Colaboração editorial: Nahara Rodrigues
A artesã Denny Cardoso, de 43 anos, denunciou uma possível contaminação por mercúrio durante atividades de um projeto social no Recife. Ela afirma que os episódios ocorreram no Hospital Universitário Oswaldo Cruz (HUOC).
Ouça o resumo da matéria e entenda os principais pontos em poucos minutos
Denny relata que uma mulher ligada à iniciativa colocava uma substância em sua garrafa de água. A Polícia Civil de Pernambuco conduz com bastante sigilo todo o processo de investigação.
Vídeos gravados pela própria artesã mostram uma mulher manipulando o recipiente. Reportagens sobre o caso citam exames toxicológicos e análises da garrafa que teriam identificado mercúrio.
Os investigadores ainda não concluíram o inquérito nem atribuíram responsabilidade criminal. A mulher mencionada na denúncia nega a acusação.
O Portal Nova Pauta procurou a Polícia Civil e o HUOC para pedir esclarecimentos. A reportagem aguarda o retorno das duas instituições.
Artesã desconfiou após perceber alterações na água
Denny relata que começou a apresentar problemas de saúde no segundo semestre de 2024. Ela cita dores abdominais, limitação dos movimentos, dificuldades de coordenação motora e uma sensação semelhante a uma pequena esfera metálica na garganta.
A artesã passou a desconfiar da bebida quando percebeu pequenas esferas dentro da garrafa. Para entender o que ocorria, deixou um celular gravando o ambiente durante as atividades do projeto.
Os registros mostram uma mulher se aproximando da mesa, abrindo a garrafa e colocando uma substância no recipiente. As imagens não permitem identificar o material.
A suspeita de contaminação por mercúrio ganhou força com as análises da garrafa e do sangue da artesã. As informações sobre os resultados reforçaram a apuração, mas não esclarecem a autoria, a intenção nem a dinâmica dos episódios.
Denny afirma que mantinha apenas uma relação cordial com a mulher citada no caso.
“Eu fazia minhas atividades, ela fazia as dela e pronto. Sem nenhum tipo de envolvimento na família, como entrar em assuntos particulares. Nem eu com o dela, nem ela com o meu”.
Contaminação por mercúrio: polícia recolheu garrafa para análise
Após o segundo registro em vídeo, policiais militares conduziram Denny e a outra mulher à Central de Plantões da Capital. A mulher negou ter colocado mercúrio na bebida.
Algumas reportagens que citam a ocorrência informam que os agentes encontraram resíduos de um pó no fundo da bolsa dela. A Polícia Civil recolheu a garrafa e encaminhou o recipiente para análise química.
Publicações sobre o caso afirmam que os exames identificaram mercúrio na água e no organismo da artesã. Alguns veículos de comunicação citaram uma concentração específica no sangue.
Por cautela, o Portal Nova Pauta não reproduz esse valor, pois não teve acesso à íntegra do laudo. O portal incluirá o dado após consultar o documento original.
Os resultados citados pela imprensa não encerram a apuração criminal. Os investigadores precisam esclarecer como o mercúrio chegou à garrafa, quantas vezes ocorreu a possível contaminação e quem participou dos episódios.
Denny relata dores e dificuldades motoras
A artesã afirma que continua enfrentando dores persistentes, neuropatia, limitações para caminhar e dificuldades de coordenação. Ela relata comprometimento da medula e perda de autonomia em atividades cotidianas.
Denny aguarda uma consulta com um neurocirurgião pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O atendimento deverá avaliar os sintomas, orientar o tratamento e produzir um laudo sobre possíveis sequelas neurológicas.
A exposição ao mercúrio pode afetar o sistema nervoso, os rins e o aparelho gastrointestinal. A avaliação médica precisa considerar a quantidade da substância, o tempo de exposição e as condições de saúde da paciente.
Profissionais habilitados devem analisar se existe relação entre os sintomas relatados e o mercúrio citado nos exames.
Projeto desenvolve atividades artísticas no HUOC
Denny afirma que participa há mais de dez anos do projeto Arte na Medicina. A iniciativa promove oficinas e outras atividades artísticas no Hospital Universitário Oswaldo Cruz.
A artesã atua como voluntária em trabalhos com bordado, tecidos e peças de cerâmica. A denúncia não atribui responsabilidade ao hospital nem à coordenação do programa.
Denny situa os episódios no espaço usado pela iniciativa. A investigação precisa apurar quem tinha acesso ao local, aos recipientes e à substância.
O Portal Nova Pauta perguntou ao HUOC quando a instituição tomou conhecimento da denúncia e se abriu algum procedimento interno. O portal solicitou informações sobre eventuais providências e sobre o vínculo das pessoas envolvidas com o projeto.
Contaminação por mercúrio: inquérito ainda não apontou responsável
A Polícia Civil mantém o inquérito em andamento e preserva os detalhes das diligências. O Portal Nova Pauta pediu informações sobre a unidade responsável, o estágio da apuração e os resultados periciais.
A reportagem questionou a corporação sobre a existência de eventual indiciamento. As autoridades não informaram prazo para concluir o inquérito, e também sobre uma possível motivação ou enquadramento criminal.
A mulher mencionada na denúncia nega a acusação e tem direito à defesa.
Até o fechamento desta matéria, a Polícia Civil e o HUOC não haviam enviado resposta. O Portal Nova Pauta incluirá os posicionamentos assim que receber retorno.
A reportagem trata o episódio como uma denúncia sob investigação e não antecipa culpa ou responsabilidade.

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