação qualificada e encontrar uma rede preparada pode fazer diferença em toda a trajetória do cuidado.

  • Como identificar deepfake: 10 sinais para checar fotos, vídeos e áudios

    Como identificar deepfake: 10 sinais para checar fotos, vídeos e áudios

    Colaboração editorial: Nahara Rodrigues

    Como identificar deepfake virou uma dúvida cada vez mais comum diante de vídeos, fotos e áudios com aparência convincente. A inteligência artificial já consegue reproduzir rostos, vozes, movimentos e cenários com alto grau de realismo. Essa evolução reduziu a eficácia de pistas antigas, como dedos deformados, pele artificial e piscadas incomuns.

    A Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) publicou, em julho de 2026, um Radar Tecnológico dedicado ao tema. O estudo trata deepfakes como áudios, fotografias e vídeos modificados, gerados artificialmente com IA generativa e capazes de alcançar forte semelhança com registros reais. A publicação aponta riscos ligados a fraudes, clonagem de identidade, violência digital e manipulação de informação.

    Identificar uma falsificação exige mais que observar o rosto. O caminho mais seguro combina fonte, origem, contexto, pesquisa reversa, ferramentas de procedência e confirmação independente. Sinais visuais servem como alerta. Eles não funcionam como prova isolada.

    Como identificar deepfake: 10 sinais e verificações

    1. Descubra quem publicou o material

    Comece pela fonte. Verifique qual perfil, site, canal, grupo ou conta publicou o arquivo. Procure o primeiro registro acessível e veja se a publicação veio de página oficial, veículo reconhecido, instituição pública ou pessoa identificável.

    Um vídeo encaminhado no WhatsApp perde parte do contexto original. Ele pode ter sido baixado, recortado, legendado, dublado, acelerado, editado e republicado diversas vezes. A ausência da postagem inicial dificulta a análise.

    Pesquise trechos da legenda, nomes citados e frases marcantes. Um material atribuído a empresa, autoridade ou alguma personalidade deve ter um registro verificável quando trata de fato relevante. A inexistência desse rastro merece atenção.

    2. Procure a origem antes de analisar defeitos

    A origem costuma oferecer pistas mais fortes que um detalhe estranho no rosto. Verifique onde a imagem apareceu, em qual data e dentro de qual contexto.

    Uma fotografia verdadeira pode ser usada para sustentar informação falsa. Um vídeo autêntico pode ganhar legenda enganosa. Esse tipo de manipulação dispensa geração artificial. O efeito permanece semelhante para quem recebe a mensagem sem contexto.

    Busque versões mais antigas, gravações completas e publicações relacionadas. Compare enquadramento, duração, áudio e texto. Uma peça recortada pode esconder segundos decisivos para entender o que aconteceu.

    3. Cheque data, local e narrativa

    Pergunte se a história apresentada faz sentido. Verifique data, lugar, pessoas envolvidas e circunstâncias. Procure registros independentes sobre o fato.

    Conteúdos fabricados costumam explorar urgência, medo, indignação e surpresa. Uma declaração extraordinária atribuída a pessoa conhecida merece verificação antes do compartilhamento.

    Observe elementos do cenário, placas, clima, roupas, horário aparente e características do ambiente. Esses detalhes podem entrar em conflito com a narrativa publicada. A checagem contextual continua útil mesmo quando a geração artificial apresenta qualidade visual elevada.

    4. Faça pesquisa reversa com Google Lens

    O Google Lens ajuda a encontrar imagens visualmente semelhantes e páginas que exibem versões relacionadas. A ferramenta não funciona como detector de deepfake. Seu valor está na investigação da procedência.

    Use um frame do vídeo, uma captura da foto recebida, a própria imagem. Pesquise pelo Lens e compare os resultados. Uma fotografia apresentada como recente pode ter circulado anos antes. Um rosto atribuído a determinado evento pode pertencer a outro contexto.

    Nos vídeos, escolha frames nítidos com pessoas, prédios, logotipos, placas e elementos reconhecíveis. Testar mais de um quadro aumenta a chance de localizar o registro original.

    5. Consulte o recurso “Sobre esta imagem”

    Como identificar deepfake: recurso Sobre esta imagem do Google mostra origem, crédito e direitos autorais
    Google pode fornecer pistas sobre a procedência de uma imagem – Imagem: Captura de tela/Portal Nova Pauta

    O Google oferece a ferramenta “Sobre esta imagem” em regiões compatíveis. Ela pode mostrar quando versões semelhantes foram encontradas, páginas que usam a mesma fotografia e registros mais antigos.

    O recurso pode apresentar informações ligadas à criação, edição, autoria, crédito e licenciamento. Nem todo arquivo traz esses dados. Metadados ausentes não provam autenticidade.

    A ferramenta ajuda a reconstruir o caminho de uma imagem na internet. Ela ganha força quando o leitor cruza os dados com a fonte original, resultados de busca e registros independentes.

    A documentação do Google alerta que metadados podem sofrer modificações. Eles precisam ser tratados como parte da análise, sem assumir caráter de prova definitiva.

    6. Observe boca, olhos e movimentos sem tratar falhas como prova

    Erros de sincronização entre boca e fala ainda podem aparecer em vídeos manipulados. Movimentos faciais rígidos, contornos instáveis, dentes estranhos, cabelo irregular e objetos que mudam entre quadros despertam suspeita.

    Essas pistas perderam parte da força. Sistemas recentes conseguem gerar rostos mais consistentes e movimentos mais naturais. Um vídeo sem falhas visíveis pode ter sido criado com inteligência artificial.

    Compressão, baixa resolução, conexão ruim e edição convencional geram artefatos. A presença de um defeito não confirma deepfake. O sinal precisa entrar em análise mais ampla.

    7. Como identificar deepfake: examine iluminação, sombras e reflexos

    Compare a luz do rosto com o restante do ambiente. Veja se sombras seguem a mesma direção. Analise reflexos em óculos, janelas, espelhos e superfícies brilhantes.

    Mudanças abruptas de textura, brilho incompatível e contornos que tremem podem indicar manipulação. Fundos artificiais apresentam objetos deformados, letras inconsistentes e elementos que desaparecem.

    Esse exame precisa considerar a qualidade do arquivo. Vídeos compactados por aplicativos podem perder detalhes e criar distorções. O diagnóstico visual deve servir como alerta para novas verificações.

    8. Analise a voz e confirme pedidos sensíveis

    mulheres diante de microfones ilustram análise sobre clonagem de voz por inteligência artificial
    Clonagem de voz amplia os riscos de golpes com áudio sintético – Imagem: Cottonbro Studio/Pexels

    Clonagem de voz ganhou importância em golpes digitais. Ferramentas de IA conseguem reproduzir timbre, ritmo e entonação com poucos exemplos disponíveis na internet.

    Desconfie de pedidos urgentes de dinheiro, códigos, senhas, documentos e dados pessoais. Pausas estranhas, emoção incompatível, pronúncia incomum e mudanças de qualidade sonora podem levantar suspeita.

    A medida mais segura não depende da capacidade de reconhecer uma voz artificial. Ligue para número já conhecido, faça chamada de vídeo, procure a pessoa presencialmente e confirme o pedido por canal confiável.

    O Banco Central recomenda contato direto diante de pedidos de dinheiro suspeitos. A instituição alerta para vídeos e áudios produzidos com IA que simulam imagem e voz de pessoas.

    9. Verifique marcas de procedência digital

    Como identificar deepfake: algumas plataformas começaram a adotar mecanismos capazes de registrar informações sobre a origem de arquivos. Content Credentials é um padrão ligado à Coalition for Content Provenance and Authenticity, a C2PA.

    As credenciais podem indicar como um arquivo foi criado, quais ferramentas participaram do processo e quais edições ficaram registradas. O verificador público do projeto permite inspecionar arquivos compatíveis.

    A ausência de credenciais não torna uma imagem verdadeira. Nem toda câmera, plataforma, editor e gerador incorpora esse padrão. Alterações feitas no caminho da publicação podem afetar dados disponíveis.

    10. Procure confirmação independente antes de compartilhar

    A última etapa reúne todo o processo. Procure fontes confiáveis que confirmem a informação apresentada no vídeo, na foto e no áudio.

    Verifique perfis oficiais, páginas institucionais, veículos jornalísticos, documentos públicos e registros completos. Uma publicação viral sem confirmação precisa ser tratada como material não verificado.

    Quando não houver evidência suficiente, interrompa o compartilhamento. A velocidade de uma postagem não compensa o risco de espalhar fraude, difamação, golpe financeiro e informação enganosa.

    O que é deepfake e como funciona

    Deepfake descreve material sintético capaz de reproduzir aparência, voz, gestos e características associadas a pessoas reais. A tecnologia usa modelos de inteligência artificial treinados para aprender padrões presentes em imagens, vídeos e gravações.

    A manipulação pode trocar um rosto, alterar movimentos da boca, sintetizar uma voz, criar uma pessoa inexistente e reconstruir partes inteiras de uma cena. O resultado varia conforme a ferramenta, a qualidade dos dados usados e o nível de edição.

    Como identificar deepfake: Radar Tecnológico da ANPD analisa riscos e impactos de conteúdos sintéticos
    ANPD publicou estudo específico sobre deepfakes em 2026 – Imagem: Reprodução/ANPD

    Nem toda imagem criada por IA representa fraude. Ilustrações, peças publicitárias, produções artísticas e recursos de acessibilidade podem usar geração artificial de forma legítima. O risco cresce quando alguém emprega realismo sintético para enganar, personificar terceiros, manipular fatos e obter vantagem.

    O Radar da ANPD chama atenção para fraudes baseadas em clonagem de voz, imagem e identidade. O documento aponta impactos na violência digital e na circulação de informação enganosa.

    Detector de deepfake funciona?

    Como identificar deepfake: detectores ajudam sem oferecer veredito infalível. O NIST mantém em 2026 um programa voltado à avaliação de sistemas forenses para deepfakes.

    A instituição informa queda de desempenho entre 45% e 50% quando ferramentas passam de avaliações acadêmicas para situações operacionais.

    Esse dado explica a necessidade de manter a checagem após um resultado automático. Um detector pode classificar material verdadeiro como sintético. Pode deixar passar uma falsificação criada por técnica recente.

    Use essas plataformas como apoio. Combine o resultado com origem, contexto, pesquisa reversa e evidências independentes. Ferramentas especializadas ganham valor quando integram processo maior de verificação.

    SynthID permite verificar arquivos ligados à IA do Google

    O Google DeepMind desenvolveu o SynthID para inserir marcas digitais imperceptíveis em conteúdos gerados por ferramentas de inteligência artificial da empresa.

    A tecnologia contempla imagens, vídeos, áudios e determinados textos. A marca busca resistir a modificações comuns, como corte, filtros e compressão, dentro das condições descritas pelo Google.

    O Gemini permite analisar imagem, vídeo e gravação em busca dessa marca. O usuário anexa o arquivo e pergunta se ele foi criado, alterado por IA do Google. A ferramenta informa quando encontra a assinatura SynthID.

    O Gemini também ganhou espaço em outros produtos do Google, como o Android 17, tema já abordado pelo Portal Nova Pauta.

    Veja como funciona a integração do Gemini ao Android 17

    Gemini identifica marca d’água SynthID em imagem gerada por inteligência artificial do Google
    Gemini identificou SynthID no teste feito pelo Portal Nova Pauta

    O Portal Nova Pauta realizou um teste durante a preparação desta reportagem. Uma imagem criada por inteligência artificial do Google foi enviada ao Gemini. A resposta informou que a marca SynthID estava presente e indicava geração, edição por ferramentas de IA da empresa.

    Esse teste comprova a identificação naquele arquivo específico. A falta da marca não prova que uma imagem seja real. Ela pode ter sido gerada em outro serviço, processada por ferramenta sem SynthID e submetida a transformações posteriores.

    Deepfakes de voz ganham atenção nas Eleições 2026

    Como identificar deepfake: o Tribunal Superior Eleitoral firmou, em agosto de 2026, acordo com a ElevenLabs para enfrentar deepfakes de voz nas Eleições Gerais.

    A parceria prevê proteção de vozes cadastradas, restrições contra clonagem não autorizada e apoio ao rastreamento de áudios suspeitos gerados nos sistemas da empresa. A iniciativa integra ações da Justiça Eleitoral contra desinformação.

    O Portal Nova Pauta também detalhou as regras para uso de inteligência artificial e conteúdos sintéticos na propaganda eleitoral de 2026

    O tema reforça a necessidade de cautela com gravações atribuídas a candidatos, autoridades e instituições. Um áudio convincente não deve ser aceito como autêntico apenas pela semelhança vocal.

    Recebeu conteúdo suspeito no WhatsApp? Faça estas checagens

    Mensagens encaminhadas criam ambiente favorável para golpes ao retirar parte da origem e acelerar a circulação. A Anatel mantém campanha de orientação sobre fraudes com vídeos, áudios e imagens manipuladas.

    Antes de encaminhar, siga este roteiro:

    • não faça pagamentos com base apenas em áudio, vídeo e mensagem recebida;
    • confirme pedidos de dinheiro em canal já conhecido;
    • pesquise nomes, frases e fatos citados;
    • faça busca reversa quando houver imagem;
    • procure a postagem original;
    • preserve prints, links e arquivos em caso de fraude;
    • avise a pessoa imitada quando identificar possível clonagem;
    • procure a instituição financeira rapidamente quando existir transferência indevida.

     

    Uma mensagem que exige ação imediata merece atenção redobrada. Golpistas exploram pressão emocional para reduzir o tempo de conferência.

    Como identificar deepfake: Método FONTE ajuda a organizar a verificação

    O Portal Nova Pauta reuniu as principais etapas desta apuração em um roteiro simples, chamado Método FONTE.

    F — Fonte: quem publicou o material?

    O — Origem: onde ele apareceu primeiro?

    N — Narrativa: data, local e história fazem sentido?

    T — Tecnologia: Lens, “Sobre esta imagem”, SynthID e ferramentas de procedência apresentam pistas?

    E — Evidências: fontes independentes confirmam a afirmação?

    O método não substitui perícia técnica. Ele organiza decisões básicas antes do compartilhamento e reduz a dependência de sinais visuais que podem envelhecer com o avanço dos geradores.

    infográfico Método FONTE apresenta cinco etapas para verificar conteúdo suspeito
    Método FONTE organiza cinco etapas de verificação.

    Como identificar deepfake: Perguntas frequentes 

    Como identificar um deepfake?

    Comece pela fonte, encontre a origem e confirme o contexto. Faça pesquisa reversa, examine inconsistências e busque registros independentes. Ferramentas técnicas ajudam na análise. Nenhum sinal isolado confirma uma falsificação.

    Como saber se um vídeo foi feito por inteligência artificial?

    Procure a publicação original, compare frames, teste pesquisa reversa e verifique procedência digital quando disponível. Observe sincronização labial, iluminação e objetos. Confirme a narrativa em fontes confiáveis antes de concluir.

    Como identificar voz clonada por IA?

    Voz sintética pode apresentar pausas, emoção estranha e pronúncia incomum. Modelos avançados conseguem reproduzir fala com alto realismo. Diante de pedido sensível, confirme a identidade por chamada, contato conhecido e encontro presencial.

    Existe detector de deepfake confiável?

    Existem ferramentas especializadas. Nenhuma deve funcionar como prova única. O desempenho muda conforme técnica, qualidade do arquivo e manipulações aplicadas. Use detectores dentro de uma checagem com contexto e procedência.

    Como saber se uma imagem foi criada por IA?

    Faça pesquisa reversa, consulte “Sobre esta imagem”, procure Content Credentials e avalie marcas compatíveis com a plataforma geradora. Examine detalhes visuais sem tratar defeitos como confirmação.

    O Google consegue identificar imagens criadas por IA?

    O Gemini consegue procurar SynthID em arquivos ligados às ferramentas de IA do Google. Um resultado positivo indica a presença da marca. Um resultado negativo não garante que a imagem tenha origem humana.

    Verificar antes de compartilhar protege você e outras pessoas

    A qualidade dos deepfakes tende a reduzir a distância visual entre material real e sintético. Esse cenário torna a verificação de origem cada vez mais importante.

    Não existe um detalhe mágico capaz de resolver toda dúvida. Fonte, contexto, procedência e confirmação independente formam defesa mais sólida. Quando a autenticidade permanecer incerta, a decisão mais segura é não ampliar a circulação.

    Em um ambiente onde conteúdos sintéticos circulam com facilidade, verificar antes de compartilhar também é uma forma de responsabilidade.


  • Consultar CNIS: veja contribuições e identifique erros no INSS

    Consultar CNIS: veja contribuições e identifique erros no INSS

    Colaboração editorial: Nahara Rodrigues

    Quem precisa consultar CNIS encontra no extrato um histórico de vínculos empregatícios, salários e contribuições registrados pelo INSS ao longo da vida profissional. Uma empresa ausente, um mês sem remuneração, uma data incorreta e uma contribuição abaixo do mínimo podem exigir conferência antes de um pedido de benefício.

    O Cadastro Nacional de Informações Sociais concentra dados usados pelo INSS em várias análises. A base reúne informações sobre filiação, tempo de contribuição, relação de emprego e cálculo do benefício. A Lei 8.213/1991 permite que o segurado solicite inclusão, exclusão e retificação de informações quando houver divergência comprovada.

    A consulta é gratuita e pode ser feita pelo Meu INSS. O ponto mais importante vem após o download. É preciso ler o extrato com atenção, comparar cada período com documentos pessoais e identificar registros que merecem análise cuidadosa.

    Este guia mostra como acessar o documento, quais campos conferir, como interpretar sinais de pendência e quais caminhos existem para pedir ajustes. A checagem não substitui a análise do INSS. Ela pode revelar inconsistências antes de uma aposentadoria, salário-maternidade, benefício por incapacidade e outros requerimentos. O Portal Nova Pauta também reuniu regras sobre BPC e Auxílio-Inclusão em um guia sobre direitos da pessoa com deficiência.

    O que é o CNIS e por que conferir o extrato

    O CNIS funciona como uma base central da vida previdenciária. Ele reúne vínculos empregatícios, remunerações, recolhimentos e outras informações relacionadas à Previdência Social. O INSS utiliza esses registros em etapas que influenciam reconhecimento de direitos e cálculo de benefícios.

    O artigo 29-A da Lei 8.213 determina que os dados do cadastro servem para comprovar filiação, tempo de contribuição e relação de emprego. A norma autoriza o segurado a pedir correção de dados divergentes mediante apresentação de documentos.

    Esse papel torna a conferência relevante mesmo para quem está longe da aposentadoria. Um problema descoberto cedo permite reunir carteira de trabalho, contrato, recibos, extratos e comprovantes com maior facilidade. Documentos antigos podem ficar difíceis de localizar após muitos anos.

    A leitura deve seguir uma ordem simples. O trabalhador pode começar pelas empresas registradas, avançar para datas de admissão e desligamento e conferir as remunerações mensais. Quem recolheu por conta própria precisa observar as competências e os valores lançados.

    A presença do vínculo no extrato não dispensa atenção aos detalhes. Um registro pode trazer data incorreta, remuneração ausente, indicador de pendência e valor inferior ao necessário para determinada competência. O documento precisa ser lido como histórico, não apenas como uma lista de empregadores.

    O próprio INSS informa que o extrato reúne vínculos, remunerações e contribuições encontrados no cadastro. A página oficial do serviço recebeu atualização em 13 de agosto de 2026, dado útil para quem encontra tutoriais antigos com telas diferentes.

    Como consultar o CNIS pelo Meu INSS

    O acesso pode ser feito pelo aplicativo Meu INSS e pela versão web. O serviço oficial orienta o usuário a entrar com CPF e senha da conta Gov.br. No campo “Do que você precisa?”, basta digitar “CNIS” e selecionar o Extrato de Contribuição.

    Consultar CNIS: tela do Meu INSS mostra acesso ao Extrato de Contribuições
    Extrato do CNIS está disponível no Meu INSS – Imagem: Reprodução/Meu INSS

    O documento fica disponível para download no próprio atendimento digital. A página do governo classifica a emissão como gratuita e informa atendimento imediato para a obtenção do arquivo.

    Existem três modelos de extrato. “Relações Previdenciárias” apresenta períodos trabalhados e contribuídos. “Relações Previdenciárias e Remunerações” acrescenta os valores registrados. “Ano Civil” organiza contribuições por ano a partir de novembro de 2019.

    Para uma conferência mais completa, o modelo com relações previdenciárias e remunerações tende a ser o mais útil. Ele permite cruzar empresa, período e valor recebido em cada competência. Quem deseja apenas verificar períodos pode usar a versão mais enxuta.

    Após baixar o arquivo, a conferência pode seguir este roteiro:

    1. Liste mentalmente as empresas em que trabalhou.
    2. Compare cada vínculo com a Carteira de Trabalho.
    3. Confira datas de entrada e saída.
    4. Observe meses sem remuneração dentro de vínculos ativos.
    5. Compare valores com contracheques disponíveis.
    6. Verifique contribuições feitas por conta própria.
    7. Procure indicadores e siglas próximos aos registros.
    8. Marque competências com valores muito baixos.
    9. Separe documentos dos períodos que apresentarem divergências.

     

    Uma lacuna isolada merece investigação. O mesmo vale para vínculo que começa meses após a contratação, remuneração incompatível com o contracheque e contribuição própria que não aparece no histórico.

    A consulta pode ser repetida periodicamente. Essa prática cria uma rotina simples de controle previdenciário e reduz a dependência de uma conferência feita apenas na véspera de pedir um benefício.

    Consultar-cnis-inss: como identificar erros e pendências no histórico

    Nem toda informação diferente do esperado representa um erro definitivo. O CNIS utiliza indicadores para sinalizar situações que podem exigir validação, comprovação, ajuste e análise técnica. O leitor precisa separar divergência aparente de pendência efetiva. A norma do INSS classifica indicadores em categorias de acerto, alerta e pendência.

    O teste inicial é comparar o extrato com documentos contemporâneos ao vínculo. A Carteira de Trabalho ajuda a verificar empregador e datas. Contracheques permitem conferir remunerações. Termo de rescisão, contrato e extrato do FGTS podem reforçar a comprovação de períodos.

    Alguns sinais justificam atenção:

    • empresa conhecida não aparece;
    • data de admissão não coincide com a registrada;
    • desligamento consta em período diferente;
    • existem meses sem remuneração dentro do contrato;
    • salário lançado difere bastante dos comprovantes;
    • recolhimento próprio não aparece;
    • existe indicador junto ao vínculo;
    • competência apresenta valor inferior ao piso aplicável.

     

    O trabalhador não deve apagar, alterar nem improvisar documentos para fazer uma correção. O pedido precisa ser sustentado por registros verdadeiros e compatíveis com a época discutida.

    A Lei 8.213 prevê tratamento específico quando existe dúvida sobre vínculo inserido no CNIS e faltam informações de remuneração e contribuição. Nessa situação, o INSS pode exigir documentos que deram suporte ao registro.

    A simulação de aposentadoria merece leitura cautelosa. Ela é uma ferramenta de estimativa e usa informações existentes nas bases previdenciárias. Uma simulação favorável não transforma automaticamente todo lançamento em dado validado para uma concessão.

    Auditoria do INSS aponta atenção para contribuições abaixo do mínimo

    Uma auditoria interna do INSS reforçou esse cuidado. O trabalho avaliou 457.702 benefícios dentro de quatro serviços no período de janeiro a maio de 2024. Em 32% dos requerimentos analisados havia contribuições inferiores ao salário mínimo no histórico contributivo. O recorte não representa 32% de todos os segurados brasileiros.

    A Auditoria-Geral identificou falhas de comunicação sobre essas contribuições e fragilidades em controles ligados ao aproveitamento de valores ajustados. O achado mostra por que a leitura do extrato pode ter efeito prático na preparação de um requerimento.

    Consultar CNIS: empresa ausente e meses faltando exigem documentos

    A ausência de uma empresa no CNIS não significa perda automática daquele tempo. A legislação permite pedir inclusão e retificação mediante comprovação. O tipo de prova varia conforme a categoria do segurado e a natureza da divergência.

    Para empregado, o INSS lista Carteira Profissional, CTPS, ficha de registro, contrato individual de trabalho e termo de rescisão. Extrato analítico do FGTS e recibos contemporâneos integram a relação. Outros registros produzidos na época podem contribuir para demonstrar a atividade.

    A responsabilidade pelo recolhimento precisa ser entendida corretamente. Empregado não deve receber uma orientação genérica para pagar sozinho uma contribuição que cabia à empresa.

    A Lei 8.213 estabelece regra própria para empregado, empregado doméstico e trabalhador avulso. Salários de contribuição devidos podem ser considerados mesmo sem recolhimento pelo responsável, respeitadas as exigências de comprovação.

    Contribuinte individual por conta própria e segurado facultativo seguem lógica diferente. Nessas categorias, a existência de recolhimento efetivo tem peso direto. Guias, carnês, GPS e comprovantes bancários ganham importância na conferência.

    O histórico profissional precisa ser analisado por categoria. Misturar as regras pode levar a pagamento indevido, perda de tempo e pedido mal instruído.

    A CTPS é uma peça importante. A documentação necessária depende do ponto contestado. Um vínculo ausente e uma remuneração incorreta não exigem necessariamente o mesmo conjunto de provas. Contracheques, registros da empresa e extratos podem ser decisivos para demonstrar valores.

    Se a documentação disponível for insuficiente, existe a Justificação Administrativa em hipóteses cabíveis. O procedimento busca preencher lacunas de prova e suprir insuficiência documental. O procedimento exige início de prova material. Testemunhos isolados não bastam.

    Guardar arquivos previdenciários em formato digital reduz risco de perda. CTPS, contratos, rescisões, holerites, GPS e extratos do FGTS podem formar um acervo pessoal útil durante toda a vida profissional.

    Siglas e contribuições abaixo do mínimo pedem atenção

    O CNIS apresenta indicadores que ajudam o INSS a identificar situações específicas. A existência de uma sigla não autoriza concluir que todo o período está perdido. O significado precisa ser lido dentro do contexto do vínculo e da competência.

    Entre os indicadores encontrados na documentação previdenciária está o PEXT, relacionado a vínculo com informação extemporânea passível de comprovação. O termo “extemporâneo” indica dado apresentado fora do prazo previsto nas regras do sistema. Informações inseridas fora do prazo ficam sujeitas à comprovação nas condições previstas pelo INSS.

    Outro indicador relevante envolve remuneração informada fora do prazo em situações específicas. A documentação oficial identifica PREM-EXT como pendência ligada a remuneração extemporânea em casos determinados de contribuinte individual prestador de serviço.

    Contribuições abaixo do mínimo exigem análise específica

    Consultar CNIS: Há siglas ligadas a competências com valor inferior ao salário mínimo, tema que ganhou peso após a Emenda Constitucional 103/2019.

    Para períodos alcançados pelas regras da reforma, a competência precisa atingir o limite mínimo nas condições previstas. O requisito influencia os efeitos previdenciários tratados pela norma.

    O serviço oficial apresenta três formas de ajuste. Elas envolvem complementação, uso de excedente de outra competência do mesmo ano civil e agrupamento de valores. Os ajustes processados ficam sujeitos às regras de irreversibilidade previstas pelo INSS.

    A regra não deve ser aplicada de maneira retroativa e indistinta a todo histórico. A norma do INSS preserva tratamento específico para empregado, empregado doméstico e trabalhador avulso em competências anteriores à reforma. Contribuinte individual, facultativo e segurado especial com contribuição facultativa seguem critérios próprios.

    A diferença explica por que um valor baixo no extrato não deve gerar pagamento imediato sem conferência. Data, categoria, soma das remunerações do mês e regra aplicável precisam ser avaliadas.

    A auditoria sobre contribuições inferiores ao mínimo recomendou ampliar a informação ao segurado, aperfeiçoar fluxos e fortalecer controles. O relatório mostra que essa questão não é meramente visual dentro do extrato. Ela pode interferir no reconhecimento de direitos se o tratamento exigido não estiver concluído.

    Como corrigir dados do CNIS e preparar a comprovação

    A correção depende do tipo de problema. A tabela oficial de canais do INSS recebeu atualização em junho de 2026. O serviço “Atualizar Vínculos e Remunerações e Código de Pagamento” aparece na Central 135 e nas agências. A tabela não marca esse serviço como disponível diretamente no Meu INSS.

    Consultar CNIS: homem analisa documento durante atendimento por telefone
    Comprovantes ajudam na análise de dados divergentes do CNIS – Imagem: Pexels

    Consultar CNIS: Atendimento presencial exige agendamento. O segurado pode usar a Central 135 para obter orientação sobre o serviço e verificar a necessidade de comparecimento.

    Os ajustes para alcance do salário mínimo previstos na EC 103/2019 seguem caminho diferente. O INSS disponibiliza esse serviço pelo Meu INSS. A área “Cadastro e Contribuições” do aplicativo mostra a opção destinada a esse tipo de ajuste.

    Essa diferença evita uma orientação comum e imprecisa: tratar qualquer problema no CNIS como algo corrigido pelo mesmo botão. Vínculo, remuneração, código de pagamento e contribuição abaixo do mínimo podem exigir rotas distintas.

    Antes de iniciar um pedido, organize os documentos por período. Uma pasta para cada empregador facilita a análise. Nomeie arquivos com ano, empresa e tipo de comprovante. Mantenha cópia legível dos documentos originais.

    Uma tabela pessoal pode ajudar:

    • empresa e CNPJ, se disponível;
    • data de admissão;
    • data de saída;
    • meses divergentes;
    • remuneração registrada;
    • remuneração comprovada;
    • indicador exibido;
    • documento que sustenta a correção.

     

    A correção prévia não é requisito absoluto para protocolar aposentadoria. O INSS pode analisar divergências durante um requerimento de benefício. A conferência antecipada tem outra função: reduzir surpresas e dar tempo para localizar provas.

    Dúvidas frequentes sobre correção do CNIS

    Como saber se meu CNIS está correto? Compare vínculos, datas, remunerações e contribuições com documentos da época. Registros ausentes, valores incompatíveis e indicadores merecem análise.

    Uma empresa que não aparece no CNIS faz o período desaparecer? Não de forma automática. A legislação admite inclusão e retificação quando o segurado comprova a informação divergente.

    Contribuição abaixo do salário mínimo sempre precisa de ajuste? A resposta depende da competência, da categoria do segurado e das regras vigentes no período. O extrato precisa ser analisado dentro desse contexto.

    Posso corrigir o CNIS antes da aposentadoria? Sim. A Lei 8.213 permite solicitar retificação a qualquer momento mediante documentos comprobatórios.

    O simulador do Meu INSS confirma que todo meu histórico está válido? Não. A ferramenta estima o cenário com dados existentes nas bases. A análise do benefício pode exigir validações e provas.

     

    O melhor momento para conhecer o CNIS é quando ainda há tempo para organizar a própria história profissional com calma. Conferir o documento transforma um cadastro distante em uma ferramenta de prevenção e ajuda a entender como anos de trabalho estão registrados na Previdência.

    Por trás de cada vínculo, remuneração e contribuição existe uma parte da trajetória de quem trabalhou, mudou de emprego, passou por períodos de instabilidade e construiu direitos ao longo do tempo. Guardar comprovantes e revisar essas informações pode evitar que uma pendência apareça justamente quando o trabalhador mais precisa de segurança.

    Cada dado conferido hoje pode representar menos preocupação no futuro. O cuidado com o CNIS não se resume à aposentadoria: ele também ajuda a preservar informações importantes para outros benefícios previdenciários e dá ao segurado mais clareza sobre a própria vida contributiva.

  • Semana da Pessoa com Deficiência: veja direitos e desafios

    Semana da Pessoa com Deficiência: veja direitos e desafios

    Colaboração editorial: Nahara Rodrigues

    A Semana da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla foi realizada entre 21 e 28 de agosto de 2026 em todo o país. Prevista na Lei nº 13.585/2017, a mobilização amplia o debate sobre inclusão social, políticas públicas, preconceito e discriminação.

    O tema alcança uma parcela expressiva da população. O Censo Demográfico 2022 identificou 14,4 milhões de brasileiros com algum impedimento de longo prazo relacionado às dimensões física, mental, intelectual e sensorial, de acordo com os critérios da pesquisa. O grupo representava 7,3% da população a partir de 2 anos de idade. Em Pernambuco, um estudo da Secretaria Estadual de Saúde baseado no Censo registrou 788.647 moradores nesse grupo, equivalentes a 8,9% da população nessa faixa etária.

    Os indicadores nacionais e estaduais abrangem perfis diversos. Eles dimensionam a presença desse público nas políticas públicas, sem indicar quantas pessoas apresentam deficiência intelectual associada a outro tipo. O Censo Demográfico mede dificuldades funcionais na população. O Censo Escolar utiliza categorias próprias para fins educacionais. Misturar as duas bases produziria uma equivalência estatística sem sustentação metodológica.

    A data cria um ponto de atenção para direitos que permanecem válidos durante todo o ano. Educação inclusiva, acesso ao trabalho, autonomia civil, benefícios assistenciais, transporte e tecnologia assistiva integram esse conjunto. A legislação brasileira estabelece garantias específicas, e os serviços públicos possuem regras próprias de acesso.

    A reportagem do Portal Nova Pauta cruzou a legislação federal, os dados do IBGE e orientações do Inep. A apuração reuniu regras trabalhistas, benefícios assistenciais e políticas de Pernambuco. O objetivo é reunir respostas práticas para dúvidas recorrentes e separar direitos previstos de serviços que exigem cadastro, avaliação e critérios específicos.

    O que é a Semana da Pessoa com Deficiência

    A Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla ocorre anualmente entre 21 e 28 de agosto. A Lei nº 13.585/2017 determina a produção de conteúdos voltados à inclusão social, às políticas públicas e ao enfrentamento da discriminação. A campanha da Federação Nacional das Apaes antecede a norma federal e é desenvolvida pela entidade desde 1963.

    Na mobilização de 2026, a Rede Apae utilizou a mensagem “Deficiência não define. Oportunidade transforma. Inclua nossa voz!”. Publicações da própria rede apresentam o lema como eixo para autonomia, participação e reconhecimento das diferentes formas de expressão das pessoas atendidas.

    O lema da entidade não integra o texto da lei. A norma federal fixa o período e os objetivos gerais da Semana. Essa distinção evita tratar uma campanha institucional como slogan jurídico nacional.

    A discussão ganha relevância diante da diversidade existente dentro do próprio conceito legal. A Lei Brasileira de Inclusão considera impedimentos de longo prazo de natureza física, mental, intelectual e sensorial. A definição observa barreiras capazes de restringir a participação plena na sociedade.

    Deficiência intelectual e múltipla têm características distintas

    A deficiência intelectual está relacionada a limitações significativas no funcionamento intelectual e no comportamento adaptativo. Essas limitações podem alcançar habilidades conceituais, sociais e práticas, com manifestação no período de desenvolvimento. A condição não elimina, por si só, direitos civis, capacidade de participação social nem possibilidade de inserção profissional.

    A classificação múltipla indica a associação de pelo menos dois tipos de impedimento reconhecidos nos registros. O Censo Escolar registra automaticamente essa condição quando mais de uma categoria é declarada para o estudante. A expressão não deve ser usada como sinônimo automático de maior gravidade. Combinações, necessidades de apoio e barreiras variam entre indivíduos.

    Diagnóstico médico, síndrome e condição funcional não são conceitos equivalentes. O Inep orienta que a declaração educacional considere a manifestação presente em cada caso. A Síndrome de Down aparece nas orientações como condição frequentemente associada a limitações intelectuais. O diagnóstico não gera classificação automática em todos os registros escolares.

    Essa leitura coloca as barreiras do ambiente no centro da discussão. Uma pessoa pode precisar de apoio pedagógico, comunicação acessível, tecnologia assistiva, adaptação de tarefas, recursos de mobilidade e suporte para decisões. A necessidade deve ser observada de maneira individualizada.

    Educação, trabalho e autonomia fazem parte dos direitos

    A educação inclusiva reúne garantias que alcançam matrícula, permanência, participação e aprendizagem. O Atendimento Educacional Especializado, conhecido pela sigla AEE, possui caráter complementar à escolarização dos estudantes elegíveis. A matrícula no AEE não substitui a presença na classe comum.

    Uma dúvida frequente envolve a exigência de laudo médico. As orientações vigentes do Inep informam que a escola não pode condicionar matrícula, acesso ao AEE nem declaração ao Censo Escolar à apresentação desse documento. O Decreto nº 12.686/2025 e a Portaria MEC nº 421/2026 sustentam essa vedação. O planejamento educacional pode usar estudo de caso e instrumentos pedagógicos.

    Semana da Pessoa com Deficiência em reunião profissional com participação de trabalhador em cadeira de rodas
    Participação em ambiente profissional – Imagem: Kampus Production/Pexels.

    A entrada no mercado formal possui proteção específica. O artigo 93 da Lei nº 8.213/1991 determina reserva de 2% a 5% dos postos para pessoas com deficiência e beneficiários reabilitados. A regra alcança empresas a partir de 100 empregados. A faixa reservada aumenta com o tamanho do quadro funcional.

    A contratação representa apenas uma parte do direito ao trabalho. A Lei Brasileira de Inclusão protege igualdade de oportunidades, ambiente acessível, condições justas e vedação de discriminação ligada a impedimentos de longo prazo. O debate sobre inclusão profissional envolve permanência, desenvolvimento de carreira, adaptações razoáveis e participação nas rotinas da empresa.

    Autonomia civil preserva o direito de decidir

    A autonomia civil merece atenção especial em casos de comprometimento intelectual. A Lei Brasileira de Inclusão assegura capacidade legal em igualdade de condições com as demais pessoas. A curatela tem caráter extraordinário, deve ser proporcional às necessidades do caso e alcança atos de natureza patrimonial e negocial nos limites definidos judicialmente.

    A legislação prevê a tomada de decisão apoiada. Nesse mecanismo, a própria pessoa escolhe pelo menos duas pessoas de confiança para fornecer elementos e informações em decisões da vida civil. A ferramenta preserva o protagonismo de quem recebe o apoio.

    BPC e trabalho podem coexistir dentro de regras específicas

    O Benefício de Prestação Continuada garante um salário mínimo mensal à pessoa com deficiência de baixa renda que cumpra os critérios legais. O benefício não exige contribuição prévia ao INSS. A página oficial do serviço informa renda familiar de até um quarto do salário mínimo por pessoa como critério administrativo. O cálculo utiliza dados do Cadastro Único e dos sistemas do INSS.

    O início de atividade remunerada pode suspender o BPC. Essa suspensão não significa perda definitiva do vínculo com a proteção assistencial. Existe uma política específica para estimular a entrada de beneficiários no mercado de trabalho: o Auxílio-Inclusão.

    O Auxílio-Inclusão corresponde a meio salário mínimo. A regra alcança beneficiários do BPC que ingressam em atividade remunerada e atendem aos requisitos legais, com renda do trabalho de até dois salários mínimos. Pessoas que receberam BPC nos cinco anos anteriores ao início da atividade remunerada podem entrar na análise. O acesso depende do cumprimento das demais exigências.

    O cadastro no CadÚnico precisa estar atualizado, e o CPF deve estar regular. O interessado pode solicitar o benefício pelos canais do INSS. O Ministério do Desenvolvimento informa possibilidade de concessão automática em algumas hipóteses. O sistema precisa identificar recebimento de BPC, renda de atividade remunerada e cumprimento dos requisitos.

    A saída do trabalho permite pedido de reativação do BPC nos casos previstos. O Ministério do Desenvolvimento informa que o restabelecimento não exige nova avaliação no momento da reativação. Uma reavaliação pode ser agendada quando o beneficiário esteja há mais de dois anos sem passar por esse procedimento.

    Essas regras tornam arriscadas frases simplificadas como “quem recebe BPC não pode trabalhar”. O correto é verificar cada caso, a renda, o histórico do benefício e os critérios vigentes na análise de pedidos administrativos.

    Leia também: Tarifa Social da Compesa: veja quem tem direito em 2026

    Pernambuco reúne quase 789 mil pessoas no levantamento

    O recorte estadual mostra uma população expressiva. O estudo “Perfil epidemiológico estratificado da pessoa com deficiência do Estado de Pernambuco” contabilizou 788.647 moradores no grupo analisado. O trabalho foi elaborado por profissionais da Secretaria Estadual de Saúde. O número representa 8,9% da população pernambucana a partir de 2 anos de idade.

    Recife concentrava 122.531 registros. Jaboatão dos Guararapes aparecia com 57.399, e Caruaru registrava 29.897. Municípios menores apresentavam percentuais elevados em relação ao total de moradores. Gameleira chegou a 15,4%; Sairé, a 13,8%; Joaquim Nabuco e Ingazeira, a 13,4%; Iati, a 13,3%.

    Os números abrangem diferentes perfis funcionais. Eles não podem ser apresentados como estimativa específica da população com comprometimento intelectual e múltiplo. O próprio estudo estadual trabalha com dificuldades funcionais captadas pelo Censo e ressalta diferenças territoriais importantes para planejamento de políticas públicas.

    Política estadual amplia direitos e acesso a serviços

    Semana da Pessoa com Deficiência em imagem de mãos unidas ligada à participação social
    Direitos, participação e inclusão social – Imagem: Atlantic Ambience/Pexels.

    Pernambuco possui uma Política Estadual da Pessoa com Deficiência desde 2012. A Lei nº 19.170, publicada em janeiro de 2026, ampliou objetivos ligados à tecnologia assistiva, autonomia, independência e inclusão social. O texto prevê estudos periódicos sobre necessidades e plataformas digitais acessíveis. A norma determina a criação de banco estadual de tecnologias assistivas com fornecedores, preços, características técnicas e avaliações de usuários.

    A presença dessas medidas no texto legal não comprova execução integral de cada instrumento previsto. A reportagem separa previsão normativa, programa anunciado e serviço disponível em canal oficial. Essa distinção preserva a precisão da apuração documental e cria uma referência para futuras atualizações sobre implementação, cobertura territorial e acesso efetivo.

    O transporte integra a rede de serviços estaduais. O VEM Livre Acesso Metropolitano atende esse público na Região Metropolitana do Recife. O procedimento passa pelo CRAS, documentação e avaliação da área responsável. A página oficial detalha formulário médico, documentos pessoais e perícia para o processo.

    Fora da Região Metropolitana, o cartão PE Livre Acesso Intermunicipal garante gratuidade no transporte coletivo intermunicipal aos beneficiários enquadrados nas regras do programa. A existência do direito não dispensa cadastro e atendimento aos requisitos administrativos.

    A edição de 2026 terminou em 28 de agosto. Os direitos discutidos nesse período permanecem presentes na rotina de quem busca escola acessível, emprego, renda, deslocamento, autonomia e participação social. Uma política inclusiva ganha significado concreto quando a pessoa consegue estudar, trabalhar e circular pela cidade. A autonomia inclui decisões sobre a própria vida com os apoios necessários.

  • Crise das Casas Bahia: fechamento de lojas muda cenário para clientes

    Crise das Casas Bahia: fechamento de lojas muda cenário para clientes

    Colaboração editorial: Nahara Rodrigues

    A crise das Casas Bahia ganhou um novo capítulo em agosto de 2026. O Grupo Casas Bahia protocolou pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo, confirmou o fechamento de 298 lojas e divulgou prejuízo bilionário no 2º trimestre. A combinação expôs a dimensão da reestruturação que reduz a presença física da varejista.

    Em Olinda, imagens registradas pelo Portal Nova Pauta mostram a unidade do Shopping Patteo com as portas metálicas abaixadas. O interior permanece visível atrás das grades, com produtos expostos e parte da estrutura preservada. O registro confirma a loja fechada no momento das imagens, sem comprovar encerramento definitivo nem vínculo formal com a lista nacional de 298 pontos.

    O pedido judicial reúne o Grupo Casas Bahia e nove subsidiárias. A petição informa cerca de R$ 17,3 bilhões em créditos sujeitos ao processo. A companhia busca reorganizar passivos, preservar caixa, manter canais de venda ativos e concentrar recursos em operações com melhor retorno. Até o fechamento desta apuração, não havia confirmação pública localizada de deferimento do processamento.

    Os números da crise exigem cuidado. A dívida líquida financeira fechou junho perto de R$ 1,2 bilhão. O pedido apresenta R$ 17,3 bilhões em créditos sujeitos à recuperação. A exposição informada supera R$ 27,8 bilhões quando entram valores classificados como extraconcursais. Cada indicador mede uma parte diferente da estrutura financeira e não deve ser apresentado como se representasse a mesma obrigação.

    O que levou as Casas Bahia a esse ponto

    O balanço do 2º trimestre de 2026 registrou prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões. Cerca de R$ 9,1 bilhões vieram de efeitos contábeis não recorrentes, sem saída equivalente de caixa naquele período. O resultado ajustado ficou negativo em R$ 978 milhões. A diferença impede uma leitura superficial do balanço e mantém evidente a fragilidade da operação.

    A companhia chegou a oito trimestres seguidos de prejuízo. O patrimônio líquido ficou negativo em torno de R$ 8,1 bilhões. A receita continuou bilionária. A geração de caixa não acompanhou a pressão dos passivos, do custo financeiro e das necessidades operacionais.

    A administração atribui parte da deterioração a juros elevados, crédito restrito, custo financeiro maior e pressão sobre o consumo. A dificuldade para concluir alternativas de liquidez agravou o quadro. Bens duráveis dependem de parcelamento, renda disponível e acesso a financiamento. Esse modelo torna o varejo de móveis e eletrodomésticos sensível a ciclos de crédito mais caros.

    Os dados nacionais ampliam a análise. O IBGE registrou crescimento de 7,5% nas vendas de móveis e eletrodomésticos em junho de 2026 frente ao mesmo mês de 2025. O segmento acumulava alta de 3,8% no primeiro semestre. O desempenho indica que a crise do grupo não pode ser explicada apenas pelo comportamento geral da categoria.

    Estoques e lojas entram no ajuste da operação

    Crise das Casas Bahia em imagem ampla da loja registrada fechada no Shopping Patteo
    Unidade das Casas Bahia registrada fechada em Olinda – Foto: Rafael Barreto/Portal Nova Pauta

    Crise das Casas Bahia: a estrutura de capital, as despesas financeiras e a necessidade de caixa formam outra parte do problema. Reposição de mercadorias e tamanho da operação física completam o diagnóstico. O grupo reduziu compras de estoque diante das limitações financeiras. O indicador de dias de estoque caiu de 95 no fim de março para 75 no encerramento de junho. A menor disponibilidade atingiu produtos, lojas e canais de venda.

    O fechamento das 298 unidades aparece dentro dessa tentativa de redimensionamento. O corte representa redução próxima de 30% na base considerada pela companhia. A direção busca concentrar capital em pontos, categorias e canais com maior contribuição econômica. A estratégia reduz despesas fixas e altera uma característica histórica da marca: a extensa presença física.

    A recuperação de 2024 não encerrou a pressão financeira

    A Casas Bahia já havia recorrido a uma recuperação extrajudicial em 2024. O processo abrangia aproximadamente R$ 4,1 bilhões em créditos financeiros. O plano reorganizou vencimentos e reduziu a pressão de pagamentos prevista para os anos seguintes.

    A recuperação extrajudicial possui alcance diferente da recuperação judicial. Ela parte de negociação estruturada com determinados credores e segue regras específicas da Lei 11.101. O processo de 2026 alcança obrigações mais amplas sob acompanhamento do Judiciário.

    O acordo de 2024 não deve ser descrito como fracasso automático. A renegociação cumpriu a função de reperfilar parte da dívida naquele momento. Entre 2024 e 2026, prejuízos recorrentes, crédito restrito e necessidade de capital voltaram a pressionar a estrutura.

    O pedido atual inclui créditos trabalhistas, valores com microempresas e empresas de pequeno porte, grande volume de créditos sem garantia e compromissos classificados fora do plano. A empresa pediu medidas destinadas a preservar recebíveis, mercadorias em trânsito e recursos necessários à operação.

    Estoque virou um dos pontos centrais da crise

    Crise das Casas Bahia: a redução dos estoques ganhou peso porque varejo sem mercadoria disponível perde venda rapidamente. Menor sortimento limita escolhas, reduz giro e pode enfraquecer a receita. Fornecedores passam a observar com maior atenção a capacidade de pagamento e a relação comercial.

    A companhia busca estruturar financiamento DIP de cerca de R$ 1 bilhão. Esse tipo de crédito pode fornecer dinheiro novo a uma empresa em recuperação, com regras próprias de prioridade e proteção. O recurso citado pela administração serviria para reforçar caixa e recompor estoques. A captação ainda não estava concluída no fechamento desta reportagem.

    A petição judicial mostra preocupação com retenções de recebíveis de cartões e Pix ligadas a contratos financeiros. A empresa afirma que um bloqueio amplo desses fluxos poderia atingir parcela relevante da entrada mensal de caixa.

    A capacidade de manter mercadorias disponíveis será um dos indicadores mais importantes para medir a recuperação operacional. Uma rede pode cortar lojas e despesas. A retomada exige sortimento, entrega, confiança de fornecedores e recorrência de clientes para gerar resultado consistente.

    A história começou com crédito popular

    A trajetória da Casas Bahia se confunde com a expansão do consumo parcelado no Brasil. Samuel Klein, imigrante polonês, chegou ao país no início da década de 1950. Ele começou vendendo produtos de porta em porta na região do ABC paulista. A primeira loja ligada à marca surgiu em São Caetano do Sul em 1957.

    O crediário virou parte central do modelo. A empresa construiu relacionamento com consumidores que tinham acesso limitado ao sistema bancário tradicional. Prestações adaptadas à renda, presença física e atendimento popular ajudaram a criar uma base extensa de clientes.

    A estratégia transformou uma operação regional em um dos nomes mais conhecidos do varejo nacional. A marca ganhou escala com móveis, eletrodomésticos, eletrônicos, campanhas publicitárias e grandes lojas. O carnê passou a simbolizar a relação da rede com famílias de diferentes faixas de renda.

    Esse passado cria um contraste com 2026. O crédito foi motor histórico do crescimento da companhia. O custo do dinheiro e a restrição financeira aparecem entre os fatores que pressionam sua estrutura atual. A área que ajudou a expandir o negócio passou a exigir disciplina maior de capital.

    O legado de Samuel Klein contém uma parte controversa. Investigações da Agência Pública reuniram relatos e documentos com acusações graves de abuso e exploração sexual atribuídas ao empresário, morto em 2014. Klein não foi condenado por essas acusações. O tema integra a história pública do fundador, sem relação direta com o desempenho atual do grupo.

    Crise das Casas Bahia: da família Klein ao controle atual

    A Casas Bahia deixou de ser uma empresa controlada pela família fundadora. A transformação societária passou por diferentes etapas. Em 2009, ocorreu a associação entre as operações de Ponto Frio e Casas Bahia. A estrutura recebeu o nome Via Varejo em 2012.

    O GPA vendeu sua participação em 2019, deixando a companhia sem controlador definido naquele momento. A empresa passou a usar a denominação Grupo Casas Bahia em 2023. A estrutura acionária mudou novamente nos anos seguintes.

    A composição acionária publicada pelo grupo informa que a Domus VII Participações detém 82,11% das ações ordinárias. A Mapa Capital aparece na documentação institucional como controladora indireta. A família Klein não exerce mais o controle societário.

    Raphael Oscar Klein, neto de Samuel Klein, permanece no Conselho de Administração. Sua presença mantém um vínculo da família com a governança, sem equivaler ao comando acionário. A distinção esclarece quem controla as Casas Bahia.

    Renato Carvalho do Nascimento preside o Conselho de Administração. Renato Horta Franklin ocupa a função de CEO. Sírley Lima assumiu a vice-presidência Jurídica, Tributária, Compliance e Controles Internos em 17 de agosto de 2026. O registro temporal não prova vínculo causal entre a mudança e o pedido de recuperação.

    Crise das Casas Bahia: recuperação judicial não significa falência

    A recuperação judicial busca criar condições para uma empresa em crise reorganizar dívidas e preservar a atividade econômica. A Lei 11.101 separa esse procedimento da falência. O simples protocolo do pedido não representa liquidação da companhia.

    O processamento depende de decisão judicial. A legislação prevê suspensão de determinadas execuções a partir do deferimento. O período de proteção dura 180 dias e admite prorrogação excepcional. O plano precisa ser apresentado em até 60 dias da publicação da decisão que deferir o processamento.

    Credores podem apresentar objeções. A negociação pode envolver prazos, descontos, venda de ativos, financiamento e capitalização de créditos. O desenho final depende do processo e das classes de credores.

    O risco não desaparece com o pedido. Uma recuperação depende de execução operacional, acesso a capital, apoio suficiente dos credores e capacidade de cumprir o plano aprovado. Uma deterioração mais profunda pode levar a cenários mais severos previstos na legislação.

    A expectativa da administração é manter a operação e reduzir a estrutura para recuperar rentabilidade. O grupo prevê foco em categorias com melhor margem, menor capital empregado e disciplina de investimentos. A eficácia dessa estratégia aparecerá nos próximos balanços, nos estoques e na geração de caixa.

    Crise das Casas Bahia em infográfico com lojas fechadas, passivos, prejuízo, dívida líquida e controle acionário
    Os principais números da crise das Casas Bahia – Arte: Portal Nova Pauta

    Fechamento de lojas muda a presença física da marca

    Crise das Casas Bahia: as 298 lojas fechadas representam uma das faces mais visíveis da reestruturação. O corte atinge uma companhia que construiu parte de sua força comercial pela capilaridade física. Milhares de trabalhadores foram desligados durante a reorganização, com números diferentes conforme o período analisado.

    A petição e declarações da gestão citam cerca de 3 mil desligamentos. Levantamentos feitos nos primeiros dias dos cortes apontaram quantidade menor, baseada em etapa anterior. O dado exige período e fonte para evitar contradição artificial.

    Em Pernambuco, o Portal Nova Pauta registrou a unidade do Shopping Patteo, em Olinda, com as portas fechadas. As imagens mostram a fachada e o interior da loja. O material não confirma encerramento definitivo, vínculo formal com a relação das 298 unidades nem número de trabalhadores afetados naquele ponto.

    A fotografia mostra um efeito concreto da reestruturação em Pernambuco. Um ponto físico fechado altera rotinas de compra, retirada, troca e atendimento. Clientes precisam identificar canais ativos da companhia quando uma loja de referência não está disponível.

    Fiz uma compra recente: o que devo fazer

    Crise das Casas Bahia: quem recebeu o produto e mantém parcelas abertas deve continuar pagando nos termos do contrato. O pedido de recuperação judicial não cancela carnê, financiamento nem outras obrigações assumidas pelo cliente. A interrupção unilateral pode gerar cobrança, juros contratuais e consequências previstas no acordo.

    Quem comprou e não recebeu precisa guardar nota fiscal, comprovante de pagamento, número do pedido, prazo prometido, prints da oferta e registros de atendimento. A documentação ajuda a comprovar as condições da compra em casos de atraso, cancelamento indevido e disputa sobre entrega.

    O artigo 35 do Código de Defesa do Consumidor garante caminhos em casos de descumprimento da oferta. O cliente pode exigir o cumprimento, aceitar produto equivalente e rescindir a compra com restituição dos valores pagos, conforme a escolha prevista na lei.

    Compras feitas fora do estabelecimento comercial possuem direito de arrependimento em sete dias, contado nas condições previstas pelo artigo 49 do CDC. A regra alcança contratos feitos pela internet e por outros meios fora da loja física.

    A garantia do produto não desaparece com o fechamento de uma unidade. O vínculo existe com o fornecedor e segue as regras do CDC. O consumidor deve procurar os canais oficiais da empresa e manter protocolos. Consumidor.gov.br e Procons podem servir como vias de reclamação quando a tentativa direta não resolve o conflito.

    Reembolsos, indenizações e outros créditos contra empresas incluídas no processo exigem análise da data, da origem e da classificação do valor. Um crédito sujeito à recuperação pode receber tratamento previsto no plano. O cliente não deve presumir prazo de pagamento sem verificar a natureza do crédito.

    Pretendo comprar nas Casas Bahia: quais cuidados fazem sentido

    A rede continua operando em lojas remanescentes, site, aplicativo e marketplace. O quadro financeiro recomenda atenção adicional em compras de alto valor e entregas com prazo extenso. A orientação representa prudência diante da reestruturação e não configura recomendação de boicote.

    O primeiro cuidado está no estoque. O cliente pode confirmar disponibilidade, data prevista de entrega e condição de retirada. Uma mercadoria pronta para retirada apresenta dinâmica diferente de um item dependente de reposição futura. A redução dos estoques divulgada pela empresa torna essa checagem mais relevante.

    No marketplace, o nome do vendedor merece atenção. A plataforma reúne itens vendidos diretamente pelo grupo e produtos comercializados por parceiros. A identificação do responsável pela venda ajuda a definir atendimento, entrega e responsabilidades em eventual problema.

    Comprovantes precisam ficar guardados. Nota fiscal, pedido, oferta, prazo, protocolo e comunicação com o atendimento formam um histórico útil. Pagamentos devem ser feitos apenas em canais oficiais, com conferência do beneficiário e das condições apresentadas.

    Compras parceladas exigem leitura do contrato, custo total e impacto no orçamento familiar. A crise da empresa não elimina a necessidade de planejamento financeiro. O consumidor precisa comparar preço, prazo, disponibilidade e capacidade de pagamento antes de assumir dívida de longo prazo.

    Quem tem BHIA3 precisa acompanhar quais pontos

    As ações BHIA3 reagiram de forma intensa ao pedido judicial. Em 17 de agosto, os papéis fecharam com queda próxima de 33%, refletindo a percepção de risco ligada à reestruturação. A cotação muda diariamente e não deve ser tratada como indicador isolado do futuro da empresa.

    Acionistas precisam acompanhar a decisão judicial, o plano de recuperação, o financiamento DIP, a geração de caixa e a evolução dos estoques. Relação com fornecedores e próximos balanços entram no mesmo radar.

    Conversões de dívida em ações e aumentos de capital podem provocar diluição. O risco merece atenção, sem indicar que nova diluição esteja definida.

    A recuperação judicial não representa recomendação automática de compra nem de venda. BHIA3 passa a carregar riscos elevados ligados à execução do plano, à estrutura de capital e ao desempenho operacional. Qualquer decisão de investimento precisa considerar perfil de risco, horizonte financeiro e análise própria.

    O que pode acontecer com as Casas Bahia

    Um cenário envolve aprovação de uma reorganização capaz de alongar passivos, reforçar liquidez e recuperar a operação com uma rede menor. Esse caminho depende de estoques suficientes, fornecedores ativos, disciplina de custos e geração de caixa.

    Outro cenário envolve reestruturação prolongada, com venda de ativos, captações adicionais, novas negociações e ajustes na estrutura de capital. A marca seguiria em operação sob configuração mais enxuta, com peso maior dos canais digitais e dos serviços financeiros. A gestão já declarou intenção de concentrar recursos nas atividades de maior retorno.

    Um cenário de deterioração exigiria medidas mais duras caso a empresa não consiga sustentar caixa, abastecimento e compromissos definidos no processo. A legislação prevê caminhos que podem chegar à falência em casos de descumprimento de requisitos centrais. Esse desfecho não está determinado pelo pedido atual.

    A página institucional de história do Grupo Casas Bahia descreve 2026 como um “novo ciclo de expansão”. O texto cita monetização da plataforma, crédito, serviços, logística e omnicanalidade rentável. Agosto trouxe redução da rede física e pedido de recuperação judicial. O contraste revela a velocidade da mudança financeira.

    As grades abaixadas no Shopping Patteo oferecem uma imagem concreta dessa transformação. Atrás delas permanecem televisores, móveis, eletrodomésticos e uma marca reconhecida por gerações de consumidores. O futuro dependerá menos do tamanho histórico da rede e mais da capacidade de reconstruir caixa, abastecimento e confiança.

    A Casas Bahia cresceu levando crédito a famílias que buscavam acesso a bens duráveis. A primeira loja surgiu há quase sete décadas. A empresa tenta preservar o próprio negócio por meio de uma reorganização financeira profunda. O processo atual não encerra essa história. Ele abre uma fase decisiva para clientes, trabalhadores, fornecedores, credores e acionistas.

  • Propaganda eleitoral 2026: veja o que pode e o que não pode na campanha

    Propaganda eleitoral 2026: veja o que pode e o que não pode na campanha

    Colaboração editorial: Nahara Rodrigues

    A propaganda eleitoral 2026 entrou na última semana antes do primeiro turno, marcado para domingo (4). Candidaturas, partidos, federações e coligações enfrentam uma sequência de prazos para encerrar diferentes modalidades de campanha nas ruas, na internet, no rádio, na televisão e na imprensa. A legislação estabelece limites para materiais impressos, comícios, carros de som, redes sociais, impulsionamento e uso de inteligência artificial.

    O primeiro turno ocorre em 4 de outubro. A propaganda gratuita no rádio e na televisão termina nesta quinta-feira (1º), mesma data-limite para comícios e impulsionamento pago na internet. Outros atos de campanha seguem permitidos até a véspera da votação, conforme a modalidade.

    A Resolução TSE nº 23.610/2019 concentra as principais normas e recebeu atualizações para as Eleições 2026. A apuração do Portal Nova Pauta cruzou a regulamentação atual com as regras de 2024 e com orientações do Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE).

    O cruzamento identificou medidas novas e regras que já valiam no pleito anterior. Em 2026, o TSE acrescentou restrições para ambientes de trabalho, ampliou exigências de acessibilidade e criou novos limites para sistemas de inteligência artificial.

    A Justiça Eleitoral já proibia deepfake destinado a beneficiar uma candidatura e prejudicar concorrentes em 2024. A identificação de determinados conteúdos sintéticos fazia parte das regras das eleições municipais daquele ano.

    Campanha entra nos últimos prazos antes da votação

    A reta final começa nesta quinta-feira (1º) com o encerramento de diferentes formas de propaganda. O horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão termina nessa data. Comícios também ficam permitidos somente até quinta, entre 8h e meia-noite. O comício de encerramento pode avançar por mais duas horas.

    A propaganda eleitoral paga e impulsionada na internet também termina em 1º de outubro. Na sexta-feira (2), encerra-se a propaganda paga em jornais e revistas. Caminhadas, carreatas, passeatas e distribuição de material gráfico podem continuar até as 22h de sábado (3).

    Início da propaganda eleitoral 2026 e horários permitidos

    A Justiça Eleitoral liberou as ações de campanha nas ruas e na internet em 16 de agosto. Cada modalidade segue horários e condições próprios.

    Bandeiras, mesas e equipamentos de som

    As campanhas podem instalar bandeiras e mesas móveis para distribuição de material em vias públicas entre 6h e 22h. Esses equipamentos não podem bloquear pedestres, veículos, rampas, acessos nem pisos táteis.

    A norma autoriza alto-falantes e amplificadores até a véspera da votação, das 8h às 22h. A campanha deve respeitar uma distância mínima de 200 metros de hospitais, casas de saúde e determinados prédios públicos.

    Escolas, bibliotecas, igrejas e teatros entram nessa restrição durante o funcionamento. A regra busca preservar serviços e atividades desenvolvidos nesses locais.

    Propaganda eleitoral 2026: comícios, carros de som e atos de rua

    Candidatos e partidos podem realizar comícios e utilizar aparelhagem fixa de som até quinta-feira (1º), das 8h à meia-noite. O comício de encerramento pode avançar por mais duas horas.

    A norma restringe o uso de trios elétricos. A campanha pode utilizá-los para sonorizar comícios. O veículo não pode se transformar em instrumento permanente de circulação promocional.

    Carros de som e minitrios podem acompanhar carreatas, caminhadas e passeatas. A legislação permite o uso em reuniões e comícios. O limite sonoro chega a 80 decibéis, medidos a sete metros do veículo.

    A distribuição de material gráfico, as caminhadas, carreatas e passeatas podem ocorrer até as 22h de sábado (3), véspera da votação. O impulsionamento pago na internet termina nesta quinta-feira (1º).

    O que pode ser feito nas ruas, nos carros e com material impresso

    Propaganda eleitoral 2026 com santinhos espalhados em calçada após eleição
    Derrame de santinhos perto de locais de votação é irregular – Imagem: Rovena Rosa/Agência Brasil

    Propaganda eleitoral 2026: Candidaturas não podem distribuir folhetos, volantes, adesivos e outros impressos sem licença municipal nem autorização prévia da Justiça Eleitoral.

    Cada peça precisa trazer CPF/CNPJ de quem produziu o material, CPF/CNPJ de quem contratou o serviço e a tiragem. Esses dados ajudam a identificar responsáveis e permitem fiscalizar os gastos de campanha.

    Braille amplia acessibilidade em 2026

    Uma mudança deste ano atinge materiais das disputas majoritárias. As campanhas precisam oferecer folhetos e volantes em Braille numa proporção ligada ao percentual de eleitores com deficiência visual da circunscrição.

    A medida alcança materiais relacionados às eleições para presidente, governador e senador. A exigência amplia o acesso de pessoas com deficiência visual às propostas apresentadas durante a disputa.

    Adesivos e propaganda em veículos

    Automóveis particulares podem exibir adesivos de até 0,5 metro quadrado. O para-brisa traseiro pode receber adesivo microperfurado em toda a extensão.

    A campanha não pode reunir várias peças pequenas para criar um conjunto visual acima do tamanho permitido. A Justiça considera o efeito produzido pela composição.

    O proprietário de um bem particular deve ceder o espaço de forma espontânea e gratuita. A legislação impede pagamento pela instalação de material autorizado em residência, veículo e demais bens privados.

    Em Pernambuco, o TRE-PE orienta que carros cadastrados em aplicativos de mobilidade, como Uber e 99, entram na categoria de bens de uso comum para essa finalidade. Esses veículos não podem circular com propaganda de candidatos durante a prestação do serviço. A restrição alcança táxis.

    Caminhadas, passeatas e carreatas seguem liberadas dentro do calendário. A campanha precisa observar regras de trânsito, segurança e utilização dos espaços urbanos.

    O custeio de combustível pela candidatura em atos com veículos exige controles específicos sobre a despesa. A Justiça pode exigir comunicação prévia para acompanhar esses gastos.

    Bandeiras podem ocupar as vias nos horários autorizados. Mesas destinadas à entrega de materiais precisam permanecer móveis. A regra permite manifestação política sem transformar calçadas e ruas em estruturas permanentes de publicidade.

    Leia também: Patrimônio de Flávio Bolsonaro chega a R$ 8,1 milhões no TSE

    Outdoor, brindes, showmício e propaganda no trabalho são proibidos

    Propaganda eleitoral 2026: a Justiça Eleitoral proíbe outdoor de campanha em formato físico e eletrônico. A restrição alcança estruturas e conjuntos de peças capazes de produzir impacto visual semelhante ao de um painel tradicional.

    A multa varia de R$ 5 mil a R$ 15 mil. A autoridade competente pode determinar a retirada da publicidade irregular.

     

    Efeito visual pode caracterizar outdoor

    A jurisprudência do TSE analisa o resultado visual da peça, não somente o formato físico. Uma estrutura diferente de um painel convencional pode infringir a norma ao reproduzir efeito equivalente ao de um outdoor.

    A campanha não pode confeccionar nem distribuir camisetas, bonés, chaveiros, canetas, cestas básicas e outros bens capazes de gerar vantagem ao eleitor.

    O cidadão pode demonstrar preferência política com camiseta própria, broche, adesivo, bandeira e adornos semelhantes. A distribuição do item pela candidatura como benefício caracteriza irregularidade.

    A legislação proíbe showmícios destinados a promover concorrentes. Artistas não podem realizar apresentações com a finalidade de animar comícios e reuniões políticas. Eventos autorizados para arrecadação de recursos seguem regras próprias.

    Postes, placas de trânsito, viadutos, passarelas, pontes e paradas de ônibus não podem receber material de candidatos.

    A restrição alcança bens públicos e locais classificados como de uso comum. Lojas, centros comerciais, cinemas, clubes, templos, ginásios e estádios fazem parte dessa categoria.

     

    Propaganda eleitoral 2026: trabalho, telemarketing e santinhos

    Uma das alterações de 2026 alcança o ambiente de trabalho. A norma proíbe tanto propaganda quanto assédio ligado à disputa em locais públicos e privados.

    A Justiça pode responsabilizar quem causa a prática e quem permite sua ocorrência. A medida tenta impedir o uso de relações hierárquicas e profissionais para pressionar trabalhadores na escolha entre apoio e rejeição a uma candidatura.

    Campanhas não podem fazer telemarketing para pedir votos em nenhum horário. A legislação proíbe disparos em massa de mensagens instantâneas sem consentimento do destinatário.

    Candidaturas precisam respeitar as regras dos provedores de aplicações digitais. Ferramentas que violem essas condições não podem servir à divulgação política.

    O derrame de santinhos perto de locais de votação configura irregularidade. Responsáveis pelo espalhamento desses materiais e pessoas que autorizam a prática podem responder por infração e enfrentar apuração criminal. A regra alcança a véspera da votação.

    Redes sociais, influenciadores e inteligência artificial têm regras próprias

    Propaganda eleitoral 2026 em smartphone com aplicativos e redes sociais
    Redes sociais e IA têm limites específicos na campanha – Imagem: Pexels

    A internet concentra parte das normas mais detalhadas da campanha. Eleitores identificados podem publicar apoio e críticas a candidaturas em seus perfis, com respeito aos limites relacionados à honra, à imagem e à divulgação de fatos sabidamente falsos.

    Pessoas físicas com grande audiência podem publicar manifestações políticas espontâneas. O tamanho do público de um influenciador não torna o conteúdo irregular por si só.

    A oferta de remuneração, monetização e vantagem econômica proveniente da candidatura, de terceiros, em troca da publicação muda o enquadramento da conduta.

    Propaganda eleitoral 2026: impulsionamento e mensagens de campanha

    Somente agentes autorizados podem contratar impulsionamento político. O anúncio precisa identificar sua natureza e beneficiar o responsável pela contratação: candidatura, partido, federação.

    A legislação proíbe o impulsionamento de propaganda negativa contra adversários.

    Uma campanha não pode comprar destaque em mecanismo de busca utilizando nome, sigla, apelido e demais identificadores de concorrente como palavra-chave.

    Quem recebe mensagens políticas possui direito ao descadastramento. Comunicações eletrônicas e instantâneas precisam identificar o remetente e oferecer mecanismo para solicitar a eliminação dos dados pessoais.

    A campanha deve atender ao pedido em até 48 horas. O prazo permite ao cidadão interromper contatos digitais que não deseja continuar recebendo.

    IA e deepfakes nas Eleições 2026

    As primeiras regras específicas sobre conteúdo sintético não surgiram neste ano. O TSE já exigia identificação de determinados materiais produzidos com inteligência artificial nas eleições municipais de 2024.

    A regulamentação daquele pleito já vetava deepfakes criados para beneficiar candidatos e prejudicar concorrentes.

    Para 2026, o Tribunal ampliou os controles. Conteúdos sintéticos abrangidos pela norma precisam informar de maneira explícita e acessível a fabricação, a manipulação e a tecnologia empregada.

    A forma do aviso varia conforme o material. Áudio, imagem, vídeo e peça impressa seguem exigências próprias.

    A norma não trata toda edição técnica como conteúdo sintético. Ajustes técnicos de imagem, ajustes de som, vinhetas, logomarcas, elementos de identidade visual e recursos gráficos enquadrados nas exceções recebem tratamento diferente.

    O TSE mantém a proibição de deepfake destinado a beneficiar uma candidatura e prejudicar concorrentes. A autorização da pessoa retratada, titular da voz usada na montagem, não elimina a restrição.

    A restrição especial para conteúdos sintéticos entra em vigor nesta quinta-feira (1º), três dias antes do primeiro turno. A partir dessa data, fica proibida a publicação e a republicação de novos conteúdos produzidos com inteligência artificial que utilizem imagem, voz e manifestação de candidatos e pessoas públicas nos casos alcançados pela norma.

    A vedação também alcança impulsionamento pago e permanece até 24 horas após o encerramento da votação. A identificação do uso de inteligência artificial não libera a publicação durante esse período.

    A restrição inclui republicação e impulsionamento. O aviso sobre emprego de IA não libera esse tipo de conteúdo durante a janela definida pelo Tribunal.

    Os próprios sistemas de inteligência artificial ganharam limites. Provedores dessas ferramentas não podem ranquear candidatos, sugerir nomes nem priorizar partidos, federações, coligações e campanhas.

    Esses sistemas não podem indicar preferência política, recomendar voto nem favorecer uma opção por meio de respostas automatizadas.

     

    Principais prazos da propaganda eleitoral

    1º de outubro: último dia da propaganda gratuita no rádio e na televisão; último dia para comícios; encerramento da propaganda paga e impulsionada na internet; início da restrição especial para novos conteúdos sintéticos com IA.
    2 de outubro: último dia para propaganda eleitoral paga em jornais e revistas.
    3 de outubro, até 22h: prazo final para distribuição de material gráfico, caminhadas, carreatas e passeatas.
    4 de outubro: primeiro turno, com votação das 8h às 17h pelo horário de Brasília.

     

    Como denunciar propaganda irregular em Pernambuco

    O Pardal Móvel recebe relatos sobre possíveis irregularidades nas Eleições 2026. Em Pernambuco, o eleitor pode acessar a ferramenta com uma destas credenciais: e-Título, conta Gov.br.

    A Justiça mantém a identidade do denunciante sob sigilo.

    O cidadão deve explicar o fato, indicar o local da ocorrência e fornecer informações que ajudem na apuração. A ferramenta aceita fotografias, vídeos, áudios e links como evidências.

    O envio gera um protocolo para acompanhamento.

    Pardal, Siade e Ministério Público têm funções diferentes

    O Pardal recebe casos relacionados à propaganda praticada nas ruas e na internet. Na etapa de conclusão do relato, a própria ferramenta apresenta orientações sobre condutas permitidas e proibidas.

    O Sistema de Alertas de Desinformação Eleitoral (Siade) recebe conteúdos falsos, gravemente descontextualizados e capazes de comprometer a integridade do processo de votação.

    Possíveis crimes ligados à disputa podem exigir comunicação ao Ministério Público Eleitoral.

    As regras da campanha de 2026 alcançam calçadas, veículos, celulares, plataformas digitais e ambientes profissionais. Conhecer esses limites ajuda o eleitor a participar do debate, reconhecer irregularidades e fiscalizar a atuação das candidaturas.

     

    Com a aproximação do primeiro turno, as regras mudam conforme cada modalidade de campanha chega ao prazo final. Eleitores também precisam observar as restrições previstas para o dia da votação, quando pedido de voto, distribuição de propaganda e abordagem destinada a influenciar a escolha podem caracterizar boca de urna.

    A consulta aos canais da Justiça Eleitoral ajuda a conferir prazos, identificar irregularidades e acompanhar as normas aplicáveis até o encerramento da votação.

  • Tarifa Social da Compesa: quem tem direito e como funciona em Pernambuco

    Tarifa Social da Compesa: quem tem direito e como funciona em Pernambuco

    Colaboração editorial: Nahara Rodrigues

    A Tarifa Social da Compesa reduz a conta de água de famílias de baixa renda que atendem aos critérios definidos para Pernambuco. O benefício custa R$ 27,50 por mês para abastecimento de água e contempla consumo de até 15 metros cúbicos. Nas áreas com cobrança de esgotamento sanitário, o valor informado pela companhia chega a R$ 55.

    A modalidade recebe oficialmente o nome de Tarifa Social Pernambucana. A prestadora identifica grande parte dos beneficiários por meio de bases oficiais, sem exigir pedido prévio. Famílias elegíveis não incluídas automaticamente podem requerer o cadastramento pelos canais físicos e virtuais de atendimento.

    A regra exige atenção aos dados do Cadastro Único e do Benefício de Prestação Continuada (BPC). Informações desatualizadas podem impedir que o sistema reconheça uma família que reúne as condições necessárias. O consumidor pode consultar o status da unidade na página oficial criada para o benefício.

    Quem tem direito ao benefício?

    A cobrança reduzida atende usuários residenciais com renda familiar por pessoa de até meio salário mínimo, dentro dos critérios previstos pela regulamentação estadual. O grupo precisa estar inscrito no Cadastro Único nas hipóteses ligadas à renda.

    O salário mínimo nacional está em R$ 1.621 em 2026. A referência de meio salário mínimo corresponde a R$ 810,50 por pessoa neste ano. O valor acompanha as mudanças do salário mínimo nacional.

    A regulamentação pernambucana contempla famílias com pessoa com deficiência e famílias com idoso a partir de 65 anos que receba o BPC. Valores do BPC e do Bolsa Família não entram no cálculo da renda per capita usado pela regra estadual.

    Moradores de imóveis enquadrados como Habitacional Popular, Faixa 1, aparecem entre as hipóteses previstas pela norma. O enquadramento exige comprovação baseada nas regras do programa habitacional e da unidade consumidora.

    O Cadastro Único também é usado como critério em outros programas sociais, como o Gás do Povo, que atende famílias de baixa renda inscritas na base federal.

    Quanto custa e o que acontece acima de 15 m³?

    A companhia informa cobrança de R$ 27,50 para abastecimento de água dentro da faixa beneficiada. O valor chega a R$ 55 nos locais onde existe cobrança pelo serviço de esgotamento sanitário.

    A estrutura contempla consumo mensal de até 15 metros cúbicos. Na tabela vigente, não há cobrança adicional entre 10,001 e 15 m³ para essa categoria.

    Ultrapassar 15 m³ não cancela automaticamente o benefício. O consumo excedente passa a seguir as faixas tarifárias aplicáveis ao volume acima do limite previsto.

    Os 15 m³ não representam água gratuita. A política estabelece preço reduzido para a faixa de consumo definida pela regulamentação.

    Tarifa Social da Compesa: hidrômetros instalados para medir o consumo de água
    Hidrômetros registram o consumo usado no cálculo da conta – Imagem: Pexels

    Tarifa Social da Compesa: a inclusão é automática?

    A Compesa usa informações do CadÚnico e do BPC para localizar famílias elegíveis e efetivar a inclusão automática. O usuário não precisa comparecer a uma loja quando o sistema identifica corretamente a unidade e o responsável familiar.

    A empresa disponibiliza uma consulta online para verificar o enquadramento. O serviço pede dados da unidade, como a matrícula do imóvel, e informa o status cadastral encontrado.

    Uma resposta negativa não encerra a possibilidade de acesso. A Resolução Arpe nº 292/2025 permite que o usuário elegível não identificado automaticamente apresente requerimento à prestadora.

    O pedido pode ser feito pelos canais físicos e virtuais de atendimento. Essa previsão atende quem mantém os dados corretos, cumpre os critérios e ainda não aparece entre os beneficiários.

    Quais documentos podem ser exigidos?

    A documentação depende do tipo de enquadramento. Nos casos ligados ao CadÚnico e ao BPC, a norma exige identificação oficial do responsável familiar e comprovantes específicos.

    Para o CadÚnico, o usuário pode apresentar o comprovante de cadastramento. Para comprovar o BPC, a regulamentação aceita qualquer um destes documentos: cartão de beneficiário, extrato de pagamento e declaração do órgão previdenciário responsável.

    O critério habitacional exige comprovação relacionada ao imóvel e ao programa correspondente. A norma admite documentos validados pelo órgão gestor, contratos registrados ou documentos públicos e cartoriais compatíveis.

    O consumidor deve evitar listas antigas disponíveis na internet. A companhia mantém páginas com regras de uma modalidade anterior, hoje chamada Tarifa de Vulneráveis.

    O que fazer se o desconto não aparecer na conta?

    O primeiro passo é conferir se os dados familiares continuam corretos. Informações do CadÚnico devem ser atualizadas no posto municipal responsável, como o CRAS ou uma unidade do Cadastro Único.

    Problemas ligados a benefício administrado pelo INSS exigem regularização pelos canais previdenciários. O Meu INSS permite atualizar dados cadastrais vinculados ao benefício.

    A família que atende aos requisitos e continua fora do programa pode formalizar o pedido diretamente à companhia. A resolução estadual fixa prazo para análise e efetivação.

    A empresa tem até 60 dias corridos, contados da solicitação, para fazer o enquadramento quando os critérios estiverem comprovados. A norma admite prorrogação por mais 30 dias, com justificativa apresentada ao usuário.

    A concessão deve produzir efeitos a partir da data do pedido. A diferença entre a cobrança residencial feita e o valor reduzido devido precisa ser compensada nas contas seguintes.

    A Resolução Arpe nº 292/2025 prevê restituição em dobro quando a prestadora ultrapassa o prazo regulamentar e mantém cobrança residencial considerada indevida. A regra vale para a hipótese definida pela norma, não para qualquer divergência na fatura.

    Quem tem conta atrasada ou mora de aluguel pode receber?

    Dívidas anteriores com a prestadora não impedem, por si mesmas, o enquadramento. A norma não permite condicionar a inclusão ao pagamento das faturas em atraso.

    Moradores de imóveis alugados podem receber o benefício quando cumprem os requisitos. A companhia orienta que a conta esteja em nome da pessoa beneficiária responsável pela unidade.

    A modalidade se destina a uso residencial e limita o benefício a uma residência por grupo familiar. Unidades comerciais não entram nessa categoria.

    Benefício atual e Tarifa de Vulneráveis são diferentes

    A modalidade atual não deve ser confundida com a antiga cobrança reduzida oferecida pela companhia. O modelo anterior passou a ser chamado Tarifa de Vulneráveis e continua com regras próprias.

    A Tarifa de Vulneráveis possui valor-base diferente e critérios específicos. Beneficiários antigos não são transferidos automaticamente para a nova categoria apenas porque estavam no modelo anterior.

    A distinção explica por que algumas páginas antigas da companhia apresentam requisitos diferentes. O consumidor precisa conferir qual modalidade aparece na orientação consultada.

    Tarifa Social da Compesa: torneira instalada em ambiente residencial
    Benefício atende consumidores residenciais elegíveis – Imagem: Pexels

    Tarifa Social da Compesa: é possível perder o benefício?

    A família pode deixar o programa quando não cumpre mais os requisitos de elegibilidade. A regulamentação prevê período de três meses em determinadas hipóteses de desenquadramento e exige informação sobre a retirada futura.

    Fraude, declaração falsa, ligação clandestina e outras irregularidades previstas na norma podem provocar exclusão. A prestadora precisa seguir o procedimento de comunicação definido para esses casos.

    Manter os dados familiares atualizados reduz o risco de falhas na identificação automática. Mudanças de renda, composição familiar ou endereço precisam constar nos cadastros oficiais.

    Como falar com a companhia

    A companhia mantém atendimento pela Agência Virtual, aplicativo Compesa Mobile, telefone, WhatsApp e lojas presenciais. O número da Central de Atendimento é 0800 081 0195, com funcionamento informado durante 24 horas.

    O WhatsApp oficial divulgado é (81) 99488-5227. O consumidor pode usar esses canais para buscar orientação quando o desconto não aparecer.

    A página oficial do benefício não detalha um menu único para o requerimento excepcional. A regulamentação da Arpe garante que o pedido possa ocorrer por canal físico ou virtual.

    A companhia mantém atendimento pela Agência Virtual, aplicativo, telefone, WhatsApp e lojas presenciais. O Portal Nova Pauta também reúne o contato da Compesa no Guia de Telefones Úteis de Pernambuco.

    A modalidade está valendo em 2026?

    O benefício segue em vigor em 2026 com os valores informados pela companhia. A checagem do Portal Nova Pauta até 13 de agosto não encontrou mudança que substitua os R$ 27,50 para água.

    A Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico mantém uma lista nacional sobre a implementação da política. Na atualização de julho de 2026, o conjunto Arpe/Compesa aparece com a etapa classificada como concluída.

    O registro confirma a continuidade do programa em Pernambuco neste ano e documenta sua implantação no acompanhamento nacional.

    Tarifa Social da Compesa: perguntas frequentes

    Quem tem direito à tarifa social da Compesa?

    Famílias que atendem aos critérios de renda, CadÚnico, BPC ou enquadramento habitacional previstos na regulamentação podem receber o benefício. A renda por pessoa tem limite de meio salário mínimo nas hipóteses correspondentes.

    Como faço para me cadastrar?

    A inclusão ocorre automaticamente quando as bases oficiais identificam a família. Quem cumpre os requisitos e ficou fora pode requerer o enquadramento pelos canais físicos ou virtuais da companhia.

    Tem desconto social na conta de água?

    Sim. O benefício reduz o valor cobrado pelo abastecimento residencial de famílias elegíveis e possui regras próprias de consumo.

    Qual é o valor do benefício?

    A cobrança reduzida custa R$ 27,50 para água até 15 m³. Nos locais com esgotamento sanitário cobrado, o valor informado chega a R$ 55.

    Quem está devendo pode receber?

    Sim. A existência de débito não pode impedir o enquadramento quando a família cumpre os requisitos previstos.

    Quem mora de aluguel pode ter o benefício?

    Sim. O morador precisa atender às regras da modalidade e manter a titularidade da conta compatível com as exigências da prestadora.

    A consulta periódica da fatura e dos cadastros ajuda a identificar falhas antes que elas se prolonguem. Para famílias de baixa renda, uma cobrança menor de água pode liberar parte do orçamento para outras despesas essenciais.

    Quem acredita cumprir os critérios e não encontra o desconto deve reunir os documentos corretos e procurar a companhia. A norma estadual garante um caminho para solicitar o enquadramento mesmo quando a inclusão automática não acontece.

     

    Para muitas famílias, a conta de água representa uma despesa fixa que pesa todos os meses no orçamento. Conhecer os critérios da Tarifa Social, manter os cadastros atualizados e acompanhar a fatura, pode evitar cobranças acima do devido. Quando o benefício não aparece, a regulamentação garante caminhos para solicitar o enquadramento e buscar a correção da cobrança. Informação clara, nesse caso, também funciona como ferramenta de acesso a um direito.

  • Sintomas do câncer colorretal: sinais que pedem atenção

    Sintomas do câncer colorretal: sinais que pedem atenção

    Os Sintomas do câncer colorretal podem incluir sangue nas fezes, mudança persistente no funcionamento do intestino, dor abdominal, anemia, fraqueza e perda de peso sem causa aparente. Esses sinais não confirmam a presença de um tumor. Eles merecem atenção quando persistem, se repetem ou surgem junto de outras alterações do organismo.

    O câncer colorretal, também chamado de câncer de cólon e reto ou câncer de intestino, está entre os tumores mais frequentes no Brasil. A doença pode se desenvolver sem manifestações claras nas fases iniciais. Essa característica reforça a importância do rastreamento e da avaliação médica diante de mudanças que fogem do padrão habitual.

    Em 2026, o Sistema Único de Saúde (SUS) incorporou o teste imunoquímico fecal, conhecido pela sigla FIT, ao rastreamento de pessoas assintomáticas de 50 a 75 anos. O exame busca sangue oculto nas fezes e pode indicar a necessidade de investigação complementar.

    Este guia reúne os principais sinais de alerta, fatores de risco, formas de prevenção, exames usados na investigação e dados atualizados de Pernambuco e Recife.

    Quais são os principais sintomas do câncer colorretal

    O Instituto Nacional de Câncer (INCA) relaciona manifestações que exigem atenção quando persistem. Entre elas estão sangue nas fezes, diarreia ou prisão de ventre prolongadas, mudança do hábito intestinal, dor ou desconforto abdominal, fraqueza, anemia, perda de peso sem motivo aparente, alteração no formato das fezes, sensação de evacuação incompleta e aumento do volume abdominal.

    Nem todo sangramento anal indica doença oncológica. Hemorroidas, fissuras e doenças inflamatórias intestinais também podem provocar sangue nas fezes. A persistência do quadro e a associação com outras mudanças ajudam a definir a necessidade de avaliação profissional.

    A mudança do hábito intestinal significa perceber que o intestino passou a funcionar de forma diferente do padrão habitual. A pessoa pode ter episódios frequentes de diarreia, prisão de ventre ou alternância entre os dois quadros. Uma alteração contínua merece investigação.

    O que é câncer colorretal

    A doença se desenvolve no cólon ou no reto, estruturas que fazem parte do intestino grosso. O cólon corresponde à maior porção desse segmento. O reto ocupa a parte final do tubo digestivo antes do canal anal.

    Muitos tumores surgem a partir de pólipos, pequenas formações que crescem na parede intestinal. Nem todo pólipo se transforma em lesão maligna. Certos tipos podem sofrer alterações ao longo do tempo e dar origem a um tumor.

    Esse processo pode levar anos. A identificação e a retirada de lesões precursoras reduzem o risco de progressão em parte dos casos.

    Anatomia do cólon e do reto

    sintomas do câncer colorretal e anatomia do cólon e do reto no intestino grosso
    Anatomia do cólon e do reto – Imagem: Servier Medical Art / CC BY 4.0

    A imagem mostra a localização do cólon e do reto, facilitando a compreensão dos exames e sintomas citados na reportagem.

    A doença pode não dar sintomas no início

    Uma pessoa pode apresentar lesões ou um tumor em fase inicial sem perceber mudanças claras no organismo. A ausência de sintomas não significa ausência de risco.

    O rastreamento procura alterações em pessoas que se sentem bem e não apresentam sinais da doença. A investigação diagnóstica atende quem já apresenta sintomas ou suspeita clínica.

    A diferença pode ser resumida de forma simples:

    Sem sintomas: rastreamento.
    Com sintomas: investigação diagnóstica.

    Quem percebe sangue nas fezes, anemia sem causa definida, dor persistente ou mudança intestinal prolongada não deve esperar atingir a idade prevista no programa de rastreamento para procurar atendimento.

    Sintomas do câncer colorretal: quem apresenta maior risco

    A idade é um dos fatores associados ao aumento do risco. Histórico familiar, doenças inflamatórias intestinais e determinadas síndromes hereditárias também elevam a atenção necessária.

    Excesso de peso, inatividade física, tabagismo, consumo de bebidas alcoólicas e alimentação com alta presença de carnes processadas aparecem entre os fatores modificáveis relacionados à doença.

    Pessoas com histórico pessoal de pólipos intestinais que exigem acompanhamento podem precisar de vigilância específica, definida pela equipe de saúde. O intervalo e o tipo de exame dependem do perfil clínico.

    Ter um fator de risco não significa que a pessoa desenvolverá um tumor. A presença desses elementos indica maior probabilidade e pode justificar acompanhamento mais atento.

    Como reduzir o risco

    A prevenção passa por hábitos que favorecem a saúde intestinal e reduzem fatores associados ao adoecimento. O INCA recomenda alimentação com frutas, verduras, legumes, feijões, cereais integrais, sementes e outros alimentos ricos em fibras.

    Carnes processadas, como presunto, salame, salsicha e linguiça, devem ser evitadas. A orientação técnica recomenda limitar o consumo de carne vermelha a até 500 gramas de carne cozida por semana.

    Manter peso corporal adequado e praticar atividade física com regularidade fazem parte das medidas de proteção. Não fumar e reduzir o consumo de álcool também diminuem fatores de risco.

    Nenhuma medida oferece proteção absoluta. A prevenção reduz probabilidades e deve caminhar junto da atenção aos sintomas e do rastreamento quando indicado.

    Sintomas do câncer colorretal: como funciona o rastreamento

    O rastreamento procura alterações em pessoas sem sintomas. A estratégia busca identificar sangue oculto, pólipos ou outras mudanças que justifiquem uma avaliação mais detalhada.

    Em 2026, o SUS passou a adotar o FIT no rastreamento de homens e mulheres assintomáticos de 50 a 75 anos, com repetição a cada dois anos. A faixa etária vale apenas para o programa. Quem já apresenta sinais segue outro fluxo de investigação.

    O teste não confirma diagnóstico. Ele funciona como ferramenta de triagem para selecionar quem precisa de investigação complementar.

    O que é o teste FIT

    O teste imunoquímico fecal utiliza anticorpos específicos para identificar pequenas quantidades de sangue humano nas fezes. O material pode ser coletado em casa e levado para análise laboratorial.

    O exame dispensa preparo intestinal e dieta restritiva. Uma única amostra é suficiente no protocolo adotado pelo SUS, o que reduz barreiras práticas e pode facilitar a adesão.

    Um resultado positivo mostra que houve detecção de sangue oculto. A causa precisa de investigação. Sangramentos também podem ocorrer em condições benignas.

    O Portal Nova Pauta publicou uma reportagem específica sobre o tema. O leitor pode consultar Teste FIT no SUS amplia rastreamento do câncer colorretal para entender o público atendido, a periodicidade e os próximos passos após o exame.

    Análise laboratorial no rastreamento

    sintomas do câncer colorretal e análise laboratorial ligada ao rastreamento e investigação
    Análise laboratorial no rastreamento – Imagem: Pexels

    A imagem ilustra uma etapa de análise laboratorial relacionada à investigação de alterações de saúde. Ela não representa, de forma específica, a execução de um exame FIT.

    FIT positivo significa câncer?

    Não. Um resultado positivo indica presença de sangue oculto na amostra. Esse achado exige avaliação complementar e não determina a causa do sangramento.

    A colonoscopia pode ser indicada para visualizar o interior do cólon e do reto, identificar lesões e retirar pólipos durante o procedimento. O exame também permite coletar tecido quando existe uma área suspeita.

    A confirmação de um tumor depende da análise anatomopatológica do material obtido por biópsia. Essa etapa identifica as características das células e orienta a definição diagnóstica.

    Qual é o papel da colonoscopia

    A colonoscopia permite examinar diretamente a parede interna do intestino grosso. O médico consegue observar alterações, localizar pólipos, avaliar áreas suspeitas e realizar procedimentos durante o exame.

    FIT e colonoscopia cumprem funções diferentes. O primeiro atua como método de rastreamento para o público definido pelo SUS. A colonoscopia pode participar da investigação após um teste alterado e da avaliação de sintomas ou perfis de risco.

    A indicação considera idade, sintomas, histórico familiar, resultados anteriores e condições clínicas. A decisão cabe à equipe responsável pelo acompanhamento.

    Como é feito o diagnóstico

    Sintomas do câncer colorretal: A investigação começa pela avaliação clínica. O profissional reúne informações sobre sintomas, duração das alterações, histórico familiar, doenças prévias e fatores de risco.

    Exames laboratoriais, colonoscopia e métodos de imagem podem integrar essa etapa. A escolha depende do quadro apresentado e das hipóteses levantadas na consulta.

    Quando uma lesão suspeita é encontrada, a equipe pode obter uma amostra de tecido. A análise anatomopatológica confirma ou descarta a presença de células malignas.

    Após a confirmação, o paciente passa pelo estadiamento, processo que avalia a extensão da doença e ajuda a definir a estratégia terapêutica.

    Como é feito o tratamento

    O tratamento depende da localização do tumor, do estágio da doença e das condições clínicas do paciente. A cirurgia tem papel central em muitos casos com possibilidade de tratamento curativo.

    Quimioterapia, radioterapia e outras estratégias oncológicas podem integrar o plano terapêutico. A combinação depende do tipo de lesão, da extensão do quadro e da resposta esperada.

    A equipe multiprofissional pode acompanhar alimentação, controle de sintomas, recuperação após procedimentos e necessidades de suporte durante o tratamento.

    Câncer colorretal tem cura?

    Sim, existem casos curáveis. As possibilidades de sucesso aumentam quando a doença é identificada em estágio inicial e pode ser tratada antes de uma disseminação mais extensa.

    Não existe uma porcentagem única de cura válida para todas as pessoas. O prognóstico depende do estágio, da localização, das características biológicas do tumor, da resposta ao tratamento e das condições gerais de saúde.

    A detecção precoce amplia as opções terapêuticas. Esse é um dos motivos para investigar sintomas persistentes e aderir ao rastreamento quando a pessoa faz parte do público indicado.

    Pernambuco tem estimativa de 1.460 casos em 2026

    Dados do INCA projetam 1.460 novos casos de câncer de cólon e reto em Pernambuco em 2026. A estimativa reúne 640 ocorrências em homens e 820 em mulheres.

    A taxa bruta projetada para o estado é de 15,24 casos por 100 mil habitantes. O número representa uma estimativa epidemiológica e não uma contagem de diagnósticos já confirmados.

    Essas projeções ajudam gestores de saúde a planejar prevenção, diagnóstico, tratamento e capacidade assistencial. Para o público, os dados mostram o peso da doença no cenário estadual.

    Recife tem estimativa de 380 novos casos

    O INCA projeta 380 novos casos no Recife em 2026, com 160 ocorrências em homens e 220 em mulheres. A taxa bruta estimada chega a 23,35 casos por 100 mil habitantes.

    A projeção específica para Recife permite dimensionar a presença da doença na cidade, sem substituir os registros de diagnósticos confirmados.

    Onde buscar atendimento em Pernambuco

    Quem percebe sinais persistentes pode iniciar a busca por atendimento na rede de saúde. A atenção básica consegue avaliar sintomas, solicitar exames iniciais e encaminhar o paciente quando há necessidade de investigação especializada.

    Pernambuco possui unidades habilitadas para atendimento oncológico em diferentes regiões. O acesso a esses serviços segue regras de regulação e encaminhamento do SUS.

    A orientação mais segura é procurar avaliação clínica em vez de escolher diretamente um hospital de referência. O fluxo adequado direciona o paciente ao serviço compatível com sua necessidade.

    Perguntas frequentes sobre sintomas e rastreamento

    Sintomas do câncer colorretal: quais são os primeiros sinais?

    Sangue nas fezes, mudanças persistentes no hábito intestinal, desconforto abdominal, anemia, fraqueza e perda de peso podem aparecer entre os sinais iniciais. A presença isolada de um sintoma não confirma diagnóstico.

    A doença pode ser silenciosa?

    Sim. Lesões e tumores iniciais podem existir sem manifestações perceptíveis. O rastreamento procura identificar alterações nesse período assintomático.

    Sangue nas fezes sempre indica tumor?

    Não. Hemorroidas, fissuras e outras condições também podem causar sangramento. Persistência, recorrência ou associação com outros sintomas exigem avaliação.

    Qual é a idade do rastreamento pelo SUS?

    O programa adotado em 2026 utiliza o FIT em homens e mulheres assintomáticos de 50 a 75 anos, com repetição bienal. Pessoas com sintomas seguem investigação diagnóstica, independentemente dessa faixa.

    FIT positivo confirma a doença?

    Não. O resultado aponta sangue oculto na amostra e indica necessidade de investigação complementar.

    Sintomas do câncer colorretal: quando procurar atendimento?

    Alterações persistentes no intestino, sangue nas fezes, anemia sem explicação, dor abdominal frequente, perda de peso sem causa aparente: esses sinais justificam uma avaliação profissional. O objetivo é reduzir atrasos diante de sinais que merecem investigação.

     

    Reconhecer os sinais do corpo envolve perceber quando uma mudança merece atenção. Sangue nas fezes, alterações persistentes no funcionamento do intestino, dor abdominal frequente e perda de peso sem explicação exigem avaliação de um profissional de saúde.

    A prevenção também passa por hábitos saudáveis e pela participação no rastreamento quando houver indicação. O diagnóstico precoce amplia as possibilidades de tratamento e pode fazer diferença no percurso do paciente.

    Informação de qualidade ajuda a reduzir o medo e evita que sintomas importantes sejam ignorados. Diante de uma alteração persistente, o caminho mais seguro é buscar atendimento e esclarecer a causa com acompanhamento profissional.

  • Agosto Dourado 2026: benefícios e onde buscar apoio em Pernambuco

    Agosto Dourado 2026: benefícios e onde buscar apoio em Pernambuco

    O Agosto Dourado 2026 mantém a amamentação em evidência durante todo o mês. A campanha brasileira busca ampliar a informação, a proteção e o apoio às famílias. Em 2026, o debate ganhou reforço internacional com a Semana Mundial do Aleitamento Materno, realizada de 1º a 7 de agosto.

    A mobilização não termina com o encerramento da semana mundial. No Brasil, a Lei nº 13.435/2017 instituiu agosto como Mês do Aleitamento Materno e prevê ações de conscientização ao longo dos 31 dias. Pernambuco mantém bancos de leite humano, postos de coleta e serviços de orientação para quem precisa de apoio.

    A reportagem reúne recomendações oficiais, dados nacionais, benefícios, dificuldades comuns e locais onde buscar atendimento no Recife e em outras cidades pernambucanas.

    O que é o Agosto Dourado?

    O Agosto Dourado é o período dedicado à promoção, proteção e apoio à amamentação no Brasil. A Lei nº 13.435, sancionada em 2017, oficializou o Mês do Aleitamento Materno. O texto prevê palestras, divulgação em mídias, reuniões comunitárias e ações em espaços públicos.  A norma prevê iluminação de locais na cor dourada. A decoração de espaços nessa tonalidade integra as ações previstas.

    A escolha da cor faz referência ao chamado “padrão ouro” de qualidade do leite humano. O Instituto Fernandes Figueira, da Fiocruz, utiliza essa associação ao explicar a identidade da campanha.

    A mobilização brasileira está ligada à Semana Mundial do Aleitamento Materno. A iniciativa internacional ocorre todos os anos, entre 1º e 7 de agosto, e concentra ações de promoção, proteção e apoio à prática.

    Qual é o tema do Agosto Dourado em 2026?

    A Semana Mundial do Aleitamento Materno de 2026 adotou o tema “Breastfeeding for a sustainable start in life: strengthen what works”. A Fiocruz apresenta a formulação em português como “Amamentação para um começo de vida sustentável: fortalecer o que funciona”.

    A proposta deste ano concentra atenção em estratégias que já apresentam resultados. A Organização Mundial da Saúde (OMS) defende o acompanhamento de indicadores, a avaliação de impacto e a ampliação de iniciativas eficazes. As ações abrangem sistemas de saúde, ambientes de trabalho e comunidades.

    O fim da semana mundial, em 7 de agosto, não encerra a mobilização brasileira. A legislação mantém as ações de conscientização durante todo o mês.

    Até quando a amamentação é recomendada?

    O Ministério da Saúde recomenda amamentação exclusiva nos primeiros seis meses de vida. A amamentação exclusiva prevê leite materno como único alimento nos primeiros seis meses de vida.

    A alimentação complementar começa a partir dos seis meses, com alimentos adequados à idade e ao desenvolvimento da criança. A amamentação pode se estender para além dos dois anos de idade.

    O termo “exclusiva” possui significado específico. O termo indica que o bebê recebe somente leite materno nos primeiros seis meses. Medicamentos, vitaminas e sais de reidratação entram apenas quando houver indicação profissional.

    Essas orientações funcionam como referência de saúde pública. Dor persistente, dificuldade de pega, condições clínicas da mulher ou do bebê e outras intercorrências exigem avaliação individual por profissionais de saúde.

    Quais são os benefícios da amamentação?

    Benefícios para o bebê

    Agosto Dourado 2026: o Ministério da Saúde informa que o leite materno ajuda na proteção contra diarreias, infecções respiratórias e alergias. O órgão também relaciona a prática à redução do risco de hipertensão, colesterol alto, diabetes e obesidade ao longo da vida.

    O alimento fornece nutrientes importantes para o crescimento e contribui para a proteção imunológica da criança. A prática também está associada ao desenvolvimento cognitivo e ao fortalecimento do vínculo entre o bebê e quem amamenta.

    Benefícios para a mulher

    A amamentação também traz benefícios para a saúde da mulher. O Ministério da Saúde aponta redução do risco de hemorragia no pós-parto e de câncer de mama e ovário.

    O processo pode fortalecer o vínculo com o bebê, mas isso não significa ausência de dificuldades. Problemas podem surgir no início ou ao longo da prática. O apoio profissional e uma rede familiar acolhedora podem contribuir para sua continuidade.

    Aleitamento exclusivo chegou a 45,8% no Brasil no ENANI-2019

    O Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (ENANI-2019) estimou em 45,8% a prevalência de aleitamento exclusivo entre crianças brasileiras menores de seis meses. No Nordeste, a estimativa alcançou 39%.

    O levantamento não identificou diferença estatisticamente significativa entre as macrorregiões nesse indicador. Os números precisam ser interpretados com a referência temporal correta: representam dados da edição de 2019 e não retratam o cenário de 2026.

    O relatório de 2019 permanece como base consolidada disponível para esse indicador na página oficial do estudo até esta publicação. Dados de edições posteriores poderão atualizar o cenário quando houver divulgação oficial dos resultados correspondentes.

    Amamentar pode apresentar dificuldades

    Agosto Dourado 2026: mãe e criança recebem atendimento em serviço de saúde
    Atendimento em saúde reforça a rede de apoio às famílias – Imagem: Magnific

    A amamentação pode exigir um período de adaptação. Materiais do Ministério da Saúde abordam problemas como pega inadequada, mamilos doloridos, fissuras, ingurgitamento mamário e sucção fraca.

    Dor persistente, lesões ou outros problemas não devem ser tratados apenas com orientações encontradas na internet. A avaliação em uma unidade de saúde ou banco de leite pode ajudar a identificar a causa e indicar o cuidado adequado.

    A pega e o posicionamento do bebê têm papel importante na prevenção de dificuldades. O retorno ao trabalho também pode afetar a continuidade da prática e exige organização compatível com a rotina familiar.

    O apoio não precisa ficar restrito a quem amamenta. Familiares, profissionais de saúde, empregadores e comunidade integram uma rede capaz de favorecer a continuidade. O fortalecimento dessas estruturas está entre os focos da campanha internacional de 2026.

    Bancos de leite também oferecem apoio à amamentação

    Agosto Dourado 2026: um Banco de Leite Humano não atua somente no recebimento de doações. A Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano atribui a essas unidades ações de promoção, proteção e apoio à amamentação. Os serviços também coletam, processam e distribuem as doações conforme critérios sanitários.

    Pessoas com dúvidas ou dificuldades podem procurar orientação nessas unidades. A rede também contribui para o atendimento de recém-nascidos hospitalizados que necessitam de leite humano doado.

    A Rede Brasileira informa que a doadora deve estar em fase de lactação e amamentar o próprio bebê. Ela precisa apresentar boas condições de saúde e não utilizar medicamentos incompatíveis com a doação. A equipe responsável avalia os critérios antes do cadastramento.

    Leia também: Medicamentos vencidos exigem descarte correto; veja onde levar

    Onde buscar apoio à amamentação em Pernambuco

    A Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE) mantém uma relação pública de Bancos de Leite Humano e Postos de Coleta. A página consultada em agosto de 2026 reúne 11 bancos e quatro postos de coleta em Pernambuco.

    No Recife, a lista inclui serviços em Casa Amarela, Iputinga, Encruzilhada, Cidade Universitária, Boa Vista, Afogados e Curado. A rede estadual também possui unidades em outros municípios, como Caruaru e Petrolina.

    Bancos de leite no Recife

    Unidade Bairro Telefone
    Hospital Agamenon Magalhães Casa Amarela (81) 3184-1690
    Hospital Barão de Lucena Iputinga (81) 3184-6552
    CISAM/UPE Encruzilhada (81) 3182-7720
    Hospital das Clínicas de Pernambuco Cidade Universitária (81) 2126-3831
    IMIP Boa Vista (81) 2122-4719
    Maternidade Professor Bandeira Filho Afogados (81) 3355-2235
    Hospital da Mulher do Recife Curado (81) 2011-0100

    Os contatos constam na relação oficial mantida pela SES-PE.

    A Prefeitura do Recife oferece orientação presencial sobre amamentação, coleta e armazenamento para doação. O atendimento está disponível na Maternidade Bandeira Filho, na Policlínica e Maternidade Professor Arnaldo Marques e na Policlínica e Maternidade Professor Barros Lima.

    O Conecta Recife informa que o atendimento presencial exige RG e Cartão SUS. Telefones, horários e fluxos podem sofrer alterações. A recomendação é confirmar o funcionamento da unidade antes do deslocamento.

    Como funciona a doação de leite humano?

    Agosto Dourado 2026: mãe amamenta bebê ao lado de recipiente para coleta de leite
    Agosto Dourado 2026 destaca a doação de leite humano – Imagem: Magnific

    As doações abastecem serviços que atendem recém-nascidos, especialmente prematuros ou bebês de baixo peso internados em unidades neonatais.

    A mulher interessada deve entrar em contato com um banco ou posto de coleta. A equipe avalia os critérios para doação e fornece orientações sobre retirada, armazenamento e entrega.

    A Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano mantém instruções específicas para as doadoras. O acompanhamento da equipe ajuda a preservar a segurança do processo, desde a coleta até o destino do alimento.

    Perguntas frequentes sobre o Agosto Dourado

    O que é a campanha Agosto Dourado?

    É uma mobilização realizada durante o mês de agosto para promover, proteger e apoiar a amamentação. No Brasil, o período ganhou reconhecimento legal com a Lei nº 13.435/2017.

    Por que surgiu o Agosto Dourado?

    A campanha amplia a conscientização sobre a importância da amamentação e fortalece ações de apoio às famílias. A mobilização brasileira se relaciona à Semana Mundial do Aleitamento Materno e às políticas nacionais de incentivo à prática.

    Qual é o Dia Mundial do Aleitamento Materno?

    A referência internacional utilizada pela OMS é a Semana Mundial do Aleitamento Materno, realizada anualmente entre 1º e 7 de agosto. A edição de 2026 ocorreu nesse período.

    Qual é o símbolo do Agosto Dourado?

    A cor dourada identifica a mobilização e faz referência ao chamado “padrão ouro” de qualidade do leite humano.

    Até quando vai o Agosto Dourado?

    A campanha segue até 31 de agosto. A Semana Mundial terminou no dia 7, mas as ações brasileiras de conscientização continuam durante todo o mês.

    Informação e apoio fazem parte da campanha

    O Agosto Dourado coloca a amamentação no centro de uma agenda de saúde, proteção e apoio às famílias. O tema de 2026 reforça a necessidade de ampliar estratégias que já apresentam resultados.

    Em Pernambuco, bancos de leite, postos de coleta e maternidades oferecem caminhos para orientação. Quem enfrenta dificuldades ou pretende fazer uma doação pode procurar esses serviços para receber avaliação e instruções adequadas.

  • Golpe do Pix errado usa falsa devolução; saiba como se proteger

    Golpe do Pix errado usa falsa devolução; saiba como se proteger

    Colaboração editorial: Nahara Rodrigues

    O golpe do Pix começa com um cenário aparentemente comum: um valor inesperado entra na conta e, pouco depois, alguém alega ter feito a transferência por engano. A pessoa pede o dinheiro de volta e, em alguns casos, indica outra chave Pix para receber a quantia.

    Ouça o resumo completo da matéria

    O Banco Central (BC) recomenda conferir primeiro o extrato bancário. Com o crédito confirmado, o usuário deve acessar a transferência original e utilizar a ferramenta específica para restituir o valor.

    A reportagem do Portal Nova Pauta verificou esse procedimento nos aplicativos da Caixa Econômica Federal e do Nubank. As duas instituições oferecem recursos vinculados diretamente ao Pix recebido, com nomes diferentes para a função.

    Esse cuidado evita uma nova transferência independente para a chave apresentada por quem fez o contato.

    Como funciona o golpe do Pix errado?

    O criminoso transfere um valor real para a conta da vítima e entra em contato pouco tempo depois. Ele afirma que cometeu um erro e pede o dinheiro de volta.

    O pedido ganha aparência de legitimidade quando o valor consta no extrato.

    O principal alerta surge se o suposto pagador solicitar um novo Pix para outra conta.

    O Banco Central orienta os usuários a recusarem pedidos de restituição destinados a uma conta diferente. O órgão alerta que criminosos exploram essa prática para tentar recuperar também o Pix original por meio do Mecanismo Especial de Devolução (MED).

    O recebimento indevido não autoriza o usuário a ficar com o dinheiro. A atenção deve estar na forma utilizada para restituir a quantia.

    Recebeu um Pix inesperado? Confira o extrato

    Mensagens, ligações ou comprovantes enviados por terceiros, não confirmam que o dinheiro entrou na conta.

    O Banco Central recomenda abrir o aplicativo bancário e consultar diretamente o extrato. Criminosos também apresentam comprovantes falsos para induzir vítimas a transferirem recursos próprios.

    Sem o crédito registrado na conta, nenhuma transferência deve ser feita com base apenas em uma imagem recebida pelo celular.

    Com o Pix confirmado no extrato, o titular deve abrir os detalhes da operação e localizar a ferramenta destinada à restituição do dinheiro.

    O que fazer ao receber um Pix inesperado

    1. Abra o aplicativo oficial da instituição financeira.
    2. Confira o recebimento no extrato.
    3. Abra os detalhes do Pix recebido.
    4. Procure a opção de reembolso ou restituição.
    5. Retorne o dinheiro pela própria transação.
    6. Não faça outro Pix para uma chave enviada por mensagem.
    7. Procure o banco pelos canais oficiais em caso de dúvida.

    A ferramenta vinculada ao Pix original mantém a restituição associada à operação recebida.

    Portal Nova Pauta testa procedimento na Caixa e no Nubank

    Golpe do Pix: logotipos do Nubank e da Caixa, bancos testados pela reportagem
    Golpe do Pix: Nubank e Caixa foram testados pela reportagem – Imagem: Montagem/Portal Nova Pauta

    O Portal Nova Pauta realizou uma verificação prática em dois aplicativos bancários.

    Na Caixa Econômica Federal, a tela de detalhes de um Pix recebido apresenta o botão “Devolver Pix”. O cliente acessa o recurso dentro da própria movimentação registrada no extrato.

    No Nubank, o aplicativo apresenta a opção “Fazer um reembolso” nos detalhes da transferência.

    As interfaces adotam nomenclaturas diferentes, mas seguem o mesmo princípio. O cliente localiza a operação original e inicia a restituição por uma ferramenta vinculada ao recebimento.

    O teste demonstra que o cliente não precisa criar uma nova transferência para devolver corretamente um Pix recebido.

    Função “Devolver Pix” tem prazo de até 90 dias

    O Regulamento do Pix estabelece prazo de até 90 dias, contados da data da transação original, para o recebedor iniciar a devolução voluntária. O valor pode ser restituído integralmente ou de forma parcial, limitado ao total recebido.

    O cliente tem a opção de devolver o valor integral ou apenas uma parte, respeitando o total recebido naquela operação.

    Essa regra trata da restituição voluntária iniciada pelo recebedor. Ela não representa uma contestação por fraude.

    Os aplicativos costumam disponibilizar a ferramenta nos detalhes da transferência. A nomenclatura varia entre as instituições, como mostrou o teste realizado pelo Portal Nova Pauta.

    Os 90 dias correspondem ao prazo para devolução voluntária iniciada pelo recebedor. Os 80 dias representam o limite para contestar o Pix original em casos enquadrados nas regras do MED.

    MED permite contestar Pix ligado a fraude em até 80 dias

    Quem realizou uma transferência e identificou fraude, golpe ou crime, deve comunicar o caso à instituição financeira.

    A vítima tem até 80 dias, contados da data do Pix original, para solicitar a contestação dentro das regras do MED. O Banco Central recomenda comunicar a instituição financeira o mais rápido possível.

    O tempo tem peso importante nesse processo. Criminosos costumam movimentar o dinheiro rapidamente entre diferentes contas.

    O MED não garante recuperação integral. O resultado depende da análise da fraude e dos recursos localizados nas contas relacionadas ao caminho do dinheiro.

    O mecanismo também não atende qualquer problema envolvendo Pix.

    O envio para uma chave errada, por si só, não caracteriza fraude. Desacordos comerciais comuns seguem outras formas de solução na ausência de indícios de golpe.

    Golpes com investimentos: saiba como evitar

    Golpe do Pix: como funciona o MED 2.0?

    Desde 11 de maio de 2026, o MED 2.0 passou a ser obrigatório para as instituições participantes do Pix. O Banco Central ampliou o alcance do mecanismo para combater a rápida dispersão de recursos entre contas.

    O chamado MED 2.0 utiliza o Diretório de Identificadores de Contas Transacionais (DICT) para identificar movimentações associadas ao Pix contestado.

    O sistema analisa trajetos que ultrapassam a primeira conta recebedora. Ele organiza transferências relacionadas e identifica contas que integram caminhos suspeitos percorridos pelo dinheiro.

    O fluxo atual reúne seis grandes etapas:

    • instauração;
    • rastreamento;
    • priorização;
    • bloqueio;
    • análise;
    • restituição dos valores.

    As instituições recebem notificações e analisam a participação das contas identificadas.

    O mecanismo consegue alcançar recursos encontrados em diferentes pontos do trajeto das transferências. Isso não transforma todo dinheiro existente nessas contas em patrimônio da vítima.

    MED 2.0 não garante ressarcimento

    A ampliação do rastreamento aumenta a capacidade de localizar recursos, sem assegurar o retorno integral da quantia. A recuperação pode ser total ou parcial. O resultado depende da confirmação da fraude, da conexão entre as transações identificadas e do saldo disponível para bloqueio.

    A falta de recursos em uma conta limita a recuperação. A instituição também rejeita uma notificação se sua análise não confirmar participação na fraude.

    Esse cenário reforça a importância da prevenção. Evitar uma transferência indevida oferece mais segurança do que depender de uma tentativa posterior de recuperar o dinheiro.

    Já caiu em um golpe? Procure seu banco imediatamente

    Golpe do Pix: mulher preocupada enquanto usa notebook
    Golpe do Pix exige atenção a transferências inesperadas e pedidos para enviar o dinheiro a outra conta – Imagem: Anna Tarazevich/Pexels

    A vítima deve comunicar a instituição financeira ao identificar indícios de fraude.

    O contato precisa ocorrer pelos canais oficiais do banco, como aplicativo, telefone indicado pela instituição ou atendimento em agência.

    Também é importante preservar mensagens, números telefônicos, chaves Pix, comprovantes, extratos e protocolos. Esses registros ajudam na análise bancária e em eventual investigação.

    O Banco Central recomenda registrar boletim de ocorrência.

    Se o banco não solucionar o problema, o consumidor tem à disposição outros canais de reclamação, além do Procon e do Poder Judiciário, conforme as características do caso.

    Nenhum funcionário de instituição financeira precisa da senha pessoal ou do código de autenticação do cliente para restituir um Pix.

    Golpe do Pix: perguntas frequentes

    Recebi um Pix de uma pessoa desconhecida. Posso devolver?

    Sim. Confira primeiro se o dinheiro realmente entrou na conta. Localize a transferência recebida no aplicativo e utilize a ferramenta específica disponível na própria operação.

    A pessoa pediu o dinheiro em outra chave. O que faço?

    Não transfira para a chave indicada. O Banco Central alerta para golpes que envolvem pedidos de restituição destinados a contas diferentes daquela que originou o Pix.

    Posso fazer outro Pix para devolver?

    O procedimento mais seguro utiliza a ferramenta associada à transação original. Esse recurso mantém a restituição vinculada ao Pix recebido.

    Quanto tempo tenho para devolver?

    Quem recebeu o dinheiro tem até 90 dias da transação original para iniciar a restituição voluntária pela própria operação.

    O prazo é de 80 ou 90 dias?

    Os números tratam de procedimentos distintos. Os 90 dias correspondem à restituição voluntária feita pelo recebedor. Os 80 dias representam o limite para contestar o Pix original nos casos enquadrados nas regras do MED.

    O MED garante meu dinheiro de volta?

    Não. A recuperação depende da análise da fraude e dos valores que as instituições localizarem e bloquearem.

    Como esta reportagem foi produzida

    O Portal Nova Pauta analisou normas, manuais, guias técnicos e orientações oficiais do Banco Central sobre Pix e MED.

    A reportagem verificou diretamente as ferramentas disponíveis para restituir valores nos aplicativos da Caixa Econômica Federal e do Nubank e comparou o funcionamento observado com as orientações oficiais.

    A apuração confirmou os procedimentos previstos nas orientações oficiais para restituir valores e os principais cuidados contra golpes envolvendo o Pix.