O SIM Casa Amarela começou a funcionar nesta terça-feira (22), no Recife. A unidade amplia o atendimento especializado para moradores de 29 bairros dos Distritos Sanitários III e VII.
O serviço fica na Rua Major Nereu Guerra, 105, na Zona Norte. O funcionamento ocorre de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h. O acesso depende de encaminhamento pela rede municipal e marcação no Sistema Nacional de Regulação (SISREG).
O equipamento integra a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS). A estrutura reúne Psiquiatria, Psicologia, terapia ocupacional, serviço social, oficinas terapêuticas, atividades em grupo, visitas domiciliares e acompanhamento farmacoterapêutico.
“Inaugurado hoje o segundo SIM da Prefeitura do Recife. É uma expansão enorme do atendimento de saúde mental em toda a cidade, tanto para crianças quanto para pessoas de outras faixas etárias. Ficamos muito felizes de poder fazer essa ampliação, com foco 100% no cuidado do cidadão recifense”, afirmou o prefeito Victor Marques.
Nova unidade cobre 29 bairros da Zona Norte
A área de referência reúne 16 bairros do Distrito Sanitário III e 13 do Distrito Sanitário VII. O Plano Municipal de Saúde 2026–2029 confirma essa divisão territorial. A Prefeitura estima uma população de 338.080 habitantes na área atendida.
No Distrito III estão Aflitos, Alto do Mandu, Apipucos, Casa Amarela, Casa Forte, Derby, Dois Irmãos e Espinheiro. A lista inclui Graças, Jaqueira, Monteiro, Parnamirim, Poço da Panela, Santana, Sítio dos Pintos e Tamarineira.
O Distrito VII reúne Alto José Bonifácio, Alto José do Pinho, Brejo da Guabiraba, Brejo de Beberibe, Córrego do Jenipapo e Guabiraba. Macaxeira, Mangabeira, Morro da Conceição, Nova Descoberta, Passarinho, Pau-Ferro e Vasco da Gama completam o distrito.
A localização aproxima o atendimento especializado de moradores da Zona Norte. A proposta prevê articulação com USF, equipes multiprofissionais e Centros de Atenção Psicossocial.
A Zona Norte também conta com a UPAE de Casa Amarela, voltada à assistência especializada de usuários encaminhados pela rede pública.
Acesso depende de encaminhamento pelo SISREG
O atendimento não funciona como consulta psiquiátrica de livre procura. O Conecta Recife informa que a entrada no SIM passa pelo SISREG. O fluxo exige encaminhamento prévio da rede municipal.
UBS, USF e CAPS aparecem no fluxo oficial publicado. Identificada a necessidade de acompanhamento especializado, a unidade de origem registra a solicitação no sistema. O usuário recebe a informação sobre data e horário da consulta.
No primeiro contato, a pessoa passa por avaliação multiprofissional. A equipe organiza o plano de cuidado dentro do Projeto Terapêutico Singular (PTS). O instrumento reúne necessidades clínicas, sociais e funcionais de cada usuário.
A Prefeitura informa que teleatendimentos poderão ocorrer quando houver indicação no PTS. O acompanhamento permanece articulado com outros pontos da RAPS.
Registros municipais produzidos antes desta abertura descreviam o SIM com prioridade para pessoas a partir de 18 anos. A fala do prefeito na inauguração indica atendimento para crianças e outras faixas etárias.
Os documentos públicos consultados não detalham um protocolo específico para menores nesta unidade. A rede municipal mantém serviços infantojuvenis de referência para os territórios atendidos.
Equipe reúne 36 profissionais e cuidado multiprofissional

A equipe anunciada tem 36 profissionais. O quadro informado reúne médicos, psiquiatras, psicólogos, assistentes sociais, terapeutas ocupacionais, farmacêuticos, profissionais de Educação Física, oficineiros e trabalhadores de apoio.
A Secretaria Municipal informou previsão mensal de 470 atendimentos médicos em Psiquiatria. A estimativa inclui 1.300 atendimentos multiprofissionais e 1.900 atividades em grupo.
Esses indicadores não devem ser somados como número de pacientes distintos. A documentação disponível não apresenta metodologia que permita essa equivalência.
“É a inauguração de mais um equipamento de saúde mental. Trata-se de um novo serviço integrado. Já temos um equipamento no Distrito Sanitário I e, agora, inauguramos este no Distrito Sanitário III. Teremos aqui cerca de 470 atendimentos médicos em Psiquiatria por mês, 1.300 atendimentos multiprofissionais e 1.900 atividades em grupo. Isso porque acreditamos que a saúde mental deve ser cuidada de forma integral”, destacou a secretária de Saúde do Recife, Luciana Albuquerque.
A gestora explicou o início do acompanhamento.
“O paciente entra pela fila de Psiquiatria e todas as suas necessidades relacionadas à saúde mental são avaliadas e atendidas”, afirmou.
SIM Casa Amarela: atendimento inclui oficinas, visitas e ações nos bairros
Os serviços anunciados abrangem acolhimento individual e em grupo, consultas psiquiátricas, acompanhamento psicológico, terapia ocupacional e serviço social. Oficinas terapêuticas, visitas domiciliares e ações territoriais completam o escopo informado pela gestão.
O novo espaço dispõe de salas de atendimento, ambientes para oficinas, sala de multimídia, farmácia, áreas administrativas e espaço externo de convivência.
A estrutura prevê atendimento remoto quando houver indicação no plano individual. A área externa poderá receber grupos, oficinas, ações culturais e atividades comunitárias.
O trabalho chega aos territórios por meio de visitas domiciliares e discussão de casos com equipes da Atenção Primária. A Prefeitura prevê presença de profissionais junto às comunidades atendidas.
“É dessa forma que entendemos que a saúde mental pode funcionar de maneira efetiva: conseguindo olhar para o paciente de forma integral”, afirmou Luciana Albuquerque.

SIM e CAPS cumprem funções distintas na rede
O SIM não substitui os Centros de Atenção Psicossocial. Os dois equipamentos pertencem à rede pública, com funções distintas.
O Ministério da Saúde define os CAPS como serviços comunitários voltados ao acompanhamento contínuo de pessoas em sofrimento psíquico intenso. Essas unidades acolhem crises e prestam suporte às famílias.
Os CAPS recebem procura direta para o primeiro acolhimento. O SIM funciona por regulação, com encaminhamento da rede municipal e atendimento ambulatorial especializado.
A Atenção Primária mantém papel central nesse percurso. Unidades Básicas e equipes territoriais acompanham diversas demandas e encaminham casos que precisam de assistência especializada.
A Lei Municipal nº 19.467, publicada em dezembro de 2025, incluiu o SIM na classificação dos equipamentos municipais. A norma prevê grupos, oficinas terapêuticas, acesso regulado e articulação com a rede.
A diferença entre os serviços ajuda o morador a procurar o ponto adequado. O SIM recebe pessoas encaminhadas para acompanhamento programado e especializado.

Recife passa a operar duas unidades do modelo
O primeiro Serviço Integrado foi inaugurado em 4 de julho de 2024, na Rua das Ninfas, na Boa Vista. O Relatório Anual de Gestão daquele ano registra investimento superior a R$ 422 mil.
A unidade pioneira na rede municipal começou com 34 profissionais. A capacidade anunciada na época era de aproximadamente 220 atendimentos mensais.
Uma publicação municipal de maio de 2026 previa a entrega da nova estrutura para julho. A inauguração ocorreu em setembro. Os documentos públicos localizados não apresentam justificativa para a mudança no cronograma.
A gestão municipal apresenta o formato recifense como pioneiro no país. A Prefeitura afirma que a experiência despertou interesse de outros estados e do Ministério da Saúde.
A apuração do Portal Nova Pauta não localizou reconhecimento formal do governo federal que confirme essa classificação.
Um Plano Estadual do Paraná publicado em 2016 registra um Serviço Integrado de Saúde Mental chamado SIMPR. O desenho paranaense reúne estruturas ligadas ao cuidado relacionado ao uso de álcool e outras drogas.
A configuração é diferente da adotada no Recife. O registro recomenda cautela na utilização da expressão “pioneiro no Brasil” sem uma comparação nacional dos modelos.
Novo serviço amplia acesso especializado na Zona Norte
Para moradores dos Distritos III e VII, a mudança prática está na criação de um novo ponto especializado próximo dos bairros de referência.
O acesso começa na rede municipal, passa pela regulação e segue com um plano definido pela equipe responsável.
A efetividade da expansão poderá ser medida por dados de produção, tempo de espera, usuários acompanhados e continuidade do cuidado. Esses indicadores ajudarão a dimensionar o alcance do novo equipamento na rede pública do Recife.
Serviço — unidade da Zona Norte
- Endereço: Rua Major Nereu Guerra, 105, Casa Amarela, Recife.
- Funcionamento: segunda a sexta-feira, das 8h às 17h.
- Acesso: encaminhamento pela rede municipal com marcação no SISREG.
- Abrangência: moradores dos Distritos Sanitários III e VII.
Fotos: Hélia Scheppa/Prefeitura do Recife

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