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  • Reajuste do Bolsa Família pode tirar 734 mil da extrema pobreza

    Reajuste do Bolsa Família pode tirar 734 mil da extrema pobreza

    O reajuste do Bolsa Família pode ampliar a proteção financeira nas regiões mais pobres do país. Uma simulação divulgada nesta terça-feira (6) pelo FGV IBRE estima que cerca de 734 mil pessoas no Nordeste poderiam ultrapassar a linha internacional de extrema pobreza diante de um aumento real de 15% nas transferências do programa.

    O estudo usa microdados da PNAD Contínua de 2025 e considera um rendimento mensal próximo de R$ 280 por pessoa para medir a extrema pobreza. No cenário analisado, a taxa nordestina cairia de 8,70% para 7,41%. O resultado coloca a região no centro dos possíveis efeitos distributivos de uma elevação do benefício.

    A projeção não representa uma previsão exata do reajuste anunciado pelo governo federal. O exercício econômico aplica um aumento real uniforme de 15% aos valores declarados na pesquisa. O decreto publicado em setembro definiu uma correção nominal de 15,04%, calculada pela inflação acumulada entre março de 2023 e agosto de 2026.

    Reajuste do Bolsa Família teria maior impacto no Nordeste

    A presença do programa ajuda a explicar a intensidade estimada para a região. A pesquisa aponta que cerca de 39% da população nordestina vive em domicílios que recebem Bolsa Família. No Norte, a proporção chega a 40%. Sudeste, Centro-Oeste e Sul apresentam percentuais menores.

    O acréscimo médio de recursos por integrante do domicílio ficaria mais elevado no Nordeste. A simulação calcula avanço de R$ 11,87 por pessoa na região, acima dos R$ 11,07 projetados para o Norte. No Sudeste, o ganho médio seria de R$ 3,86. No Sul, ficaria em R$ 2,65.

    A diferença regional reflete a maior presença do benefício entre famílias em vulnerabilidade econômica. O programa representa parcela relevante do orçamento doméstico desses grupos, fator que amplia o efeito de uma transferência maior sobre os indicadores de pobreza.

    Aumento pode mudar indicadores de pobreza no Brasil

    No eixo nacional, a incidência da extrema pobreza pela linha de R$ 280 cairia de 4,61% para 4,01%. A variação corresponde a cerca de 1,29 milhão de pessoas acima desse limite no cenário simulado.

    A FGV analisou três referências. A primeira usa R$ 218 mensais por pessoa, valor ligado ao critério administrativo de entrada no Bolsa Família. Nessa faixa, a proporção abaixo do limite passaria de 3,14% para 2,49%, alcançando cerca de 1,39 milhão de pessoas.

    A terceira referência considera R$ 775 mensais por pessoa, parâmetro associado à pobreza em países classificados como de poder econômico médio-alto. A incidência cairia de 25,09% para 24,50%. Aproximadamente 1,25 milhão de pessoas ultrapassariam esse patamar.

    Esses contingentes não devem ser somados. As linhas medem diferentes níveis econômicos e podem incluir a mesma pessoa em mais de uma faixa. O estudo usa os três parâmetros para medir alcance, intensidade e severidade da pobreza após a elevação simulada das transferências.

    Pernambuco tem 1,5 milhão de famílias no programa

    Pernambuco ocupa posição de destaque na cobertura do Bolsa Família. Dados divulgados pelo Governo Federal mostram que 1,50 milhão de famílias pernambucanas receberam o benefício em junho de 2026. O estado apareceu atrás apenas da Bahia, com 2,38 milhões, e de São Paulo, com 2,31 milhões.

    O Nordeste reuniu 8,97 milhões de famílias contempladas naquele mês, com repasse federal de R$ 6,03 bilhões. O volume reforça o peso da transferência de recursos na região e ajuda a dimensionar por que uma mudança nos valores produz efeitos mais intensos no território nordestino.

    O dado de Pernambuco é referente a junho e não representa a folha de outubro. A quantidade de famílias atendidas pode variar a cada ciclo de pagamento, conforme atualização cadastral, valores declarados pelos integrantes e regras de permanência no programa.

    Famílias de baixa renda no estado podem ter acesso a políticas vinculadas ao Cadastro Único. O Portal Nova Pauta mantém um guia sobre a Tarifa Social da Compesa, benefício destinado a consumidores que atendem aos critérios previstos em Pernambuco.

    Novo valor de R$ 691 começa em 19 de outubro

    Reajuste do Bolsa Família: o governo federal definiu o novo piso do Bolsa Família em R$ 691 por família. O valor anterior era de R$ 600. A estimativa oficial aponta benefício médio nacional de R$ 777 após a atualização.

    O Benefício de Renda de Cidadania passa de R$ 142 para R$ 164 por integrante. O adicional da Primeira Infância sobe de R$ 150 para R$ 173 por criança. O Benefício Variável Familiar, destinado a gestantes, nutrizes, crianças e adolescentes dentro das regras do programa, passa de R$ 50 para R$ 58 por integrante.

    Os pagamentos começam em 19 de outubro para famílias com NIS final 1. O calendário segue nos dias 20, 21, 22 e 23 para finais 2, 3, 4 e 5. Beneficiários com finais 6, 7, 8, 9 e 0 recebem nos dias 26, 27, 28, 29 e 30.

    O valor recebido por cada família depende da composição do núcleo familiar e dos adicionais aplicáveis. Os R$ 691 funcionam como piso garantido. A consulta da data pode ser feita pelo aplicativo Bolsa Família, Caixa Tem, canais da Caixa e pontos de atendimento informados pelo governo.

    A análise da FGV amplia o debate para além do valor nominal do benefício. O estudo indica que a presença do programa nas regiões mais pobres pode transformar um reajuste em efeito social de escala, sem substituir políticas de educação, qualificação, emprego e geração de oportunidades necessárias para combater a pobreza de forma duradoura.